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terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Baudelaire: Horror simpático

 
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[traduzido por Ivan Junqueira]

Deste céu bizarro e nevoento,
Convulso como o teu destino,
À tua alma que pensamento
Desce? Responde, libertino.

Insaciavelmente sedento
Do que não vejo e não defino,
Reprovo a Ovídio o seu lamento
Quando se foi do Éden latino.

Céus destroçados e tristonhos,
De vós o meu orgulho é fruto;
Vossas grossas nuvens de luto

São os esquifes de meus sonhos,
E vosso espectro a imagem traz
Do Inferno que à minha alma apraz.

Baudelaire

Horreur sympathique*

De ce ciel bizarre et livide,
Tourmenté comme ton destin,
Quels pensers dans ton âme vide
Descendent? réponds, libertin.

Insatiablement avide
De l'obscur et de l'incertain,
Je ne geindrai pas comme Ovide
Chassé du paradis latin.

Cieux déchirés comme des grèves
En vous se mire mon orgueil;
Vos vastes nuages en deliu

Sont les corbillards de mes rêves,
Et vos lueurs sont le reflet
De l'Enfer où mon coeur se plaît.

* Nota do blogue Verso e Conversa: o atrevido aprendiz de blogueiro desta página faz constar que Jean-Baptiste Baronian, autor deste Baudelaire [obra biobibliográfica], registra que o soneto Horreur sympatique fez parte da 2ª edição de As Flores do mal, reunindo 129 poemas e vinda a público em 1861.
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Baudelaire Jean-Baptiste Baronian, traduzido por Julia da Rosa Simões, 2010, Coleção L&PM Pocket volume 806, Série Biografias/14, L&PM, Porto Alegre — RS; Charles-Pierre Baudelaire (1821 1867), francês e parisiense, estudou no Liceu Louis-le-Grand, levou vida boêmia no Quartier Latin (região no entorno da Universidade de Sorbonne), foi poeta, crítico de arte, ensaísta, tradutor e literato; considerado um dos precursores do Simbolismo e reconhecido internacionalmente como um dos fundadores da tradição moderna em poesia, sua obra teórica também influenciou profundamente as artes plásticas do século XIX; traduziu Edgar Allan Poe; obras: As Flores do Mal (poemas, 1857), Os Paraísos Artificiais (ensaios, 1860), O Spleen de Paris: pequenos poemas em prosa (edição póstuma, 1869) e outros.