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quarta-feira, 18 de março de 2026

João Guimarães Rosa*: Poemas [Riqueza & Poder estóico & Encorajamento]

 
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Riqueza

Veio ao meu quarto um besouro
de asas verdes e ouro,
e fez do meu quarto uma joalharia...

Poder estóico

Acuado entre brasas,
um escorpião volve o dardo
e faz o hara-kiri...

Encorajamento

Meu desejo corre a ti com velas enfunadas...
Podes dar-lhe um porto, sem nenhum receio:
ele não traz âncora...


* Nota do blogue Verso e Conversa: sobre o livro Magma e seu autor, o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página, expõe que em Antologia dos Poetas Brasileiros — Bissextos Contemporâneos, o organizador Manuel Bandeira escreveu sobre Guimarães Rosa, à guisa de minitraços biobibliográficos:
Pouca gente sabe que Guimarães Rosa estreou nas letras com um livro de versos — Magma (1936), aliás premiado pela Academia Brasileira de Letras. Mas o grande Rosa só se iria revelar na prosa, onde se tornou um inovador e personalíssimo: Grande Sertão: Veredas é um dos mais altos cumes de nossa literatura de ficção. O poeta porém não morreu em Rosa. Digo o poeta formal, o poeta autor de poemas, porque em tudo o que escreve há sempre poesia e da melhor. O poeta formal continuou, mas enquadrado na categoria dos bissextos. Com efeito, em 61, apareceram n'O Globo, na crônica semanal assinada por ele, alguns poemas de um certo Soares Guiamar, e o apresentador advertiu: "Ser poeta, aliás, é já estar adiante, em muita experimentada sorte de velhice." Mas quem atentar no nome de Soares Guiamar, descobrirá que ele é anagrama de Guimarães Rosa’; em alguns poemas (inéditos ou publicados em colunas nos jornais, em 1961), Guimarães Rosa, ou J. Guimarães Rosa, faz uso de nomes anagramáticos (Soares Guiamar, Sá Araújo Ségrim, Meuriss Aragão, Romaguari Sães) para dar autoria à sua criação. Tais menções constam em textos de Ave, palavra — Guimarães Rosa, Nota Introdutória de Paulo Rónai, 1970, Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro — RJ.
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Magma — João Guimarães Rosa, Parecer — a título de prefácio — de Guilherme de Almeida e desenhos de Poty, 1997, 2ª impressão em 2006, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; João Guimarães Rosa (1908 1967), mineiro de Cordisburgo, estudou no Colégio Santo Antônio [São João del-Rei] e no Colégio Arnaldo [Belo Horizonte], formou-se médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais (atual UFMG), foi diplomata, contista, novelista, romancista e também poeta; em 1929, fez sua estreia na literatura com o conto O mistério de Highmore Hall, à época publicado em O Cruzeiro; em 1936, seu único livro de poesias, Magma, foi inscrito e participou de um concurso poético promovido pela Academia Brasileira de Letras, e, embora tenha sido premiado com louvor em primeiríssimo lugar, permaneceu inédito até a década de 90, sessenta anos após; Guimarães Rosa, o poeta de Magma, é ampla e exemplarmente re-conhecido por seus contos, novelas e romances; escreveu e publicou Sagarana (contos, 1946), Corpo de Baile (ciclo novelesco, 2 volumes, 1956), Manuelzão e Miguilim (1964), Noites do Sertão (1965), Grande sertão: Veredas (romance, 1956), Primeiras estórias (contos, 1962), Campo geral (1964), Tutameia — Terceiras estórias (contos, 1967), os postumamente editados Estas estórias (contos, 1969) e Ave, palavra (diversos escritos: crônicas, poemas, 1970) etc.; colaborou no Correio da Manhã, no suplemento Letras e Artes de A Manhã, n’O Globo e na revista Pulso; seus livros foram traduzidos no exterior (França, Itália, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Espanha, Polônia, Holanda e Checoslováquia); recebeu premiações por suas obras; como servidor diplomático, exerceu funções na Alemanha (Hamburgo), Colômbia (Bogotá) e França (Paris).

domingo, 1 de março de 2026

João Guimarães Rosa*: Sonho de uma Tarde de Inverno

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Fiquei, longamente, a ler, no frio
da tarde quieta,
uma crônica do tempo merovíngio,
dos monges da Abadia de Cluny.
E um rádio gritante trouxe, pela janela,
todo o banzo e o azougue de um samba sensual:
vôo de cantáridas tontas
no hálito de incenso de uma nave,
fenestrada de ogivas e ventanas
e toda colorida de vitrais...

E no vago torpor do meu subsonho,
vi como trabalhava,
extasiado, na penumbra
parda de um meio inverno,
um monge
rendilhador de jóias de ouro,
discípulo, talvez, de Santo Elói:
depois de modelar um cimo de coroa,
com Virtudes de auréola
em meio de anjos louros,
e de cinzelar,
na pasta de sol frio do rebordo
de um anel real,
uma rosácea, um gládio e um globo,
deixou errar seus dedos e seus sonhos,
e fez crescer, no jalde de um cibório,
o relevo de uma Vênus
com um Cupido ao colo...

E era tão bela a sua idéia de ouro,
e foi tão casto e cristão o beijo longo
que ele pôs na deusa,
que a tênue poeira flava do seu êxtase
de pronto se esvaiu.

E então, febril,
murmurando, constante, um exorcismo,
santificando traços, disfarçando os nus,
fez depressa da Vênus uma Virgem,
e do pagãozinho alado um menino Jesus.
Depois, sorrindo, o santo joalheiro
rezou, com outro beijo, a sua contrição...

E mil diabinhos crepitaram nas chamas,
rubros, rindo,
porque agora o seu beijo
fora ardente e pagão...


* Nota do blogue Verso e Conversa: sobre o livro Magma e seu autor, o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página, expõe que em Antologia dos Poetas Brasileiros — Bissextos Contemporâneos, o organizador Manuel Bandeira escreveu sobre Guimarães Rosa, à guisa de minitraços biobibliográficos:
Pouca gente sabe que Guimarães Rosa estreou nas letras com um livro de versos — Magma (1936), aliás premiado pela Academia Brasileira de Letras. Mas o grande Rosa só se iria revelar na prosa, onde se tornou um inovador e personalíssimo: Grande Sertão: Veredas é um dos mais altos cumes de nossa literatura de ficção. O poeta porém não morreu em Rosa. Digo o poeta formal, o poeta autor de poemas, porque em tudo o que escreve há sempre poesia e da melhor. O poeta formal continuou, mas enquadrado na categoria dos bissextos. Com efeito, em 61, apareceram n'O Globo, na crônica semanal assinada por ele, alguns poemas de um certo Soares Guiamar, e o apresentador advertiu: "Ser poeta, aliás, é já estar adiante, em muita experimentada sorte de velhice." Mas quem atentar no nome de Soares Guiamar, descobrirá que ele é anagrama de Guimarães Rosa’; em alguns poemas (inéditos ou publicados em colunas nos jornais, em 1961), Guimarães Rosa, ou J. Guimarães Rosa, faz uso de nomes anagramáticos (Soares Guiamar, Sá Araújo Ségrim, Meuriss Aragão, Romaguari Sães) para dar autoria à sua criação. Tais menções constam em textos de Ave, palavra — Guimarães Rosa, Nota Introdutória de Paulo Rónai, 1970, Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro — RJ.'
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Magma — João Guimarães Rosa, Parecer — a título de prefácio — de Guilherme de Almeida e desenhos de Poty, 1997, 2ª impressão em 2006, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; João Guimarães Rosa (1908 1967), mineiro de Cordisburgo, estudou no Colégio Santo Antônio [São João del-Rei] e no Colégio Arnaldo [Belo Horizonte], formou-se médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais (atual UFMG), foi diplomata, contista, novelista, romancista e também poeta; em 1929, fez sua estreia na literatura com o conto O mistério de Highmore Hall, à época publicado em O Cruzeiro; em 1936, seu único livro de poesias, Magma, foi inscrito e participou de um concurso poético promovido pela Academia Brasileira de Letras, e  embora tenha sido premiado com louvor em primeiríssimo lugar, permaneceu inédito até a década de 90, sessenta anos após; Guimarães Rosa, o poeta de Magma, é ampla e exemplarmente re-conhecido por seus contos, novelas e romances; escreveu e publicou Sagarana (contos, 1946), Corpo de Baile (ciclo novelesco, 2 volumes, 1956), Manuelzão e Miguilim (1964), Noites do Sertão (1965), Grande sertão: Veredas (romance, 1956), Primeiras estórias (contos, 1962), Campo geral (1964), Tutameia — Terceiras estórias (contos, 1967), os postumamente editados Estas estórias (contos, 1969) e Ave, palavra (diversos escritos: crônicas, poemas, 1970) etc.; colaborou no Correio da Manhã, no suplemento Letras e Artes de A Manhã, n’O Globo e na revista Pulso; seus livros foram traduzidos no exterior (França, Itália, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Espanha, Polônia, Holanda e Checoslováquia); recebeu premiações por suas obras; como servidor diplomático, exerceu funções na Alemanha (Hamburgo), Colômbia (Bogotá) e França (Paris).

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

João Guimarães Rosa*: Consciência cósmica

 
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Já não preciso de rir.
Os dedos longos do medo
largaram minha fronte.
E as vagas do sofrimento me arrastaram
para o centro do remoinho da grande força,
que agora flui, feroz, dentro e fora de mim…

Já não tenho medo de escalar os cimos
onde o ar limpo e fino pesa para fora,
e nem de deixar escorrer a força dos meus músculos,
e deitar-me na lama, o pensamento opiado…

Deixo que o inevitável dance, ao meu redor,
a dança das espadas de todos os momentos.
e deveria rir, se me restasse o riso,
das tormentas que poupam as furnas da minha alma,
dos desastres que erraram o alvo do meu corpo…


* Nota do blogue Verso e Conversa: sobre o livro Magma e seu autor, o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página, expõe que em Antologia dos Poetas Brasileiros — Bissextos Contemporâneos, o organizador Manuel Bandeira escreveu sobre Guimarães Rosa, à guisa de minitraços biobibliográficos:
Pouca gente sabe que Guimarães Rosa estreou nas letras com um livro de versos — Magma (1936), aliás premiado pela Academia Brasileira de Letras. Mas o grande Rosa só se iria revelar na prosa, onde se tornou um inovador e personalíssimo: Grande Sertão: Veredas é um dos mais altos cumes de nossa literatura de ficção. O poeta porém não morreu em Rosa. Digo o poeta formal, o poeta autor de poemas, porque em tudo o que escreve há sempre poesia e da melhor. O poeta formal continuou, mas enquadrado na categoria dos bissextos. Com efeito, em 61, apareceram n'O Globo, na crônica semanal assinada por ele, alguns poemas de um certo Soares Guiamar, e o apresentador advertiu: "Ser poeta, aliás, é já estar adiante, em muita experimentada sorte de velhice." Mas quem atentar no nome de Soares Guiamar, descobrirá que ele é anagrama de Guimarães Rosa’; em alguns poemas (inéditos ou publicados em colunas nos jornais, em 1961), Guimarães Rosa, ou J. Guimarães Rosa, faz uso de nomes anagramáticos (Soares Guiamar, Sá Araújo Ségrim, Meuriss Aragão, Romaguari Sães) para dar autoria à sua criação. Tais menções constam em textos de Ave, palavra — Guimarães Rosa, Nota Introdutória de Paulo Rónai, 1970, Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro — RJ.
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Magma — João Guimarães Rosa, Parecer — a título de prefácio — de Guilherme de Almeida e desenhos de Poty, 1997, 2ª impressão em 2006, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; João Guimarães Rosa (1908 1967), mineiro de Cordisburgo, estudou no Colégio Santo Antônio [São João del-Rei] e no Colégio Arnaldo [Belo Horizonte], formou-se médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais (atual UFMG), foi diplomata, contista, novelista, romancista e também poeta; em 1929, fez sua estreia na literatura com o conto O mistério de Highmore Hall, à época publicado em O Cruzeiro; em 1936, seu único livro de poesias, Magma, foi inscrito e participou de um concurso poético promovido pela Academia Brasileira de Letras, e, embora tenha sido premiado com louvor em primeiríssimo lugar, permaneceu inédito até a década de 90, sessenta anos após; Guimarães Rosa, o poeta de Magma, é ampla e exemplarmente re-conhecido por seus contos, novelas e romances; escreveu e publicou Sagarana (contos, 1946), Corpo de Baile (ciclo novelesco, 2 volumes, 1956), Manuelzão e Miguilim (1964), Noites do Sertão (1965), Grande sertão: Veredas (romance, 1956), Primeiras estórias (contos, 1962), Campo geral (1964), Tutameia — Terceiras estórias (contos, 1967), os postumamente editados Estas estórias (contos, 1969) e Ave, palavra (diversos escritos: crônicas, poemas, 1970) etc.; colaborou no Correio da Manhã, no suplemento Letras e Artes de A Manhã, n’O Globo e na revista Pulso; seus livros foram traduzidos no exterior (França, Itália, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Espanha, Polônia, Holanda e Checoslováquia); recebeu premiações por suas obras; como servidor diplomático, exerceu funções na Alemanha (Hamburgo), Colômbia (Bogotá) e França (Paris).

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

João Guimarães Rosa: Anil

 
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O voo, quase vertical, da jaçanã fugida
levantou meu olhar,
no dorso esbelto, de zinco polido,
à calota do céu,
liso, congelado em calmaria,
e quase sólido, em cobalto líquido.
Pensei que a ave fosse frechar, de cheio,
para pescar peixinhos escamados de ouro:
as estrelas que mergulharam de madrugada…
E que a água longe se abrisse
nos nove círculos concêntricos
das nove beatitudes…

Mas o pássaro foi breve um grânulo dissolvido,
entre nuvens fugindo como flocos de espuma,
com a paisagem a luzir, no seio de uma bolha,
o sol a se desmanchar, como um sabão redondo,
e o céu todo água, num côncavo de bacia
onde lavam o dia…


* Nota do blogue Verso e Conversa: sobre o livro Magma e seu autor, o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página, expõe que em Antologia dos Poetas Brasileiros — Bissextos Contemporâneos, o organizador Manuel Bandeira escreveu sobre Guimarães Rosa, à guisa de minitraços biobibliográficos:
Pouca gente sabe que Guimarães Rosa estreou nas letras com um livro de versos — Magma (1936), aliás premiado pela Academia Brasileira de Letras. Mas o grande Rosa só se iria revelar na prosa, onde se tornou um inovador e personalíssimo: Grande Sertão: Veredas é um dos mais altos cumes de nossa literatura de ficção. O poeta porém não morreu em Rosa. Digo o poeta formal, o poeta autor de poemas, porque em tudo o que escreve há sempre poesia e da melhor. O poeta formal continuou, mas enquadrado na categoria dos bissextos. Com efeito, em 61, apareceram n'O Globo, na crônica semanal assinada por ele, alguns poemas de um certo Soares Guiamar, e o apresentador advertiu: "Ser poeta, aliás, é já estar adiante, em muita experimentada sorte de velhice." Mas quem atentar no nome de Soares Guiamar, descobrirá que ele é anagrama de Guimarães Rosa’; em alguns poemas (inéditos ou publicados em colunas nos jornais, em 1961), Guimarães Rosa, ou J. Guimarães Rosa, faz uso de nomes anagramáticos (Soares Guiamar, Sá Araújo Ségrim, Meuriss Aragão, Romaguari Sães) para dar autoria à sua criação. Tais menções constam em textos de Ave, palavra — Guimarães Rosa, Nota Introdutória de Paulo Rónai, 1970, Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro — RJ.
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Magma — João Guimarães Rosa, Parecer — a título de prefácio — de Guilherme de Almeida e desenhos de Poty, 1997, 2ª impressão em 2006, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; João Guimarães Rosa (1908 1967), mineiro de Cordisburgo, estudou no Colégio Santo Antônio [São João del-Rei] e no Colégio Arnaldo [Belo Horizonte], formou-se médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais (atual UFMG), foi diplomata, contista, novelista, romancista e também poeta; em 1929, fez sua estreia na literatura com o conto O mistério de Highmore Hall, à época publicado em O Cruzeiro; em 1936, seu único livro de poesias, Magma, foi inscrito e participou de um concurso poético promovido pela Academia Brasileira de Letras, e, embora tenha sido premiado com louvor em primeiríssimo lugar, permaneceu inédito até a década de 90, sessenta anos após; Guimarães Rosa, o poeta de Magma, é ampla e exemplarmente re-conhecido por seus contos, novelas e romances; escreveu e publicou Sagarana (contos, 1946), Corpo de Baile (ciclo novelesco, 2 volumes, 1956), Manuelzão e Miguilim (1964), Noites do Sertão (1965), Grande sertão: Veredas (romance, 1956), Primeiras estórias (contos, 1962), Campo geral (1964), Tutameia — Terceiras estórias (contos, 1967), os postumamente editados Estas estórias (contos, 1969) e Ave, palavra (diversos escritos: crônicas, poemas, 1970) etc.; colaborou no Correio da Manhã, no suplemento Letras e Artes de A Manhã, n’O Globo e na revista Pulso; seus livros foram traduzidos no exterior (França, Itália, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Espanha, Polônia, Holanda e Checoslováquia); recebeu premiações por suas obras; como servidor diplomático, exerceu funções na Alemanha (Hamburgo), Colômbia (Bogotá) e França (Paris).

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

João Guimarães Rosa*: Lunático

 
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Vou abrir minha janela sobre a noite.
E já bem noite, a lua,
alta a um terço do seu arco,
terá de deslizar pelo meu quarto adentro,
e passear sobre o meu rosto, adormecido e lívido,
quando eu sair a sonhar pelas estradas noturnas,
sem fim, sem marcos, nem encruzilhadas,
que levam à região dos desabrigos…
Sonharei com mares muito brancos,
de águas finas, como um ar dos cimos,
onde o meu corpo sobrenada solto,
por entre nelumbos que passam boiando…
Ouvirei a rainha do País do Suave Sonho,
cantando no alto sempre o mesmo canto,
como a sereia do sempre mais alto…
E a janela se fecha, prendendo aqui dentro
o raio suave que prendia a lua…
Para que eu soçobre no mar dos nenúfares grandes,
onde remoinham as formas inacabadas,
onde vêm morrer as almas, afogadas,
e onde os deuses se olham como num espelho...


* Nota do blogue Verso e Conversa: sobre o livro Magma e seu autor, o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página, expõe que em Antologia dos Poetas Brasileiros — Bissextos Contemporâneos, o organizador Manuel Bandeira escreveu sobre Guimarães Rosa, à guisa de minitraços biobibliográficos:
Pouca gente sabe que Guimarães Rosa estreou nas letras com um livro de versos — Magma (1936), aliás premiado pela Academia Brasileira de Letras. Mas o grande Rosa só se iria revelar na prosa, onde se tornou um inovador e personalíssimo: Grande Sertão: Veredas é um dos mais altos cumes de nossa literatura de ficção. O poeta porém não morreu em Rosa. Digo o poeta formal, o poeta autor de poemas, porque em tudo o que escreve há sempre poesia e da melhor. O poeta formal continuou, mas enquadrado na categoria dos bissextos. Com efeito, em 61, apareceram n'O Globo, na crônica semanal assinada por ele, alguns poemas de um certo Soares Guiamar, e o apresentador advertiu: "Ser poeta, aliás, é já estar adiante, em muita experimentada sorte de velhice." Mas quem atentar no nome de Soares Guiamar, descobrirá que ele é anagrama de Guimarães Rosa’; em alguns poemas (inéditos ou publicados em colunas nos jornais, em 1961), Guimarães Rosa, ou J. Guimarães Rosa, faz uso de nomes anagramáticos (Soares Guiamar, Sá Araújo Ségrim, Meuriss Aragão, Romaguari Sães) para dar autoria à sua criação. Tais menções constam em textos de Ave, palavra — Guimarães Rosa, Nota Introdutória de Paulo Rónai, 1970, Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro — RJ.
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Magma — João Guimarães Rosa, Parecer — a título de prefácio — de Guilherme de Almeida e desenhos de Poty, 1997, 2ª impressão em 2006, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; João Guimarães Rosa (1908 1967), mineiro de Cordisburgo, estudou no Colégio Santo Antônio [São João del-Rei] e no Colégio Arnaldo [Belo Horizonte], formou-se médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais (atual UFMG), foi diplomata, contista, novelista, romancista e também poeta; em 1929, fez sua estreia na literatura com o conto O mistério de Highmore Hall, à época publicado em O Cruzeiro; em 1936, seu único livro de poesias, Magma, foi inscrito e participou de um concurso poético promovido pela Academia Brasileira de Letras, e, embora tenha sido premiado com louvor em primeiríssimo lugar, permaneceu inédito até a década de 90, sessenta anos após; Guimarães Rosa, o poeta de Magma, é ampla e exemplarmente re-conhecido por seus contos, novelas e romances; escreveu e publicou Sagarana (contos, 1946), Corpo de Baile (ciclo novelesco, 2 volumes, 1956), Manuelzão e Miguilim (1964), Noites do Sertão (1965), Grande sertão: Veredas (romance, 1956), Primeiras estórias (contos, 1962), Campo geral (1964), Tutameia — Terceiras estórias (contos, 1967), os postumamente editados Estas estórias (contos, 1969) e Ave, palavra (diversos escritos: crônicas, poemas, 1970) etc.; colaborou no Correio da Manhã, no suplemento Letras e Artes de A Manhã, n’O Globo e na revista Pulso; seus livros foram traduzidos no exterior (França, Itália, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Espanha, Polônia, Holanda e Checoslováquia); recebeu premiações por suas obras; como servidor diplomático, exerceu funções na Alemanha (Hamburgo), Colômbia (Bogotá) e França (Paris).

sábado, 18 de agosto de 2018

João Guimarães Rosa *: Teorema

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Malmequer falhado,
Cão madrugador,
Pôde simples fado:
Tem amado.

Malmequer maior,
Deus decapitado;
Se cumprido for,
Viverá de amor.

Malmequer e bem,
Com porquê e a quem:
Severo exercício,
Amar é transgredir-se.

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Notas deste aprendiz de blogueiroNo Prefácio da 1ª. edição desta  Antologia, o poeta Vinícius de Moraes escreveu a propósito dos bissextos: “... poetas que nós, seus íntimos, chamamos cordialmente de bissextos —  poetas sem livros de versos — bissextos pela escassez de sua produção, cuja excelência sem embargo os coloca ao lado dos mais citados”; já Manuel Bandeira, sobre Guimarães Rosa, escreveu à guisa de mini-traços bio-bibliográficos nesta Antologia: ‘Pouca gente sabe que Guimarães Rosa estreou nas letras com um livro de versos — Magma (1936), aliás premiado pela Academia Brasileira de Letras. Mas o grande Rosa só se iria revelar na prosa, onde se tornou um inovador e personalíssimo: Grande Sertão: Veredas é um dos mais altos cumes de nossa literatura de ficção. O poeta porém não morreu em Rosa. Digo o poeta formal, o poeta autor de poemas, porque em tudo o que escreve há sempre poesia e da melhor. O poeta formal continuou, mas enquadrado na categoria dos bissextos. Com efeito, em 61, apareceram n'O Globo, na crônica semanal assinada por ele, alguns poemas de um certo Soares Guiamar, e o apresentador advertiu: "Ser poeta, aliás, é já estar adiante, em muita experimentada sorte de velhice." Mas quem atentar no nome de Soares Guiamar, descobrirá que ele é anagrama de Guimarães Rosa’; em Ave, palavra — Guimarães Rosa, Nota Introdutória de Paulo Rónai, 1970, Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro — RJ, consta que, em alguns poemas (inéditos ou publicados em colunas nos jornais, em 1961), Guimarães Rosa, ou J. Guimarães Rosa, fez uso de nomes anagramáticos (Soares Guiamar, Sá Araújo Ségrim, Meuriss Aragão, Romaguari Sães) para dar autoria à sua criação. 
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Antologia dos Poetas Brasileiros — Bissextos Contemporâneos, Organização de Manuel Bandeira, 1996, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; João Guimarães Rosa (1908  1967), mineiro de Cordisburgo,  formado em Medicina, foi diplomata, escritor e também poeta; seu único livro de poesias, Magma (1936), participou de um concurso poético promovido pela Academia Brasileira de Letras, também nesse ano, e, embora tendo sido premiado com louvor em primeiríssimo lugar, permaneceu inédito até a década de 90, sessenta anos após; Guimarães Rosa, além de Magma, escreveu e publicou Sagarana (contos, 1946), Corpo de Baile (ciclo novelesco, 2 volumes, 1956), Manuelzão e Miguilim (1964), Noites do Sertão (1965), Grande sertão: Veredas (romance, 1956), Primeiras estórias (contos, 1962), Campo geral (1964), Tutameia — Terceiras estórias (contos, 1967), os postumamente editados Estas estórias (contos, 1969) Ave, palavra (diversos escritos: crônicas, poemas, 1970) etc.; colaborou no Correio da Manhã, no suplemento Letras e Artes de A Manhã, n’O Globo e na revista Pulso; seus livros foram traduzidos no exterior (França, Itália, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Espanha, Polônia, Holanda e Checoslováquia).

terça-feira, 5 de julho de 2016

Guimarães Rosa *: Motivo

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O menino foi andando
entrou num elevador
a casa virou montanha
o luar partiu-a em três
o menino saiu das selvas
montado no gurupés
adormeceu sobre neve
despertou noutro cantar
mas deu-se que envelhecera
bem antes de despertar
então ele veio andando
só podia regressar
ao porquê, ao onde, ao quando
 a causa, tempo e lugar.





Nota deste aprendiz de blogueiro: Em alguns poemas (inéditos ou publicados em colunas nos jornais, em 1961), Guimarães Rosa, ou J. Guimarães Rosa, faz uso de nomes anagramáticos (Soares Guiamar, Sá Araújo Ségrim, Meuriss Aragão, Romaguari Sães) para dar autoria à sua criação. Tais menções constam em textos de Ave, palavra.
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Ave, palavra — Guimarães Rosa, Nota Introdutória de Paulo Rónai, 1970, Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro  RJ; João Guimarães Rosa (1908  1967), mineiro de Cordisburgo, formado em Medicina, foi diplomata, escritor e também poeta; seu único livro de poesias, Magma (1936), participou de um concurso poético promovido pela Academia Brasileira de Letras, também nesse ano, e, embora tendo sido premiado com louvor em primeiríssimo lugar, permaneceu inédito até a década de 90, sessenta anos após; Guimarães Rosa, além de Magma, escreveu e publicou Sagarana (contos, 1946), Corpo de Baile (ciclo novelesco, 2 volumes, 1956), Manuelzão e Miguilim (1964), Noites do Sertão (1965), Grande sertão: Veredas (romance, 1956), Primeiras estórias (contos, 1962), Campo geral (1964), Tutameia Terceiras estórias (contos, 1967), os postumamente editados Estas estórias (contos, 1969) e Ave, palavra (diversos escritos: crônicas, poemas, 1970) etc.; colaborou no Correio da Manhã, no suplemento Letras e Artes de A Manhã, n’O Globo e na revista Pulso; seus livros foram traduzidos no exterior (França, Itália, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Espanha, Polônia, Holanda e Checoslováquia).

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Guimarães Rosa: Fita verde no cabelo

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[Nova velha estória]

               Havia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam, homens e mulheres que esperavam, e meninos e meninas que nasciam e cresciam. Todos com juízo, suficientemente, menos uma meninazinha, a que por enquanto. Aquela, um dia, saiu de lá, com uma fita verde inventada no cabelo.
               Sua mãe mandara-a, com um cesto e um pote, à avó, que a amava, a uma outra e quase igualzinha aldeia. Fita-Verde partiu, sobre logo, ela a linda, tudo era uma vez. O pote continha um doce em calda, e o cesto estava vazio, que para buscar framboesas.
               Daí, que, indo, no atravessar o bosque, viu só os lenhadores, que por lá lenhavam; mas o lobo nenhum, desconhecido nem peludo. Pois os lenhadores tinham exterminado o lobo. Então, ela, mesma, era quem se dizia:  “Vou à vovó, com cesto e pote, e a fita verde no cabelo, o tanto que a mamãe me mandou”. A aldeia e a casa esperando-a acolá, depois daquele moinho, que a gente pensa que vê, e das horas, que a gente não vê que não são.
               E ela mesma resolveu escolher tomar este caminho de cá, louco e longo, e não o outro, encurtoso. Saiu, atrás de suas asas ligeiras, sua sombra também vindo-lhe correndo, em pós. Divertia-se com ver as avelãs do chão não voarem, com inalcançar essas borboletas nunca em buquê nem em botão, e com ignorar se cada uma em seu lugar as plebeiínhas flores, princesinhas e incomuns, quando a gente tanto por elas passa. Vinha sobejadamente.
               Demorou, para dar com a avó em casa, que assim lhe respondeu, quando ela, toque, toque, bateu:
                “Quem é?
                “Sou eu…”  e Fita-Verde descansou a voz.  “Sou sua linda netinha, com cesto e pote, com a fita verde no cabelo, que a mamãe me mandou.
               Vai, a avó, difícil, disse:  “Puxa o ferrolho de pau da porta, entra e abre. Deus te abençoe.
               Fita-Verde assim fez, e entrou e olhou.
               A avó estava na cama, rebuçada e só. Devia, para falar agagado e fraco e rouco, assim, de ter apanhado um ruim defluxo. Dizendo:  “Depõe o pote e o cesto na arca, e vem para perto de mim, enquanto é tempo.
               Mas agora Fita-Verde se espantava, além de entristecer-se de ver que perdera em caminho sua grande fita verde no cabelo atada; e estava suada, com enorme fome de almoço. Ela perguntou:
                “Vovozinha, que braços tão magros, os seus, e que mãos tão trementes!
                “É porque não vou poder nunca mais te abraçar, minha neta…”  a avó murmurou.
                “Vovozinha, mas que lábios, aí, tão arroxeados!
                “É porque não vou nunca mais poder te beijar, minha neta…”  a avó suspirou.
                “Vovozinha, e que olhos tão fundos e parados, nesse rosto encovado, pálido?
                “É porque já não estou te vendo, nunca mais, minha netinha…”  a avó ainda gemeu.
               Fita-Verde mais se assustou, como se fosse ter juízo pela primeira vez.
               Gritou:  “Vovozinha, eu tenho medo do Lobo!…
               Mas a avó não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio, triste e tão repentino corpo.

Suplemento Literário de O Estado de São Paulo,
 8 de fevereiro de 1964

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Ave, palavra — Guimarães Rosa, Nota Introdutória de Paulo Rónai, 1970, Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro  RJ; João Guimarães Rosa (1908  1967), mineiro de Cordisburgo, formado em Medicina, foi diplomata, escritor e também poeta; seu único livro de poesias, Magma (1936), participou de um concurso poético promovido pela Academia Brasileira de Letras, também nesse ano, e, embora tendo sido premiado com louvor em primeiríssimo lugar, permaneceu inédito até a década de 90, sessenta anos após; Guimarães Rosa, além de Magma, escreveu e publicou Sagarana (contos, 1946), Corpo de Baile (ciclo novelesco, 2 volumes, 1956), Manuelzão e Miguilim (1964), Noites do Sertão (1965), Grande sertão: Veredas (romance, 1956), Primeiras estórias (contos, 1962), Campo geral (1964), Tutameia  Terceiras estórias (contos, 1967), os postumamente editados Estas estórias (contos, 1969) Ave, palavra (diversos escritos: crônicas, poemas, 1970) etc.; colaborou no Correio da Manhã, no suplemento Letras e Artes de A Manhã, n’O Globo e na revista Pulso; seus livros foram traduzidos no exterior (França, Itália, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Espanha, Polônia, Holanda e Checoslováquia).

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Guimarães Rosa *: Pescaria

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( A Mário Matos)

O peixe no anzol
é kierkegaardiano.
(O pescador não sabe,
só está ufano).

O caniço é a tese,
a linha é pesquisa:
o pescador pesca
em mangas de camisa.

O rio passa,
por isso é impassível:
o que a água faz
é querer seu nível.

O pescador ao sol,
o peixe no rio:
dos dois, ele só
guarda o sangue frio.

O caniço, então,
se sente infeliz:
é o traço de união
entre dois imbecis.




* Nota deste aprendiz de blogueiro: Em alguns poemas (inéditos ou publicados em colunas nos jornais, em 1961), Guimarães Rosa, ou J. Guimarães Rosa, faz uso de nomes anagramáticos (Soares Guiamar, Sá Araújo Ségrim, Meuriss Aragão, Romaguari Sães) para dar autoria à sua criação. Tais menções constam em textos de Ave, palavra.
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Ave, palavra — Guimarães Rosa, Nota Introdutória de Paulo Rónai, 1970, Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro  RJ; João Guimarães Rosa (1908  1967), mineiro de Cordisburgo, formado em Medicina, foi diplomata, escritor e também poeta; seu único livro de poesias, Magma (1936), participou de um concurso poético promovido pela Academia Brasileira de Letras, também nesse ano, e, embora tendo sido premiado com louvor em primeiríssimo lugar, permaneceu inédito até a década de 90, sessenta anos após; Guimarães Rosa, além de Magma, escreveu e publicou Sagarana (contos, 1946), Corpo de Baile (ciclo novelesco, 2 volumes, 1956), Manuelzão e Miguilim (1964), Noites do Sertão (1965), Grande sertão: Veredas (romance, 1956), Primeiras estórias (contos, 1962), Campo geral (1964), Tutameia — Terceiras estórias (contos, 1967), os postumamente editados Estas estórias (contos, 1969) e Ave, palavra (diversos escritos: crônicas, poemas, 1970) etc.; colaborou no Correio da Manhã, no suplemento Letras e Artes de A Manhã, n’O Globo e na revista Pulso; seus livros foram traduzidos no exterior (França, Itália, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Espanha, Polônia, Holanda e Checoslováquia).