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[traduzido por João Accioli]
Quando cai a tarde,
vem de ti um meigo rosto azul.
Um passarinho canta no
tamarindeiro.
Tranquilo monge
cruza as mãos mortas,
um branco anjo aparece a
Maria.
Uma noturna coroa
de violetas, trigo e
purpurinas uvas
é o ano do Contemplativo.
Ante teus pés
abrem-se as covas dos mortos
quando depões a fronte entre
as mãos de prata.
Silente mora
em tua boca a lua outonal,
bêbeda da música misteriosa da
papoula.
— Flor azul,
vago som de pedras antigas.
Verklärung
Wenn es Abend wird,
Verlässt dich leise ein blaues Antlitz.
Ein kleiner Vogel singt im Tamarindenbaum.
Ein sanfter Mönch
Faltet die erstorbenen Hände.
Ein weisser Engel sucht Marien heim.
Ein nächtiger Kranz
Von Veilchen, Korn und purpurnen Trauben
Ist das Jahr des Schauenden.
Zu deinen Füssen
Öffnen sich die Gräber der Toten,
Wenn du die Stirne in die silbernen Hände legst.
Stille wohnt
An deinem Mund der herbstliche Mond,
Trunken von Mohnsaft dunkler Gesang;
Blaue Blume,
Die leise tönt in vergilbtem Gestein.
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O Livro de Ouro da Poesia Alemã
— Antologia de Poetas da Língua Alemã [diversos autores e tradutores], Apresentação
e Seleção de Geir Campos, edição bilíngue, coleção Clássicos de Bolso nº 82128,
1985[?], Ediouro, Rio de Janeiro — RJ; Georg Trakl (1887 — 1914), austríaco de Salzburgo (antigo Império Austríaco),
mestre em Farmácia, foi poeta expressionista; na Primeira Guerra, voluntariou-se
e exerceu o ofício de farmacêutico em Hospital Militar; Georg Trakl publicou em
vida apenas um livro, Poemas (Gedichte, 1913), além de textos esparsos em edições
da revista expressionista austríaca Der Brenner (onde publicou seus primeiros poemas)
e em outros jornais; logo após sua morte, publicou-se Sebastião no Sonho (Sebastian
im Traum, 1915); de sua curta biografia, consta que o poeta nutria uma paixão desmedida
por sua irmã mais nova, Gretl, personagem presente em grande parte de sua poesia,
sentimento esse também compartilhado por ela, a quem se atribui uma forte personalidade
e a decidida condução da relação incestuosa; Georg e Gretl, ambos dependentes de
narcóticos, cometeram suicídio: ele em novembro de 1914, e ela, já mentalmente transtornada,
em 1917.


