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Branca, entre lírios e camélias, morta
Vejo-a, serena flor esmaecida...
Aproxima-se o instante da partida,
E, ai! como esta certeza desconforta!
Vai para o céu, risonha, adormecida,
E para o céu o nosso amor transporta,
Porque a morte cruel, que a vida corta,
O amor não corta que nos doura a vida.
—
“Que formosa!” —
suspira o céu ao vê-la;
—
“Que testa de anjo e que cabelo louro!”
Soluçando, murmura cada estrela.
E querubins vão-na levando às francas
Paragens claras das esferas de ouro,
Morta, entre lírios e camélias brancas.
(Vovó Musa — 1903)
História da Literatura Brasileira — Simbolismo: Massaud
Moisés, 1988, 2ª edição, Editora Cultrix, São Paulo — SP; Zeferino Antônio de Souza
Brazil (1870 — 1942), gaúcho de Taquari, foi cronista, romancista, dramaturgo, crítico
literário e sobretudo poeta parnasiano e simbolista, tendo recebido o epíteto de
"príncipe dos poetas riograndenses"; colaborou com os periódicos Jornal
do Comércio, Correio do Povo, Última Hora e Gazeta do Comércio entre outros veículos,
nos quais fazia uso, além do seu nome verdadeiro, também de vários pseudônimos (Nilo
Castanheira, João Simplício, Lúcifer, Til, Eça de Oliveira, Brás Patife Júnior,
José dos Cantinhos, Tic, Tac, Diabo Coxo, Vasco de Montarroyos, Phoebus de Montalvão,
Luiz Denis, etc.); escreveu e publicou: Alegros e Surdinas (versos dos 15 anos,
1891), Traços Cor de Rosa (versos, 1892), Comédia da Vida (1896), Juca, o Letrado
(estudo da psicologia mórbida, 1900), Vovó Musa (1903), Visão do Ópio (1906), Na
Torre de Marfim (1910), Comédia da Vida, versos alegres para gente triste — segunda
série (1914) O Meio: psicofisiologia do alcoolismo (1922), Teias de Luar (1924),
Boêmia de Pena (prosa velha, 1932), Alma Gaúcha (1935), entre outros títulos.






