Mostrando postagens com marcador Manuel Azevedo da Silveira Neto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Manuel Azevedo da Silveira Neto. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Silveira Neto: Pórtico

____________________
Versos mendigos de mantos reais ,
Ide, que vos esperam sete espadas.
Fugi aos olhos d’oiros senhoriais:
Antes a prece aldeã pelas estradas...

Ide arrastar o meu burel de monge;
(Quanta saudade esse burel traduz...)
Se encontrardes o Mundo, tende-o longe,
Porque os seus braços são braços de cruz.

Direis a uns Olhos Olhos onde a sorte
Pôs meu Ser a rezar, como em altares
Que me vou de caminho para a Morte.

E a Morte... essa verá, na triste hosana
Do poente roxo que orla os meus olhares,
Como anoitece uma existência humana.

(Luar de Hinverno — 1900)

____________________
História da Literatura Brasileira — Simbolismo: Massaud Moisés, 1988, 2ª edição, Editora Cultrix, São Paulo — SP; Manuel Azevedo da Silveira Neto (1872 1942), paranaense de Morretes, foi poeta, desenhista, crítico de arte, conferencista e orador; iniciou o curso de humanidades (estudos interrompidos), entrou para a Litografia de Narciso Filgueiras, onde estudou gravura e desenhos em pedra, e ingressou na Escola de Belas Artes de Curitiba; prestou concurso e passou a trabalhar na Fazenda Federal; integrou a revista O Cenáculo, periódico de um grupo de mesmo nome, em que participava junto de outros autores simbolistas Dario Veloso e Júlio Perneta, entre eles; mudando para o Rio de Janeiro, passou a freqüentar rodas poéticas na companhia de Nestor Vítor e Cruz e Sousa; sua obra: Pela consciência (opúsculo, 1898), Antonio Nobre (elegia, 1900), Luar de Hinverno (poesias, 1900), Brasílio Itiberê (elegia com música, 1913), Do Guaíra aos Saltos do Iguaçu (1914), Ronda Crepuscular (poesias, 1923), Cruz e Sousa (ensaio, 1924), O Bandeirante (1927) etc; Silveira Neto também foi criador da revista A Luta, além de ter colaborado com as revistas Azul, O Sapo, Breviário, todas de Curitiba, Terra do Sol, Festa, no Rio de Janeiro, e  em outros periódicos pelo país afora e no estrangeiro.

domingo, 21 de fevereiro de 2021

Silveira Neto: Escombros

 
____________________
Recordam templos de um ardor violento,
Escombros! Que saudade os acompanha!
São os profetas do Aniquilamento,
Petrificados numa dor tamanha...

Jazem deuses e ritos  caos poeirento 
Nessa de pedras agonia estranha;
Vasto epitáfio em lúgubre memento,
Das grandezas que a Morte à Vida apanha.

De olhá-los gosto em noite atormentada,
Quando a terra se turba a ouvir, crispada,
Gemer nas ruínas o coral dos ventos.

Lembram-me a dor e todo esse deserto
Que transfiguram da alma o lírio aberto
Numa panóplia de punhais sangrentos...

(Luar de Hinverno — 1900)

____________________
História da Literatura Brasileira — Simbolismo: Massaud Moisés, 1988, 2ª edição, Editora Cultrix, São Paulo — SP; Manuel Azevedo da Silveira Neto (1872 1942), paranaense de Morretes, foi poeta, desenhista, crítico de arte, conferencista e orador; iniciou o curso de humanidades (estudos interrompidos), entrou para a Litografia de Narciso Filgueiras, onde estudou gravura e desenhos em pedra, e ingressou na Escola de Belas Artes de Curitiba; prestou concurso e passou a trabalhar na Fazenda Federal; integrou a revista O Cenáculo, periódico de um grupo de mesmo nome, em que participava junto de outros autores simbolistas Dario Veloso e Júlio Perneta, entre eles; mudando para o Rio de Janeiro, passou a freqüentar rodas poéticas na companhia de Nestor Vítor e Cruz e Sousa; sua obra: Pela consciência (opúsculo, 1898), Antonio Nobre (elegia, 1900), Luar de Hinverno (poesias, 1900), Brasílio Itiberê (elegia com música, 1913), Do Guaíra aos Saltos do Iguaçu (1914), Ronda Crepuscular (poesias, 1923), Cruz e Sousa (ensaio, 1924), O Bandeirante (1927) etc; Silveira Neto também foi criador da revista A Luta, além de ter colaborado com as revistas Azul, O Sapo, Breviário, todas de Curitiba, Terra do Sol, Festa, no Rio de Janeiro, e  em outros periódicos pelo país afora e no estrangeiro.

sábado, 25 de junho de 2016

Silveira Neto: Bruma

____________________
A Aureliano Silveira.

Meia-tinta do tédio, longe, a bruma
Abre-se num crepúsculo friorento,
Velando a luz, as formas, tudo em suma,
Que era brilho, prazer, deslumbramento.

E que torpor do espaço então ressuma...
Nem um gorjeio aflora a voz do vento.
E a névoa que sinistra se avoluma,
De um véu de cinza alastra o firmamento.

Assim o tédio: o orgulho nos abala
De sermos vida e pensamento, e a messe
De alegria que tínhamos se cala.

E a alma contrai-se lívida e abatida,
E, bruma d'alma, o tédio nos parece
Uma sombra do túmulo na vida.

Rio, julho de 1916.
(Ronda Crepuscular, págs.145  146)

____________________
Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Volume 1, por Andrade Muricy, (Coleção de Literatura Brasileira 12), 1973, Ministério de Educação e Cultura — Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Manuel Azevedo da Silveira Neto (1872  1942), paranaense de Morretes, foi poeta, desenhista, crítico de arte, conferencista e orador; iniciou o curso de humanidades (estudos interrompidos), entrou para a Litografia de Narciso Filgueiras, onde estudou gravura e desenhos em pedra, e ingressou na Escola de Belas Artes de Curitiba; prestou concurso e passou a trabalhar na Fazenda Federal; integrou a revista O Cenáculo, periódico de um grupo de mesmo nome, em que participava junto de outros autores simbolistasDario Veloso e Júlio Perneta, entre eles; mudando para o Rio de Janeiro, passou a freqüentar rodas poéticas na companhia de Nestor Vítor e Cruz e Sousa; sua obra: Pela consciência (opúsculo, 1898), Antonio Nobre (elegia, 1900), Luar de Hinverno (poesias, 1900), Brasílio Itiberê (elegia com música, 1913), Do Guaíra aos Saltos do Iguaçu (1914), Ronda Crepuscular (poesias, 1923), Cruz e Sousa (ensaio, 1924), O Bandeirante (1927) etc; Silveira Neto também foi criador da revista A Luta, além de ter colaborado com as revistas Azul, O Sapo, Breviário, todas de Curitiba, Terra do Sol, Festa, no Rio de Janeiro, e em outros periódicos pelo país afora e no estrangeiro.