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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Joaquim Peixoto: Pedra

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Pedra! quem pode ouvir tua voz, tuas queixas,
No longo padecer, de milênio em milênio?
Desde o sub-solo à crosta, ascendendo ao proscênio
Da vida, aspiras o ar pelo solo que fechas...

Quem pode ouvir-te, ó Pedra, o grito, quando o gênio
Da arte te ergue em coluna e capitéis?... E deixas,
No entanto, a mão do artista explorar-te. E ainda enfeixas
Dores no coração quase humano e homogêneo...

Fere-te face a face o buril que dimana
De Fídias, de Bernini, e empolga o que a arte alcança
Para gozo do gênio e da vaidade humana.

Todos te pisam... sim! mas sobre todos pousas
E, num gesto, reagindo, exerces a vingança,
Cobrindo-lhes o corpo, alfim, com as tuas lousas.
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Antologia de Poetas Fluminenses — Rubens Falcão, Carta-Prefácio de Agripino Grieco, 1968, Gráfica Record Editora, Rio de Janeiro — RJ; Joaquim Eugênio Peixoto (1872 1929), fluminense de São Gonçalo, foi tabelião, vereador e um dos fundadores da Academia Fluminense de Letras; foi poeta, editou e dirigiu, em Niterói, Vida Fluminense, a gazeta Manhã Matutina e, juntamente com outros, O Diário; escreveu e publicou Topázios (versos esboçados entre um a dois decênios, 1923); produziu ainda Arco-Íris e Iteroínos.