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sábado, 15 de março de 2025

Lou Salomé: Alegria de Março

 
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[traduzido por Luzilá Gonçalves Ferreira]

Dos galhos nus açoitados pelo vento
Cai a última neve de março, úmida e macia,
Caminho como por um reino encantado
Adentrando o silêncio do crepúsculo.

Ouve-se claro das profundezas do bosque
Apenas o canto de um pássaro,
Qual alvíssaras da natureza:
Um grito, uma saudação, um anúncio de primavera.

Como se um arauto fosse necessário
Para que se esqueça o frio e a neve,
Até que os olhos iludidos por um sonho
Vejam uma primavera que não há.

Pois bem! a mim não me ilude mais
Mas desta alegria de março me vou cobrir:
E ficar imóvel na invernal paisagem
Esperando a primavera me chamar.

Lou Salomé

Märzglück

An kahlen, windverwehten Zweigen
Hängt letzter Märzschnee feucht und weich,
Ich schreite wie durch Märchenreich
Hinein in abenddunkles Schweigen.

Hell tönt aus tiefen Waldesgründen
Das Zwitschern einer Meise nur,
Wie Selbstverheißung der Natur:
Ein Ruf, ein Gruß, ein Frühlingskünden.

Als müßte sie einen Boten schicken
Um den man Frost und Schnee vergißt,
Bis einen Frühling, der nicht ist,
Die Augen traumbetört erblicken.

Nun! Darf er nie mehr mich betören
Dies Märzglück doch soll mir geschehn:
In Winterlandschaft stillzustehn
Um einen Lenzruf anzuhören

Berlin—Tempelhof, 1890
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Lou Andreas-Salomé — Cinzas no jardim: Luzilá Gonçalves Ferreira, Coleção Encanto Radical nº 13, 1982, Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Lou Andreas-Salomé (1861 1937) ou Louise von Salomé, russa de São Petesburgo, foi filósofa, ensaísta, poeta, romancista e psicanalista; viveu na Alemanha e conviveu intelectualmente com Nietzsche, Paul Rée, René (Rainer) Maria Rilke, Freud e outros pensadores de sua época; na Rússia Imperial, estudara teologia, filosofia, religiões mundiais e literatura francesa e alemã com o pregador (pastor) holandês Hendrik Gillot; já morando na Alemanha, para onde viajara com a mãe, adquiriu educação universitária em Zurique, estudou lógica, história das religiões, metafísica e confirmou sua vocação literária, retomando seus poemas escritos anteriormente e publicando-os em revistas de literatura ligadas a diversos círculos universitários; suas obras: Im Kampf um Gott (Uma luta por Deus, 1885), Henrik Ibsens Frauen-gestalten (Personagens femininas de Ibsen, 1892), Friedrich Nietzsche in seinen Werken (Friedrich Nietzsche em sua obra, 1894), Ruth (1895), Aus fremder Seele (De uma alma perturbada, 1896), Fenitschka. Eine Ausschweifung (Fenitschka. A debochada, 1898), Menschenkinder (Filhos dos homens, 1899), Im Zwischenland (Na zona do crepúsculo, 1902), Die Erotik (Erotismo, 1910), Das Haus (A casa, 1919), Main Dank an Freud (Minha gratidão a Freud, 1931), Lebensrückvlick (póstumo, Memórias, organizado por Ernst Pfeiffer, 1951), e outros títulos; Lou Salomé, uma mulher com idéias avançadas para o seu tempo, conviveu em círculos intelectuais de absoluta predominância masculina sem se  submissa a estes; sua obra Im Kampf um Gott foi publicada com o pseudônimo de Henri Lou.

sábado, 22 de fevereiro de 2025

Lou Salomé: Hino à Vida [para coro misto e orquestra] *

 
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[traduzido por Luzilá Gonçalves Ferreira]

Claro, como se ama um amigo
Eu te amo, vida enigmática
Que me tenhas feito exultar ou chorar,
Que me tenhas trazido felicidade ou sofrimento.

Amo-te com toda a tua crueldade,
E se deves me aniquilar,
Eu me arrancarei de teus braços
Como alguém se arranca do seio dum amigo.

Com todas as minhas forças te aperto!
Que tuas chamas me devorem,
No fogo do combate, permite-se
De sondar mais longe teu mistério.

Ser, pensar durante milênios!
Encerra-me em teus braços:
Se não tens mais alegria a me ofertar,
Pois bem, restam-te teus tormentos.

Lou Salomé

Lebensgebet

Gewiß, so liebt ein Freund den Freund,
Wie ich Dich liebe, Rätselleben 
Ob ich in Dir gejauchzt, geweint,
Ob Du mir Glück, ob Schmerz gegeben.

Ich liebe Dich samt Deinem Harme;
Und wenn Du mich vernichten mußt,
Entreiße ich mich Deinem Arme
Wie Freund sich reißt von Freundesbrust.

Mit ganzer Kraft umfaß ich Dich!
Laß Deine Flammen mich entzünden,
Laß noch in Glut des Kampfes mich
Dein Rätsel tiefer nur ergründen.

Jahrtausende zu sein! zu denken!
Schließ mich in beide Arme ein:
Hast Du kein Glück mehr mir zu schenken 
Wohlan  noch hast Du Deine Pein.

* Nota do blogue Verso e Conversa: O atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página faz constar que neste Lou Salomé — Cinzas no jardim [págs. 54 e 55], a autora Luzilá Gonçalves Ferreira deixa registrado, acerca do poema, o que se segue:
     “[Em agosto de 1882] Ao deixar, em Tautenburgo, Nietzsche e Elizabeth brigados por sua causa, Lou entrega à Nietzsche a cópia de um poema que ela escrevera em Zurique, meses antes, após ter deixado sua Rússia natal. Este texto será musicado por Nietzsche e aparecerá em 1887, com o título de “Hino à Vida para coro misto e orquestra”. Na partitura ele não colocou o nome do autor das palavras, mas o pôs no Ecce Homo [1888], ao falar do nascimento de Zaratustra nestes termos: “O texto, faço questão de precisar, porque dá lugar, neste momento, a um mal-entendido, não é meu: devemo-lo à inspiração de uma jovem russa que foi outrora minha amiga, a senhorita Lou von Salomé. Aquele que é capaz de entender o sentido das últimas palavras do poema adivinhará por que eu o amei e admirei particularmente:
     tem grandeza. A dor não pode servir de argumento contra a vida. ‘Se não tens mais alegria a me ofertar, pois bem, restam-te teus tormentos ...'. Talvez minha música tenha grandeza neste trecho.
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Lou Andreas-Salomé — Cinzas no jardim: Luzilá Gonçalves Ferreira, Coleção Encanto Radical nº 13, 1982, Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Lou Andreas-Salomé (1861 1937) ou Louise von Salomé, russa de São Petesburgo, foi filósofa, ensaísta, poeta, romancista e psicanalista; viveu na Alemanha e conviveu intelectualmente com Nietzsche, Paul Rée, René (Rainer) Maria Rilke, Freud e outros pensadores de sua época; na Rússia Imperial, estudara teologia, filosofia, religiões mundiais e literatura francesa e alemã com o pregador (pastor) holandês Hendrik Gillot; já morando na Alemanha, para onde viajara com a mãe, adquiriu educação universitária em Zurique, estudou lógica, história das religiões, metafísica e confirmou sua vocação literária, retomando seus poemas escritos anteriormente e publicando-os em revistas de literatura ligadas a diversos círculos universitários; suas obras: Im Kampf um Gott (Uma luta por Deus, 1885), Henrik Ibsens Frauen-gestalten (Personagens femininas de Ibsen, 1892), Friedrich Nietzsche in seinen Werken (Friedrich Nietzsche em sua obra, 1894), Ruth (1895), Aus fremder Seele (De uma alma perturbada, 1896), Fenitschka. Eine Ausschweifung (Fenitschka. A debochada, 1898), Menschenkinder (Filhos dos homens, 1899), Im Zwischenland (Na zona do crepúsculo, 1902), Die Erotik (Erotismo, 1910), Das Haus (A casa, 1919), Main Dank an Freud (Minha gratidão a Freud, 1931), Lebensrückvlick (póstumo, Memórias, organizado por Ernst Pfeiffer, 1951), e outros títulos; Lou Salomé, uma mulher com idéias avançadas para o seu tempo, conviveu em círculos intelectuais de absoluta predominância masculina sem se  submissa a estes; sua obra Im Kampf um Gott foi publicada com o pseudônimo de Henri Lou.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Lou Andreas-Salomé: Tu, céu claro sobre mim, quero confiar-me a ti . . . *

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[traduzido por Nicolino Simone Neto e Valter Fernandes]

Tu, céu claro sobre mim,
Quero confiar-me a ti
Não permitas que o prazer e a dor daqui
De admirar-te possam-me impedir!

Tu, que sobre tudo te projetas,
Através de espaços e através dos ventos,
Mostra-me aonde vais, pois é minha meta
Reencontrar-te em todos os momentos.

Do prazer não quero ver o fim
Não fugirei do sofrimento que abate,
Espaço e mais espaço é o que quero sobre mim
Para ajoelhar-me sobre o azul e venerar-te.

Lou Andreas-Salomé

Du heller Himmel über mir

Du heller Himmel über mir,
Dir will ich mich vertrauen:
Lass nicht von Lust und Leiden hier
Den Aufblick mir verbauen!

Du, der sich über alles dehnt,
Durch Weiten und durch Winde,
Zeig mir den Weg, so heiss ersehnt,
Wo ich Dich wiederfinde.

Von Lust will ich ein Endchen Kaum
Und will kein Leiden fliechen;
Ich will nur eins: nur Raum  nur Raum,
Um unter Dir zu Knieen.



* Nota deste aprendiz de blogueiro: em Minha Vida, ao noticiar este poema, Lou Salomé escreve: 'Sobre minhas “experiências com Deus” eu não costumava falar claramente nem mesmo com as pessoas amigas da minha idade (havia entre elas uma parenta, cuja família, pelo lado materno, era de origem franco-alemã como a nossa; sua irmã, mais tarde, casou-se com meu segundo irmão), pois eu não podia saber com certeza se elas guardavam alguma lembrança de experiência semelhante. Mas isso também desapareceu de minha memória, com os anos. Tanto que me lembro bem o quanto fiquei surpresa quando, mais tarde, ao remexer papéis, encontrei um, velho e rasgado, onde, outrora, na Finlândia, sob a claridade mágica das noites brancas de verão, eu havia rabiscado estes versos.’
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Minha vida: Lou Andreas-Salomé (Editada por Ernst Pfeiffer a partir das obras póstumas, Nova Edição revisada, Com Ilustrações e Posfácio), Tradução de Nicolino Simone Neto e Valter Fernandes, 1ª edição, 1985, Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Lou Andreas-Salomé (1861  —  1937) ou Louise von Salomé, russa de São Petesburgo, foi filósofa, ensaísta, poeta, romancista e psicanalista; viveu na Alemanha e conviveu intelectualmente com Nietzsche, Paul Rée, René (Rainer) Maria Rilke, Freud e outros pensadores de sua época; na Rússia Imperial, estudara teologia, filosofia, religiões mundiais e literatura francesa e alemã com o pregador (pastor) holandês Hendrik Gillot; já morando na Alemanha, para onde viajara com a mãe, adquiriu educação universitária em Zurique, estudou lógica, história das religiões, metafísica e confirmou sua vocação literária, retomando seus poemas escritos anteriormente e publicando-os em revistas de literatura ligadas a diversos círculos universitários; bibliografia: Im Kampf um Gott (Uma luta por Deus, 1885), Henrik Ibsens Frauen-gestalten  (Personagens femininas de Ibsen, 1892), Friedrich Nietzsche in seinen Werken (Friedrich Nietzsche em sua obra, 1894), Ruth (1895), Aus fremder Seele (De uma alma perturbada, 1896), Fenitschka. Eine Ausschweifung (Fenitschka. A debochada, 1898),  Menschenkinder  (Filhos dos homens, 1899), Im Zwischenland  (Na zona do crepúsculo, 1902), Die Erotik (Erotismo, 1910), Das Haus (A casa, 1919), Main Dank an Freud (Minha gratidão a Freud, 1931),  Lebensrückvlick  (póstumo, Memórias, organizado por Ernst Pfeiffer, 1951), e outros títulos; Lou Salomé, uma mulher com idéias avançadas para o seu tempo, conviveu em círculos intelectuais de absoluta predominância masculina sem ser submissa a estes; sua obra Im Kampf um Gott foi publicada com o pseudônimo de Henri Lou.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Lou Andreas-Salomé: Pedido Fúnebre

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[traduzido por Nicolino Simone Neto e Valter Fernandes]

Quando em meu leito de morte eu repousar
 centelha agora apagada 
Meus cabelos uma vez mais vêm tocar
Com tua mão tão amada.

Antes que devolvam à terra
Aquilo que terra se vai tornar
A boca amada vem e cerra
Os lábios teus, num último beijar.

Mas pensa também: no estranho ataúde
Não sou mais que uma ilusão
Meu ser abrigou-se em tua plenitude!
Só tua eu serei, então.

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Lou Andreas-Salomé

Todesbitte

Lieg ich einst auf der Totenbahr *
 ein Funke, der verbrannt ,
Streich mir noch einmal übers Haar
Mit der geliebten Hand.
Eh' man der Erde wiedergibt,
Was Erde werden muß,
Auf meinen Mund, den Du geliebt,
Gib mir noch Deinen Kuß.
Doch denke auch: im fremden Sarg
Steck ich ja nur zum Schein,
Weil sich in Dir mein Leben barg!
Und ganz bin ich nun Dein.


* Nota da Edição: “Lieg ich einst auf der Totenbahr…” (“Quando em meu leito de morte eu repousar…”: Esse poema, Pedido Fúnebre, modificado como se um homem o dirigisse a seu filho, foi incluído por Lou von Salomé (sob o pseudônimo de Henri Lou) em seu primeiro romance Na Luta por Deus, que apareceu pela editora de Wilhelm Friedrich, Leipzig e Berlim, 1885.
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Minha vida: Lou Andreas-Salomé (Editada por Ernst Pfeiffer a partir das obras póstumas, Nova Edição revisada, Com Ilustrações e Posfácio), Tradução de Nicolino Simone Neto e Valter Fernandes, 1ª edição, 1985, Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Lou Andreas-Salomé (1861  —  1937) ou Louise von Salomé, russa de São Petesburgo, foi filósofa, ensaísta, poeta, romancista e psicanalista; viveu na Alemanha e conviveu intelectualmente com Nietzsche, Paul Rée, René (Rainer) Maria Rilke, Freud e outros pensadores de sua época; na Rússia Imperial, estudara teologia, filosofia, religiões mundiais e literatura francesa e alemã com o pregador (pastor) holandês Hendrik Gillot; já morando na Alemanha, para onde viajara com a mãe, adquiriu educação universitária em Zurique, estudou lógica, história das religiões, metafísica e confirmou sua vocação literária, retomando seus poemas escritos anteriormente e publicando-os em revistas de literatura ligadas a diversos círculos universitários; bibliografia: Im Kampf um Gott (Uma luta por Deus, 1885), Henrik Ibsens Frauen-gestalten  (Personagens femininas de Ibsen, 1892), Friedrich Nietzsche in seinen Werken (Friedrich Nietzsche em sua obra, 1894), Ruth (1895), Aus fremder Seele (De uma alma perturbada, 1896), Fenitschka. Eine Ausschweifung (Fenitschka. A debochada, 1898), Menschenkinder (Filhos dos homens, 1899), Im Zwischenland (Na zona do crepúsculo, 1902), Die Erotik (Erotismo, 1910), Das Haus (A casa, 1919), Main Dank an Freud (Minha gratidão a Freud, 1931), Lebensrückvlick (póstumo, Memórias, organizado por Ernst Pfeiffer, 1951), e outros títulos; Lou Salomé, uma mulher com idéias avançadas para o seu tempo, conviveu em círculos intelectuais de absoluta predominância masculina sem ser submissa a estes; sua obra Im Kampf um Gott foi publicada com o pseudônimo de Henri Lou.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Lou Andreas-Salomé: Volga

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[traduzido por Waltensir Dutra]

Embora longe de ti, vejo-te ainda.
Embora longe de ti, és minha para sempre.
És o presente que não se apagará.
És a minha paisagem e abriga meu coração.
Se eu nunca tivesse repousado às tuas margens,
Ainda assim conheceria tua amplidão,
E cada vaga, e cada sonho
Me levaria à tua imensa solidão.

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Lou Salomé

Wolga

Bist Du auch fern: ich schaue Dich doch an,
Bist Du auch fern: mir bleibst Du doch gegeben
Wie eine Gegenwart, die nicht verblassen kann.
Wie meine Landschaft liegst Du um mein Leben.
Hätt ich an Deinen Ufern nie geruht:
Mir ist, als wüßt ich doch um Deine Weiten,
Als landete mich jede Traumesflut
An Deinen ungeheuren Einsamkeiten.
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Lou: Minha irmã, minha esposa  Uma biografia de Lou Andreas-Salomé, por H. F. Peters, Prefácio de Anaïs Nin e Tradução de Waltensir Dutra, 1986, Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro —  RJ; Lou Andreas-Salomé (1861 1937) ou Louise von Salomé, russa de São Petesburgo, foi filósofa, ensaísta, poeta, romancista e psicanalista; viveu na Alemanha e conviveu intelectualmente com Nietzsche, Paul Rée, René (Rainer) Maria Rilke, Freud e outros pensadores de sua época; na Rússia Imperial, estudara teologia, filosofia, religiões mundiais e literatura francesa e alemã com o pregador (pastor) holandês Hendrik Gillot; já morando na Alemanha, para onde viajara com a mãe, adquiriu educação universitária em Zurique, estudou lógica, história das religiões, metafísica e confirmou sua vocação literária, retomando seus poemas escritos anteriormente e publicando-os em revistas de literatura ligadas a diversos círculos universitários; bibliografia: Im Kampf um Gott (Uma luta por Deus, 1885), Henrik Ibsens Frauen-gestalten (Personagens femininas de Ibsen, 1892), Friedrich Nietzsche in seinen Werken (Friedrich Nietzsche em sua obra, 1894), Ruth (1895), Aus fremder Seele (De uma alma perturbada, 1896), Fenitschka. Eine Ausschweifung (Fenitschka. A debochada, 1898), Menschenkinder (Filhos dos homens, 1899), Im Zwischenland (Na zona do crepúsculo, 1902),  Die Erotik (Erotismo, 1910), Das Haus (A casa, 1919), Main Dank an Freud (Minha gratidão a Freud, 1931), Lebensrückvlick (póstumo, Memórias, organizado por Ernst Pfeiffer, 1951), e outros títulos; Lou Salomé, uma mulher com idéias avançadas para o seu tempo, conviveu em círculos intelectuais de absoluta predominância masculina sem ser submissa a estes; sua obra Im Kampf um Gott foi publicada com o pseudônimo de Henri Lou.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Lou Andreas-Salomé: Velha Rússia

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[traduzido por Miguel Serras Pereira e Ana Luísa Faria]

Pareces descansar ao colo da mãe,
Ainda mal consciente da tua miséria,
Tal infantil parece ainda tudo o que fazes
Enquanto os outros amadurecem.

Como as tuas casas são ainda multicores,
Como se até na fome descobrisses um jogo:
Vermelho, verde, azul, branco sobre fundo doirado,
Tais são as tuas cores.

E contudo, se olhares com demora,
O respeito calará a tua troça:
Uma criança construiu a Rússia
Aos pés de Deus.

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Lou Salomé

Altrußland

Du scheinst in Mutterhut zu ruhn,
Dein Elend kaum noch zu begreifen,
So kindhaft scheint noch all Dein Tun,
Wo andre reifen.

Wie stehn Dir noch die Häuser bunt,
Als spieltest Du sogar im Darben:
Rot, grün, blau, weiß auf goldnem Grund
Sind Deine Farben.

Und doch: wer lang darauf geschaut,
Enthält ehrfürchtig sich Spottes:
Ein Kind hat Rußland hingebaut
Zu Füßen Gottes.
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Um Olhar para Trás — Lou Andreas-Salomé, Tradução de Miguel Serras Pereira e Ana Luísa Faria, 1987,  Relógio d’Água Editores, Lisboa — Portugal; Lou Andreas-Salomé (1861 1937) ou Louise von Salomé, russa de São Petesburgo, foi filósofa, ensaísta, poeta, romancista e psicanalista; viveu na Alemanha e conviveu intelectualmente com Nietzsche, Paul Rée, René (Rainer) Maria Rilke, Freud e outros pensadores de sua época; na Rússia Imperial, estudara teologia, filosofia, religiões mundiais e literatura francesa e alemã com o pregador (pastor) holandês Hendrik Gillot; já morando na Alemanha, para onde viajara com a mãe, adquiriu educação universitária em Zurique, estudou lógica, história das religiões, metafísica e confirmou sua vocação literária, retomando seus poemas escritos anteriormente e publicando-os em revistas de literatura ligadas a diversos círculos universitários; bibliografia:  Im Kampf um Gott (Uma luta por Deus, 1885), Henrik Ibsens Frauen-gestalten  (Personagens femininas de Ibsen, 1892), Friedrich Nietzsche in seinen Werken (Friedrich Nietzsche em sua obra, 1894), Ruth (1895), Aus fremder Seele (De uma alma perturbada, 1896), Fenitschka. Eine Ausschweifung (Fenitschka. A debochada, 1898), Menschenkinder  (Filhos dos homens, 1899), Im Zwischenland (Na zona do crepúsculo, 1902), Die Erotik (Erotismo, 1910), Das Haus (A casa, 1919), Main Dank an Freud  (Minha gratidão a Freud, 1931), Lebensrückvlick (póstumo, Memórias, organizado por Ernst Pfeiffer, 1951), e outros títulos; Lou Salomé, uma mulher com idéias avançadas para o seu tempo, conviveu em círculos intelectuais de absoluta predominância masculina sem ser submissa a estes; sua obra Im Kampf um Gott foi publicada com o pseudônimo de Henri Lou.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Lou Andreas-Salomé: Oração à vida *

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[traduzido por Nicolino Simone Neto e Valter Fernandes]

Tanto como se amam dois amigos
Te amo vida misteriosa
Que traga choro ou regozijos
Horas de sorte ou dolorosas.

Eu te amo e a teus dissabores
Mesmo que me tires o alento,
Deixo teus braços sem rancores
Com adeuses de amigo atento.

Com força quero te abraçar!
Acenda em mim as tuas chamas
No afã da luta hás de deixar
Me abrir o enigma da tua trama.

Milênios pra ser e pra pensar!
Abraça-me tu com fervor
Se sorte não vais me dar
Pois bem, inda tens tua dor.

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Lou Andreas-Salomé

Lebensgebet

Gewiß, so liebt ein Freund den Freund,
Wie ich Dich liebe, Rätselleben 
Ob ich in Dir gejauchzt, geweint,
Ob Du mir Glück, ob Schmerz gegeben.

Ich liebe Dich samt Deinem Harme;
Und wenn Du mich vernichten mußt,
Entreiße ich mich Deinem Arme
Wie Freund sich reißt von Freundesbrust.

Mit ganzer Kraft umfaß ich Dich!
Laß Deine Flammen mich entzünden,
Laß noch in Glut des Kampfes mich
Dein Rätsel tiefer nur ergründen.

Jahrtausende zu sein! zu denken!
Schließ mich in beide Arme ein:
Hast Du kein Glück mehr mir zu schenken 
Wohlan  noch hast Du Deine Pein.


* Nota: Este poema Oração à vida (Lebensgebet), com alguma modificação, foi musicado por Nietzsche, para orquestra: Hino à vida (Hymnus an das Leben)
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Minha vida: Lou Andreas-Salomé (Editada por Ernst Pfeiffer a partir das obras póstumas, Nova Edição revisada, Com Ilustrações e Posfácio), Tradução de Nicolino Simone Neto e Valter Fernandes, 1ª edição, 1985, Editora Brasiliense, São Paulo  SP; Lou Andreas-Salomé (1861  —  1937) ou Louise von Salomé, russa de São Petesburgo, foi filósofa, ensaísta, poeta, romancista e psicanalista; viveu na Alemanha e conviveu intelectualmente com Nietzsche, Paul Rée, René (Rainer) Maria Rilke, Freud e outros pensadores de sua época; na Rússia Imperial, estudara teologia, filosofia, religiões mundiais e literatura francesa e alemã com o pregador (pastor) holandês Hendrik Gillot; já morando na Alemanha, para onde viajara com a mãe, adquiriu educação universitária em Zurique, estudou lógica, história das religiões, metafísica e confirmou sua vocação literária, retomando seus poemas escritos anteriormente e publicando-os em revistas de literatura ligadas a diversos círculos universitários; bibliografia: Im Kampf um Gott (Uma luta por Deus, 1885), Henrik Ibsens Frauen-gestalten (Personagens femininas de Ibsen, 1892), Friedrich Nietzsche in seinen Werken (Friedrich Nietzsche em sua obra, 1894), Ruth (1895), Aus fremder Seele (De uma alma perturbada, 1896), Fenitschka. Eine Ausschweifung (Fenitschka. A debochada, 1898), Menschenkinder (Filhos dos homens, 1899), Im Zwischenland (Na zona do crepúsculo, 1902), Die Erotik (Erotismo, 1910), Das Haus (A casa, 1919), Main Dank an Freud (Minha gratidão a Freud, 1931), Lebensrückvlick (póstumo, Memórias, organizado por Ernst Pfeiffer, 1951), e outros títulos; Lou Salomé, uma mulher com idéias avançadas para o seu tempo, conviveu em círculos intelectuais de absoluta predominância masculina sem ser submissa a estes; sua obra Im Kampf um Gott foi publicada com o pseudônimo de Henri Lou.