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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Cláudio Murilo: Poeta, Canta

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O POEMA é ócio?
Perdida espuma
Em mar no cio?
Ou será alguma

Flor inodora,
Sonho, fastio?
Ou será agora
A fome e o frio?

Poeta, canta
O estrito mundo
Que te espanta,
Mesmo imundo.

O poema hoje
É guerra e grito.
Prepara na forja
Um canto infinito.

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Poesia Viva 1 (vários poetas) — Introdução de Antônio Houaiss, 1968, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Cláudio Murilo Leal, nascido em 1937, carioca, doutor em Letras e Mestre em Literatura Brasileira pela UFRJ  Universidade Federal do Rio de Janeiro, é professor, poeta e tradutor; colaborou com os jornais Correio Braziliense e Jornal de Brasília; escreveu e publicou Poemas (1959), Novos Poemas (1960), Fonte (1961), Gesto Solidário (1964), As Doze Horas (1965), A Rosa Prática (1966), CinelândiaCaderno de ProustA Velhice de Ezra PoundRefletsAs Guerras PúnicasMódulos e outros títulos.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Cláudio Murilo: Poema das Reformas

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É PRECISO reformar a casa,
Abrir as janelas,
Que o vento penetre
Em todos os cantos.
É preciso destruir as cercas,
Que as crianças entrem,
Pisem nos canteiros,
Construam a sua alegria.

É preciso reformar a rua,
Que todos andem por ela.
As lojas, os bares, os cinemas
Nos mantenham assim
Unidos e em paz.

É preciso reformar a cidade.
É preciso, antes e sempre,
Reformar o homem.

É preciso despi-lo,
É preciso mostrar
Que todos somos irmãos.
É preciso um novo dilúvio.
É preciso reescrever os livros
É preciso reencontrar a terra
É preciso que uma torrente
Invada todos nós
E lave nossa alma.

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Poesia Viva 1 (vários poetas) — Introdução de Antônio Houaiss, 1968, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Cláudio Murilo Leal, nascido em 1937, carioca, doutor em Letras e Mestre em Literatura Brasileira pela UFRJ  Universidade Federal do Rio de Janeiro, é professor, poeta e tradutor; colaborou com os jornais Correio Braziliense e Jornal de Brasília; escreveu e publicou Poemas (1959), Novos Poemas (1960), Fonte (1961), Gesto Solidário (1964), As Doze Horas (1965), A Rosa Prática (1966), CinelândiaCaderno de ProustA Velhice de Ezra PoundRefletsAs Guerras PúnicasMódulos e outros títulos.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Cláudio Murilo: Busca

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ONDE ESTÁ a palavra que procuro?
Pousará na página de um livro?
Será uma flor-pássaro nos lábios
Do louco? Ou caminhará no vento?

Procuro uma palavra de paz,
Uma frase talvez, que faça rir
As criancinhas e alegre o mundo,
Que a entendam, clara, os enfermos,

No branco vazio dos hospitais.
Palavra-fonte para os desolados,
Para os que se matam cheios de angústia.

Uma palavra de amor, simples, nua,
Mas onde te encontrar, ó diamante?
E sou uma pedra ou um deserto.

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Poesia Viva 1 (vários poetas) — Introdução de Antônio Houaiss, 1968, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Cláudio Murilo Leal, nascido em 1937, carioca, doutor em Letras e Mestre em Literatura Brasileira pela UFRJ  Universidade Federal do Rio de Janeiro, é professor, poeta e tradutor; colaborou com os jornais Correio Braziliense e Jornal de Brasília; escreveu e publicou Poemas (1959), Novos Poemas (1960), Fonte (1961), Gesto Solidário (1964), As Doze Horas (1965), A Rosa Prática (1966), CinelândiaCaderno de Proust, A Velhice de Ezra Pound, Reflets, As Guerras Púnicas, Módulos e outros títulos.