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[traduzido por Luiz Arthur Pagani]
V
Vivamos, minha Lésbia, e nos amemos,
sem dar o mínimo valor a todos
os boatos dos velhos mais severos.
Os sóis podem pôr-se
e depois voltar,
mas para nós, uma vez que se ponha
nossa breve luz,
a noite deverá ser um perpétuo
e único sono.
Dê-me mil beijos, e em seguida cem,
e depois mil outros,
depois mais cem, e em seguida outros mil
sem interrupção, e em seguida cem.
Depois, quando tivermos completado
muitos mil, teremos
já perdido a conta
para não termos limite e nenhum
mal-intencionado
possa nos invejar por saber quantos
beijos foram dados.
V
Vivamus, mea lesbia, atque amemus,
rumoresque senum severiorum
omnes unius aestimemus assis.
Soles occidere et redire possunt:
nobis, cum semel occidit brevis lux
nox est perpetua una dormienda.
Da mi basia mille, deinde centum,
dein mille altera, dein secunda centum,
deinde usque altera mille, deinde centum.
Dein, cum milia multa fecerimus,
conturbabimus illa, ne sciamus,
aut nequis malus invidere possit,
cum tantum sciat esse basiorum.
(Pestalozza, Umberto. C. Valeri Catulli, Carmina / Scelta.
Milano, Francesco Vallardi, 1922.)
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Transverso — coletânea de poemas traduzidos (onze poetas e
dez tradutores), Organização, Nota liminar e Posfácio de José Paulo Paes e notas
dos diversos tradutores, Editora Unicamp, Campinas — SP; Caio Valério Catulo (87
a.C. — 54 a.C., datas presumíveis), nascido em Verona (?) na Roma antiga, Império
Romano, foi poeta lírico latino; estudos atuais sobre Catulo são convergentes em
anotar que, embora Cícero (106 a.C. — 43 a.C.) tenha proferido, de forma pejorativa,
ser o poeta um novo (poetae
novi,
moderno), foi, porém, Catulo quem cometera a “licenciosidade” de, à época, introduzir/expressar,
no universo literário latino, “correntes líricas importadas da Grécia, estranhas
aos antigos padrões épicos (mitológicos).”; conforme o professor João Angelo Oliva
Neto, “Catulo pertenceu a um grupo de poetas e intelectuais que, nos meados do século
1 a.C., rompeu com o passado literário romano”, daí advirem as críticas recebidas
de Cícero, chamando-os, com ironia, de poetae
novi (poetas novos).; o poeta Catulo exerceu influência em Ovídio
(43 a.C. — 17 ou 18 d.C.), Horácio (65 a.C. — 8 a.C.) e Marcial (38 d.C. — 104 d.C.);
do grupo de poetae
novi,
da primeira metade do primeiro século a.C., só chegaram até nós, deste século d.C. atual,
Carmina, do próprio Catulo.





