quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Joan Brossa: Poema

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[traduzido por Rodolfo Franco — Mérida/Espanha]

Estes versos foram escritos
para que passem desapercebidos como
um vidro: Estou olhando a rua
através do vidro de uma janela.
Olhem pra rua e não verão o vidro.

Fora e dentro de vocês
existe um universo.

Também quero que os versos
deste poema sejam idênticos
às badaladas dos relógios
de torre que existem em todo
o mundo.

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Joan Brossa

Poema

Aquests versos resten escrits
perquè passin desapercebitus com
un vidre. Estic mirant el carrer
a través del vidre d’una finestra.
Mireu el carrer i no veieu el vidre.

A fora i a dentre vostre
hi ha un univers.

També vull que els versos
d’aquest poema siguin idèntics
a les campanades dels rellotges
de torre que hi ha per tot
el món.
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Dimensão — Revista Internacional de Poesia — Editor: Guido Bilharinho, Ano XIX — N° 28/29 — 1999, Uberaba/Brasil; Joan Brossa i Cuervo (1919 1998), espanhol-catalão, nascido em Barcelona, região da Catalunha, foi poeta, poeta visual, dramaturgo, artista plástico e designer gráfico, considerado o máximo expoente da vanguarda artística catalã da segunda metade do século XX; foi o inspirador e um dos fundadores da revista Dau al Set (1948), criada para manifestações de arte contemporânea; o poeta, que transitou na poesia, prosa poética, poesia visual, cinema, teatro, música, design gráfico e em outras atividades, deixou-nos uma obra bastante extensa; em seus trabalhos literários optou por escrever sempre em catalão, sua língua natal, e é traduzido para vários outros idiomas; bibliografia: em poesia, Em va fer Joan Brossa (1952), Poemes civils (1961), El saltamarti (1968), Poesia rasa  poesia de 1943 a 1959 (1970), Càntir de càntics (1972), La barba del cranc (1974), Poemes de seny i cabell  19591963 (1977) e outros; no teatro: Farsa com si els espectadors observessin l’escenari a vista d’ocell (1951), Nocturns encontres (1951), Or i sal (1961), El bell lloc (1961), Teatre de Joan Brossa (1964), Collar de cranis (1967)...; roteiros cinematográficos: Foc al càntir (1947), Gart (1948), No compteu amb els dits (1967) Cua de cuc (1969) etc. e tantas outras produções para diversas áreas da arte.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Heinrich Heine: As garrafas pelo chão

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[traduzido por André Vallias]

As garrafas pelo chão; que agradável
O café; as raparigas  quanta empáfia! 
Coradinhas, afrouxando os corpetes,
Desconfio que ficaram de pileque.
Ombros claros, que peitinhos tão bonitos!
Estremeço, o coração me põe aflito.
De repente, correm todas para o quarto
De dormir, dando risada a três por quatro,
E se enfiam embaixo do edredom.
Em instantes  que fiasco!  escuto o som
Dos seus roncos pondo a pique o bom programa:
Solitário, este imbecil contempla a cama.

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Heinrich Heine

Die Flaschen sind leer

Die Flaschen sind leer, das Frühstück war gut,
Die Dämchen sind rosig erhitzet;
Sie lüften das Mieder mit Üebermuth,
Ich glaube sie sind bespitzet.
Die Schulter wie weiß, die Brüstchen wie nett!
Mein Herz erbebet vor Schrecken.
Nun werfen sie lachend sich aufs Bett,
Und hüllen sich ein mit den Decken.
Sie ziehen nun gar die Gardinen vor,
Und schnarchen am End’ um die Wette,
Da steh’ ich im Zimmer, ein einsamer Thor,
Betrachte verlegen das Bette.

[18321836]
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Heine, hein?: poeta dos contrários — Introdução, Traduções e Notas de André Vallias, 2011, 1ª edição e 1ª reimpressão, Editora Perspectiva, São Paulo — SP; Christian Johann Heinrich Heine (1797 1856), alemão de Dusseldorf, formado em Direito, foi poeta, ensaísta, jornalista e crítico literário; teve boa parte de sua obra lírico poética musicada por vários compositores de sua época (Franz SchubertRobert SchumannFelix MendelssohnBrahmsHugo WolfRichard Wagner), e, já no século XX, por José Maria Rocha FerreiraHans Werner Henze e Lord Berners; escreveu e publicou Gedichte (Poesias, 1821), Buch der Lieder (poesias, Livro das Canções, 1827), Neue Gedichte (Novos Versos, 1844), Romanzero (poesias, Romanceiro,  1851), Der Doktor Faust Ein Tanzpoem (Doutor Fausto um poema-dança, 1851), Die Götter im Exil (Os deuses no exílio, 1853), Letzte Gedichte (publicação póstuma, Últimos Versos, 1869), entre outros títulos.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Paulo Leminski: O que passou, passou?

LIVRO PAULO LEMINSKI
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     Antigamente, se morria.
1907, digamos, aquilo sim
     é que era morrer.
Morria gente todo dia,
     e morria com muito prazer,
já que todo mundo sabia
     que o Juízo, afinal, viria
e todo o mundo ia renascer.
     Morria-se praticamente de tudo.
de doença, de parto, de tosse.
     E ainda se morria de amor,
como se amar morte fosse.
     Pra morrer, bastava um susto,
um lenço no vento, um suspiro e pronto
     lá se ia nosso defunto
para a terra dos pés juntos.
     Dia de anos, casamento, batizado,
morrer era um tipo de festa,
     uma das coisas da vida,
como ser ou não ser convidado.
     O escândalo era de praxe.
Mas os danos eram pequenos.
     Descansou. Partiu. Deus o tenha.
Sempre alguém tinha uma frase
     que deixava aquilo mais ou menos.
Tinha coisas que matavam na certa.
     Pepino com leite, vento encanado,
praga de velha e amor mal curado.
     Tinha coisas que tem que morrer,
tinha coisas que tem que matar.
     A honra, a terra e o sangue
mandou muita gente praquele lugar.
     Que mais podia um velho fazer,
nos idos de 1916,
     a não ser pegar pneumonia,
deixar tudo para os filhos
     e virar fotografia?
Ninguém vivia pra sempre.
     Afinal, a vida é um upa.
Não deu pra ir mais além.
     Mas ninguém tem culpa.
Quem mandou não ser devoto
     de Santo Inácio de Acapulco,
Menino Jesus de Praga?
     O diabo anda solto.
Aqui se faz, aqui se paga.
     Almoçou e fez a barba,
tomou banho e foi no vento.
     Não tem o que reclamar.
Agora, vamos ao testamento.
     Hoje, a morte está difícil.
Tem recursos, tem asilos, tem remédios.
     Agora, a morte tem limites.
E, em caso de necessidade,
     a ciência da eternidade
inventou a criônica.
     Hoje, sim, pessoal, a vida é crônica.

La vie en close  1991

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Paulo Leminski — Coleção Melhores Poemas, Seleção e Apresentação de Fred Góes e Álvaro Marins, 2013, 6ª reimpressão, Global Editora, São Paulo — SP; Paulo Leminski Filho (1944  1989), paranaense de Curitiba, foi escritor, poeta, crítico literário, tradutor, professor, músico e letrista; como seminarista da Ordem dos Beneditinos, no Mosteiro de São Bento em São Paulo, iniciou seus estudos de latim e grego; como judoca faixa-preta, estudou o idioma japonês e tomou contato com a cultura e a poesia do Oriente; participante do I Congresso Brasileiro de Poesia de Vanguarda, em Belo Horizonte, conheceu o poeta Haroldo de Campos, de quem se tornou amigo e parceiro em várias obras; cursou Direito e desistiu, cursou Letras e desistiu várias vezes; foi professor de História e de Redação em cursos pré-vestibulares, professor de judô, atuou em publicidade; após estréia com seus textos, na revista Invenção, do poeta Décio Pignatari, colaborou em outros periódicos e revistas de vanguarda; teve textos musicados e fez parcerias com Caetano Veloso e outros músicos-compositores-letristas; traduziu obras de Petrônio, Alfred Jarry, James Joyce, John Fante, John Lennon, Samuel Beckett, Yukio Mishima, conhecedor que era dos idiomas inglês, francês, latim, grego, japonês e espanhol; sua bibliografia: Matsuo Bashô (ensaio biográfico, 1983), Caprichos e Relaxos (poesia, 1983), Cruz e Sousa (ensaio biográfico, 1983),  Descartes com lentes (conto, 1983), Jesus a.C. (ensaio biográfico, 1983), Agora é que são elas (romance, 1984), Anseios crípticos  (1986), Leon Trotski: a paixão segundo a revolução (ensaio biográfico, 1986), Distraídos venceremos (poesias, 1987), Guerra dentro da gente  (1988), Catatau (prosa poética experimental, 1989), 40 Clics  (poesia, com fotografias de Jack Pires, 1990), La vie en close  (poesia, 1991), Uma carta uma brasa através: cartas a Régis Bonvincino 1976 a 1981 (1992), Metamorfoses: uma viagem pelo imaginário grego (1994), Winterverno (1994), O ex-estranho (1996) e outros; recebeu premiações por sua obra.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Elson Fróes: Metábula

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Metábula oh ou
metal em trom
riga em croma
corpo de cronos
lumina em flama
lâminas de fogo

E cospe o assombro
ser semelhe ao ar
ser sem sombras
de dúvidas tecido
no invicto esquecer
insípido sentir

Excessivo ressente-se
esse ser recessos
esplende e esfuma
e espuma e fende-se
descende e pari-se

A metábula respira
torce energias tece
enigmas torna o ar
um oh de olhos e sol
enganos toma por
sonante e sonâmbulo

E engata a sonhar
metáforas na fábula

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Dimensão  Revista Internacional de Poesia  Editor: Guido Bilharinho, Ano XIX  Nº 28/29  1999, Uberaba/Brasil; Elson Fróes, nascido em 1963, paulista e paulistano, formado em Letras pela PUC  SP, é poeta, escritor, poeta-visual e tradutor; seus textos estão publicados em diversos jornais e revistas literárias, como 34 Letras, Bric-a-Brac, Poiésis, Medusa, A Cigarra, Dimensão e outros periódicos; elabora sua poesia-visual utilizando-se de inúmeros recursos gráficos, do artesanal ao eletrônico: bibliografia: Poemas Galegos e Poemas Traduzidos (e-books, 2000), Poemas Diversos (2008), Brinquedos Quebrados; como tradutor, verteu para o português textos de Blake, Cummings, Shakespeare, Sylvia Plath, Ungaretti, Girondo, MacLeish e outros; com o trabalho direcionado à pesquisa em semiótica visual, participou e participa de exposições de poesia visual no Brasil e no exterior; é editor e webmaster do site Popbox.

Laura Chaves: Volúpia

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É certo! Não mentiu quem te afirmou
que eu tenho dito muito mal de ti.
É certo, sim, mordi, mordi, mordi,
Enquanto a minha boca não cansou.

Tudo quanto há de mau em mim gozou...
Sabes lá a volúpia que eu senti
quando, com mil requintes, descrevi
como a tua alma aos poucos se aviltou!

E no delírio de te fazer mal
analisei o vício, o lodaçal
em que hoje vives numa orgia louca...

Mas o que ninguém pôde pressentir
é que eu estava falando para ouvir
o teu nome a vibrar na minha boca!
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Livro dos Poemas — uma antologia de poetas brasileiros e portugueses, Organização e Notas de Sergio Faraco, 2009, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; Laura Chaves (1888 — 1966), portuguesa nascida em Lisboa (?), compositora, escultora, dramaturga e poetisa, colaborou nos periódicos lusitanos O Senhor Doutor, O Almanaque das Senhoras, O Jornal da Mulher e também nos suplementos infantis d’O Século e do Diário de Notícias; bibliografia: Esboços (1919), Cantares, Amores, Saudades e Dores  Trovas simples (1921), Vozes Perdidas, Maria Migalha (peça teatral), etc.

domingo, 26 de novembro de 2017

Gofredo da Silva Telles: Medo

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XV

Dizem que o amor assim não tem alcance,
Que nasce rindo e que termina cedo.
Mas tenho medo de que o amor se canse
De guardar os limites de um brinquedo.

Sim, nosso caso é simples, sem um lance
Que dê razão à sombra desse medo.
Que importa! Às vezes, o maior romance
Cabe na história de menor enredo.

Como serão as horas ignoradas?
Teu beijo canta. O mundo é um paraíso,
E a vida ri-se ao longo das estradas.

Olho a vida; sobre ela me debruço...
Mas rindo, tenho medo de que o riso
Possa acabar bem perto do soluço.

(A Fada Nua  págs. 73-74, sem data)

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Antologia da Poesia Paulista II — Prefácio, Organização, Seleção e Notas Bibliográficas por Domingos Carvalho da Silva, Oliveira Ribeiro Neto e Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1960, Imprensa Oficial do Estado, São Paulo — SP; Gofredo Teixeira da Silva Telles (1888 —  1980),  fluminense do Rio de Janeiro, formado pela Faculdade de Direito de São Paulo (atual USP  Largo São Francisco), foi político, industrial, agricultor e poeta; bibliografia: Mar da Noite (peça em versos, 1909), A Fada Nua (poemas, sem data); foi vereador e prefeito de São Paulo e pertenceu à Academia Paulista de Letras.

sábado, 25 de novembro de 2017

Arthur Rimbaud: Oração da Tarde *

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[traduzido por Ivo Barroso]

Vivo sentado como um anjo no barbeiro, 
Empunhando um caneco ornado a caneluras; **
Hipogástrio e pescoço arcados, um grosseiro 
Cachimbo o espaço a inflar de tênues urdiduras. ***

Qual de um velho pombal o cálido esterqueiro, 
Mil sonhos dentro em mim são brandas queimaduras. 
E o triste coração às vezes é um sobreiro 
Sangrando de ouro escuro e jovem nas nervuras.

Afogo com cuidado os sonhos, e depois 
De ter bebido uns trinta ou bem quarenta chopes,
Oculto, satisfaço o meu aperto amargo:

Doce como o Senhor do cedro e dos hissopes, ****
Eu mijo para os céus cinzentos, alto e largo, 
Com a plena aprovação dos curvos girassóis.*****

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Arthur Rimbaud

Oraison du soir

Je vis assis, tel qu'un ange aux mains d'un barbier, 
Empoignant une chope à fortes cannelures, 
L'hypogastre et le col cambrés, une Gambier 
Aux dents, sous l'air gonflé d'impalpables voilures.

Tels que les excréments chauds d'un vieux colombier, 
Mille Rêves en moi font de douces brûlures: 
Puis par instants mon coeur triste est comme un aubier 
Qu'ensanglante l'or jeune et sombre des coulures.

Puis, quand j'ai ravalé mes rêves avec soin, 
Je me tourne, ayant bu trente ou quarante chopes, 
Et me recueille, pour lâcher l'âcre besoin:

Doux comme le Seigneur du cèdre et des hysopes, 
Je pisse vers les cieux bruns, très haut et très loin, 
Avec l'assentiment des grands héliotropes.



Notas de Ivo Barroso:
* Cópia de Verlaine;
** Caneluras. Hipogástrio  A predileção de Rimbaud pelos termos técnicos e científicos!
*** Gambier  Cachimbo de qualidade inferior, como, em circunlóquio, apresentamos ao leitor brasileiro; aubier  É o alburno, a parte branca da madeira, entre a casca e o cerne. Rimbaud parece construir uma imagem comparando os sonhos que, ardendo em seu interior, lhe brotam do coração como a resina que escorre dos troncos, de cor amarelo-escuro, como sangue. Utilizamos sobreiro, cuja cortiça é lanhada para a extração de resina, tornando assim mais imediata a imagem ao leitor;
**** O Senhor do cedro e dos hissopes (aspersórios de água benta) é o Deus bíblico. As expressões litúrgicas faziam parte do vocabulário de Rimbaud;
***** Há um soneto de Vinícius de Moraes (onde figura o verso: Mijamos em comum numa festa de espuma) claramente inspirado neste de Rimbaud. Traduzido também por João Moura Júnior e Jorge de Senna. 
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Poesia Completa – Arthur Rimbaud, Edição Bilíngüe Comemorativa do sesquicentenário, Tradução, Prefácio, Organização e Comentários de Ivo Barroso, 1995, 3ª edição definitiva, Topbooks Editora, Rio de Janeiro — RJ; Jean-Nicolas Arthur Rimbaud (1854 — 1891),  nascido em Charleville — França, foi poeta do simbolismo francês, recebeu influências de Victor Hugo, George Izambard, Paul Verlaine, Charles Baudelaire e Walt Whitman entre outros e é considerado um dos nomes mais influentes da história da poesia ocidental; o poeta, que aos 20 anos de idade abandona a literatura e retoma a vida sem rumo que levava desde a adolescência, escreveu praticamente as suas obras primas entre os 15 e 18 anos; publicou em vida apenas Uma Temporada no Inferno (Une saison en enfer, 1873),  porém, escreveu também Poésies (1871) Iluminações  (Illuminations, 1873); Rimbaud, além de, talvez, ter sido um dos primeiros poetas a viver sua própria poesia, influenciou autores da geração perdida, beatniks e existencialistas, tais como Ernest Hemingway, F. Scott Fitzgerald, Ezra Pound, Jack Kerouac, Allen Ginsberg, William Burroughs etc.