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Era austero e sisudo; não havia
frade mais exemplar nesse convento:
no seu cavado rosto macilento
um poema de lágrimas se lia.
Uma vez que na extensa livraria
folheava o triste um livro pardacento,
viram-no desmaiar, cair do assento,
convulso e torvo sobre a lájea fria.
De que morrera o venerando frade?
Em vão busco as origens da verdade,
ninguém m’a disse, explique-a quem puder.
Consta que um bibliófilo comprara
o livro estranho e que, ao abri-lo, achara
uns dourados cabelos de mulher…
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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco
de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987,
Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Antônio
Cândido Gonçalves Crespo (1846 — 1883), nascido no Rio de Janeiro, filho de mãe
escrava à época de seu nascimento e de pai negociante português, fez seus estudos
em Lisboa e formou-se em Direito na Universidade de Coimbra; em terras portuguesas,
dedicou-se no entanto ao jornalismo e à poesia, foi redator do Jornal do Comércio,
de Lisboa, e colaborou com os periódicos O Ocidente, Mosaico e Literatura Ocidental,
e também com a revista A Folha, na qual publicavam
Guerra Junqueiro e Antero de Quental, além de outros notáveis da época; escreveu
e publicou Miniaturas (primeira edição, 1871), Noturnos (várias edições, primeira
edição em 1882), Contos para Nossos Filhos (em conjunto com Maria Amália Vaz de
Carvalho, esposa e também escritora, 1882); foi membro da Academia Real de Ciências
de Lisboa; faleceu vitimado pela tuberculose.




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