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A natureza, dizem os deisistas,
Prova um Deus construtor sobejamente,
Oculta embora das vistas
No éter do imponderável transcendente.
Tudo quer uma causa, ateu demente,
E na matéria tu por mais que insistas,
Por mais que faças racionais conquistas,
Sempre terás um X em tua frente.
Eu pergunto: se Deus deve existir,
Por que tudo provém de um criador,
Donde é que Deus então nos há de vir?
E se a causa do efeito Deus provar,
Deus será quem o fez-se dum autor
Este segundo não precisar?
A Lanterna: anticlerical e de combate,
10 de maio 1913, p.1, São Paulo.

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Max de Vasconcellos — O Poeta da Agonia, Emílio
Maciel Eigenheer, com a colaboração de Maria José da Silva Fernandes, Monique
da Costa Ribeiro, Thiago Roza Ialdo Montilha e outros, 2012, In-Fólio, Rio de
Janeiro — RJ; Max de
Vasconcellos Azevedo (1891 — 1919),
fluminense de Campos dos Goytacazes, estudou no Colégio Abílio, de Niterói,
formou-se na Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro, foi poeta,
jornalista, militante anarquista e boêmio frequentador da Roda Literária do
Café Paris, de Niterói, além de também fazer presença em outros cafés da Lapa
carioca; o poeta trabalhou como jornalista em diversos periódicos niteroienses
e da então capital do país, Rio de Janeiro; Max de Vasconcellos não publicou
livros em vida, porém seus poemas, crônicas e resenhas ficaram registrados em
inúmeros jornais e revistas da época, muitos deles de orientação anarquista:
Athena Fluminense (hebdomedário literário e noticioso) e Gazeta da Manhã, ambos
de Niterói, O Debate, A Razão, A Luta (Revista da Faculdade Livre de Direito do
Rio de Janeiro), Guerra Social, Gazeta de Notícias, A Voz do Trabalhador (Órgão
da Confederação Operária Brasileira), La Rinascenza Latina — Settimanale politico
dell’italo-americanismo in Brasile e ABC, todos do Rio de Janeiro, Fanal — revista do Novo Cenáculo, de
Curitiba, A Plebe e A Lanterna (jornal anticlerical e de combate), ambos de São
Paulo, O Dia, de Campos dos Goytacazes etc; poliglota, o poeta também escreveu
e deixou registrado versos em italiano, francês e romeno; a Roda Literária do
Café Paris frequentada pelo poeta e boêmio, algum tempo depois passou a se
chamar Cenáculo Ambulante (consta ter sido o poeta o primeiro a designá-la
Cenáculo) e mais tarde (1923) deu origem ao Cenáculo Fluminense de História e
Letras — CFHL, ativo até
os dias de hoje; o poeta simbolista, boêmio e jovem, morreu de tuberculose em 10
de abril de 1919.