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Eu sei de uma velhinha
de cem anos,
Ou talvez mais,
Que ainda tem sonhos,
ainda tem ideais,
Ainda se nutre de
ilusões e enganos.
Mora no vão de uma
floresta,
À beira-rio,
E, seja inverno ou seja
estio,
Anda-lhe sempre o
coração em festa.
É cega, já não vê, de
tanta cousa
Que viu por este mundo.
Nos seus olhos, porém,
foi tão gloriosa
A luz , e o seu poder
foi tão fecundo,
Que ainda agora,
Naquela noite escura,
A doce criatura
Parece contemplar
risonha a aurora.
Na trama de um tecido
original,
De pura fantasia,
Trabalha dia a dia,
Sem rival;
E não cai folha ou passa
grão de areia,
Que a não sinta desperta
trabalhando
No seu tear,
A cantar:
É a aranha a tecer a sua
teia,
É a lua sonâmbula
sonhando!
(Biblioteca Nacional de
Obras Célebres,
Vol. XXII, pág. 11.176)
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Panorama
do Movimento Simbolista Brasileiro — Volume 1, por Andrade Muricy, (Coleção de
Literatura Brasileira 12), 1973, Ministério de Educação e Cultura —
Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Gustavo Santiago (1872 — ? ),
nascido no Rio de Janeiro, fez parte de seus estudos em Portugal, foi advogado,
jornalista e poeta; escreve Andrade Muricy sobre o poeta: “Dentre os grupos em que se dividiu
a grei simbolista, após a morte de Cruz e Sousa, mestre incontestado, Gustavo
Santiago conviveu sobretudo com o que se formara em torno de Nestor Vitor, e
em que figuravam, entre outros, Oliveira Gomes, Silveira Neto, Tibúrcio de
Freitas e Maurício Jubim.”; obras publicadas: Saudades (poema, 1892), O
Cavaleiro do Luar (poema, 1901), Pássaros Brancos, versos de 1892 — 1898 (1903),
Pelo Norte (1906), além de crônicas, crítica literária e contos publicados em
jornais e revistas da época; foi diretor do periódico político-literário A
Página; faleceu no Rio de Janeiro.