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domingo, 12 de fevereiro de 2017

Gustavo Santiago: Símbolo

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Eu sei de uma velhinha de cem anos,
Ou talvez mais,
Que ainda tem sonhos, ainda tem ideais,
Ainda se nutre de ilusões e enganos.

Mora no vão de uma floresta,
À beira-rio,
E, seja inverno ou seja estio,
Anda-lhe sempre o coração em festa.

É cega, já não vê, de tanta cousa
Que viu por este mundo.
Nos seus olhos, porém, foi tão gloriosa
A luz , e o seu poder foi tão fecundo,
Que ainda agora,
Naquela noite escura,
A doce criatura
Parece contemplar risonha a aurora.

Na trama de um tecido original,
De pura fantasia,
Trabalha dia a dia,
Sem rival;
E não cai folha ou passa grão de areia,
Que a não sinta desperta trabalhando
No seu tear,
A cantar:
É a aranha a tecer a sua teia,
É a lua sonâmbula sonhando!

(Biblioteca Nacional de Obras Célebres,
 Vol. XXII, pág. 11.176)
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Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Volume 1, por Andrade Muricy, (Coleção de Literatura Brasileira 12), 1973, Ministério de Educação e Cultura Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Gustavo Santiago (1872 —  ? ), nascido no Rio de Janeiro, fez parte de seus estudos em Portugal, foi advogado, jornalista e poeta; escreve Andrade Muricy sobre o poeta: “Dentre os grupos em que se dividiu a grei simbolista, após a morte de Cruz e Sousa, mestre incontestado, Gustavo Santiago conviveu sobretudo com o que se formara em torno de Nestor Vitor, e em que figuravam, entre outros, Oliveira Gomes, Silveira Neto, Tibúrcio de Freitas e Maurício Jubim.”; obras publicadas: Saudades (poema, 1892), O Cavaleiro do Luar (poema, 1901), Pássaros Brancos, versos de 1892 — 1898 (1903), Pelo Norte (1906), além de crônicas, crítica literária e contos publicados em jornais e revistas da época; foi diretor do periódico político-literário A Página; faleceu no Rio de Janeiro.