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terça-feira, 17 de maio de 2016

Leonete de Oliveira: A Louca

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... E ela ria e chorava, a pobre louca, e ria
Apertando, com fúria, em seus braços mirrados,
O filhinho faminto, os olhos desvairados,
Num abraço fatal como a própria agonia...

E ela, a doida, cantava e a cantar não ouvia
Do filho os tristes ais, de fome, angustiados,
E aperta-o mais e mais contra os seios fanados,
E ele frio e gelado em seus braços morria!

Num olhar onde o amor inda solta lampejos,
Olha a criança, a sorrir, enche de doidos beijos
O seu rosto já frio e os seus olhos já baços.

E inconsciente a esperar que ele acorde, baixinho
Vai cantando a canção de amizade e carinho,
O cadáver do filho embalando nos braços!

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Sonetos Brasileiros — Séculos XVII ao XX, Coletânea organizada por Laudelino Freire, 1929, F. Briguiet & Cia. Editores, Rio de Janeiro — RJ; Leonete Fernanda de Oliveira Lima Rocha (1888  ? ), maranhense de São Luís, foi professora, bibliotecária da Biblioteca Pública do Estado do Maranhão e poeta; escreveu e publicou Flocos (1910), Miragens, Cambiantes, Folhas de Outono (1959) e outros títulos; publicou na imprensa maranhense e carioca; faleceu no Rio de Janeiro.