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[traduzido por Nelson Ascher]
Se nossa vida é menos do que um dia
na eternidade e o tempo em
disparada
nos corre os dias e os reduz a
nada,
pois quando nasce é coisa fugidia,
no que meditas e por que te agrada,
minh`alma, o breu desta prisão
sombria
quando o teu dorso alado propicia
que ascendeu à mais lúcida morada?
Dispõe-se lá de amor e de prazer,
da paz pela qual todo o mundo
anseia,
do bem que todo espirito requer.
É lá que poderás, minh`alma, no
alto
do céu, reconhecer a própria Idéia
da beleza que eu neste mundo
exalto.
“Si nostre vie…”
Si nostre vie est moins qu’une
journee
En l’eternel, si l’an Qui faict le
tour
Chasse noz jours sans espoir de
retour,
Si perissable est toute chose nee,
Que songes-tu, mon âme emprisonnee?
Pourquoi te plaist l’obscur de nostre
jour,
Si pour voler en un plus cler sejour,
Tu as au dos l’aele bien empanee?
Là, est le bien que tout esprit desire,
Là, le repos où tout le monde
aspire,
Là est l’amour, là, le plaisir
encore.
Là, ô mon ame, au plus haut ciel
guidee
Tu y pourras recognoistre l’Idee
De la beuate, qu’en ce monde
j’adore.
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Poesia Alheia: 124 poemas traduzidos,
edição bilíngue [poetas diversos], Coleção Lazuli, Tradução, Prefácio e Notas biográficas
por Nelson Ascher, e Apresentação [orelhas do livro] por Arthur Nestrovski, 1998,
Imago Editora, Rio de Janeiro — RJ; Joachim du Bellay (1522 — 1560), francês de Anjou, comuna de Liré, à época
Reino da França, estudou Direito na Université de Poitiers, cursou o Collège de
Coqueret, Paris, foi poeta renascentista; tendo ficado órfão muito jovem, foi educado
pelo irmão René du Bellay; estudante do Coqueret, conviveu com Pierre de Ronsard
[que conhecera desde Poitiers] e outros poetas, e, influenciado por Jean Dorat,
professor de grego, foi um dos criadores do grupo literário Brigade que, após a
inclusão de mais poetas, se transformou na Pléiade: tinha como objetivo valorizar
a produção de textos na língua francesa, os quais devessem ser de qualidade compatível
à dos clássicos gregos e latinos; Du Bellay interagiu ativamente na Pléiade e escreveu
o Manifesto do grupo, La Défense et illustration de la langue française; entre
1553-1557 o poeta mudou-se para Roma, acompanhou seu primo Jean du Bellay que
havia se tornado cardeal, tendo dele recebido a incumbência de administrar as
despesas da casa cardinalícia, “desapontou-se, foi absorvido pelas intrigas da
corte papal, envolveu-se diretamente em eventos diplomáticos entre França e
Itália”, escreveu Les Regrets — obra na qual explicitou críticas à vida romana
e seu desejo de retornar à Anjou francesa — e Les Antiquités de Rome; suas obras:
A Defesa da Ilustração da Língua Francesa (manifesto, La Défense et
illustration de la langue française, 1549), A Oliveira (L’Olive [anagrama de
Viole, referência e louvor à Mademoiselle de Viole], 1549), Versos Líricos
(Vers lyriques, 1549), Vários jogos rústicos e outras obras poéticas (Divers
Jeux Rustiques et autres œuvres poétiques, 1558); Os Lamentos (coleção de
sonetos, Les Regrets, 1558), As Antiguidades de Roma (Les Antiquités de Rome,
1558), La nouvelle manière de faire son
profit des Lettres (1559), O Poeta Cortesão (Le Poète courtisan, 1559) e outros
títulos; nas duas últimas obras citadas, poemas de teor satírico, Du Bellay fez
uso do pseudônimo J. Quentil du Troussay; em 1552, o poeta traduziu para o
francês o Quarto Livro de Eneida (Le Quatriesme Livre de l'Eneide), de
Virgilio; teve poemas musicados por vários compositores.