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segunda-feira, 13 de julho de 2015

Henrique Castriciano: Lição errada

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... E o sábio disse: "Meus senhores, esta
Mulher que vemos sobre a laje fria,
Foi como a noite vinda após um dia
De cerração, num ermo de floresta.

Seus olhos verdes como a verde giesta,
Tinham brilhos de fúnebre ardentia,
Fosforescentes como a pedraria
De um colar de Princesa em régia festa.

Não teve coração!" E, nisto, o sábio
Rasgou-lhe o seio e... recuou... Seu lábio
Contraiu-se num gesto estranho e lento...

No peito havia um coração partido
Morto de amor, de lágrimas ungido,
E lacerado pelo sofrimento!
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Os Mais Belos Sonetos Brasileiros — Seleção e Notas de Edgard Rezende, da Academia Fluminense de Letras — Prefácio de Oliveira e Silva, 2ª  edição, 1947, Casa Editora Vecchi Ltda., Rio de Janeiro — RJ; Henrique Castriciano de Sousa (1874 1947), potiguar de Macaíba, bacharel em Direito, foi poeta, teatrólogo, jornalista e político exercente de cargos públicos; na vida literária, fez uso de diversos pseudônimos (Alex César, Erasmus van der Does, Frederico de Menezes, J. Cláudio, José Braz, José Capitulino, Mário do Vale, Rosa Romariz, Y. H. C., Zumba de Timbó); escreveu e publicou Iriações (1892), Ruínas (1899), Mãe (com prefácio de Olavo Bilac, 1899), Vibrações (1893), Enjeitado (1900), A Promessa (peça infantil, 1907), Os Mortos (romance, 1920), O Tísico (romance, 1931); foi fundador da Escola Doméstica de Natal, a primeira escola especializada na Educação da Mulher, no Brasil.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Henrique Castriciano: Monólogo de um bisturi

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A Papi Júnior


Primeiro, o coração. Rasguemo-lo. Suponho
Que esta mulher amou: tudo está indicando
Que morreu por alguém este ser miserando,
Misto de Treva e Sol, de Maldade e de Sonho.

Isto não me comove: adiante! Risonho
Fere, nevado gume! E, ferindo e cortando,
Aço, mostra que tudo é lama e nada, quando
Sobre os homens desaba o Destino medonho...

Fere esse braço grego! E as pomas cor de neve!
E as linhas senhoris que a pena não descreve!
E as delicadas mãos que o pó vai dissolver!

Mas poupa o ventre nu, onde um feto gerou-se:
Por que hás de macular o sono casto e doce
Desse verme feliz que morreu sem nascer? *

(Vibrações — 1902,
 págs. 78 — 79)


* Nota do Organizador: Falando sobre o “espírito ávido de perfeição” que caracterizava H. Castriciano, registra Luís da Câmara Cascudo que posteriormente o poeta alterou esse terceto. Incomodado, possivelmente, com a imperfeição da rima de “gerou-se” com “doce”, suprimiu-a, passando os versos a ficarem assim:

Mas poupa o ventre, nu onde repousa um feto:
Porque hás de macular o sono fundo e quieto
desse verme feliz que morreu sem nascer?
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Panorama da Poesia Brasileira, Volume IV — Simbolismo, por Fernando Góes, 1959, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Henrique Castriciano de Sousa (1874  1947), potiguar de Macaíba, bacharel em Direito, foi poeta, teatrólogo, jornalista e político exercente de cargos públicos; na vida literária, fez uso de diversos pseudônimos (Alex César, Erasmus van der Does, Frederico de Menezes, J. Cláudio, José Braz, José Capitulino, Mário do Vale, Rosa Romariz, Y. H. C., Zumba de Timbó); escreveu e publicou Iriações (1892), Ruínas (1899), Mãe (com prefácio de Olavo Bilac, 1899), Vibrações (1893), Enjeitado (1900), A Promessa (peça infantil, 1907), Os Mortos (romance, 1920), O Tísico (romance, 1931); foi fundador da Escola Doméstica de Natal, a primeira escola especializada na Educação da Mulher, no Brasil.