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[traduzido
por Rodrigo Breunig]
me estiquei
até o alto do armário
e puxei uma calcinha azul
e mostrei
a ela e
perguntei
“é sua?”
e ela
olhou e falou:
“não,
essa pertence a um cão”.
ela foi
embora depois disso e não a vi
desde então.
não está na casa dela.
continuo indo
lá, deixando bilhetes enfiados
por baixo
da porta. volto lá e os bilhetes
continuam
ali. tiro a cruz de Malta
arranco-a
do espelho do meu carro, amarro-a
com um
cadarço em sua maçaneta, deixo
um livro
de poemas.
quando retorno
na noite seguinte tudo
continua
ali.
sigo rondando
as ruas em busca daquele
encouraçado
sangue-vinho que ela dirige
com uma
bateria fraca, e as portas
pendendo
de dobradiças quebradas.
dirijo pelas
ruas
a um centímetro
de chorar,
envergonhado
de meu sentimentalismo e
possível amor.
um velho confuso
dirigindo na chuva
perguntando-se
onde a boa sorte
foi parar.
I made a mistake
I reached up into the top of the closet
and took out a pair of blue panties
and showed them to her and
asked "are these yours?"
and she looked and said,
"no, those belong to a dog."
she left after that and I haven't seen
her since. she's not at her place.
I keep going there, leaving notes stuck
into the door. I go back and the notes
are still there. I take the Maltese cross
cut it down from my car mirror, tie it
to her doorknob with a shoelace, leave
a book of poems.
when I go back the next night everything
is still there.
I keep searching the streets for that
blood-wine battleship she drives
with a weak battery, and the doors
hanging from broken hinges.
I drive around the streets
an inch away from weeping,
ashamed of my sentimentality and
possible love.
a confused old man driving in the rain
wondering where the good luck
went.
* Nota do editor Abel Debritto: "cometi um erro", Scarlet, abril de 1976; coletado em O amor é um cão[dos diabos]...
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Bukowski —
Sobre o amor, Tradução de Roberto Breunig, Anotação de fontes e edição de Abel Debritto,
2019, Coleção L&PM Pocket volume 1300, L&PM Editores, Porto Alegre — RS;
Henry Charles Bukowski Jr. (1920 — 1994), ou Heinrich Karl Bukowski, alemão de Andernach,
que desde os três anos de idade viveu nos Estados Unidos (inicialmente em Baltimore
e depois em Los Angeles), foi poeta, romancista e contista; em 1939, inicia o curso
de jornalismo e literatura pela Los Angeles City College; põe-se a escrever, é expulso
de casa, passa a morar em pensões e, sem emprego, desiste da faculdade; convivendo
com o alcoolismo, e com vida errante, passando por várias cidades americanas, trabalhou
em empregos temporários como faxineiro, frentista, motorista de caminhão; depois,
ingressou nos correios, trabalhando como carteiro por quatorze anos; aos 49 anos
largou o emprego para se dedicar à carreira de escritor; escreveu e publicou: Flower,
Fist, and Bestial Wail (coletânea de poesias, 1960), It Catches My Heart in its
Hands (coletânea de poesias, 1963), Confessions of a Man Insane Enough to Live Beasts
(1965), Post Office (Cartas na Rua, romance, 1971), Factótum (romance, 1975), Love
is a Dog from Hell (O amor é um cão dos diabos, poesias, 1977), Women (Mulheres,
romance, 1978), Shakespeare Never Did This (não-ficção, 1979) e tantos outros títulos
em verso e prosa e não-ficção; Bukowski, com Cartas na Rua, romance que o tornaria
famoso, passa a fazer uso de seu alterego Henry Chinaski que o acompanha na quase
totalidade de seus romances.











