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[traduzido por Mário Laranjeira]
IV
Se nossa vida é menos do que um dia
No eterno, se o ano que dá a volta
Expulsa cada dia, que não volta,
Se é perecível tudo que se cria,
Que pensas tu, minha alma
aprisionada?
Por que te apraz o escuro deste dia,
Se, pra voar à clara moradia,
Às costas tens asa bem emplumada?
Lá, está o bem que o espírito
deseja,
Lá, o repousar que todo mundo almeja,
Lá, o amor, lá, o prazer profundo.
Lá, ó minha alma, ao alto céu
guiada,
Poderás ter a Idéia revelada
Da beleza que adoro neste mundo.
Si notre vie est moins
qu’une journée . . .
IV
Si notre vie est moins qu’une journée
En l’éternel, si l’an qui faict le tour
Chasse nos jours sans espoir de retour,
Si périssable est toute chose née,
Que songes-tu, mon ame emprisonnée?
Pourquoi te plaît l’obscur de nostre jour,
Si pour voler en un plus clair séjour,
Tu as au dos l’aele bien empanée?
Là, est le bien que tout esprit désire,
Là, le repos que tout le monde aspire,
Là, est l’amour, là, le plaisir encore.
Là, ô mon âme, au plus haut ciel guidée,
Tu y pourras reconnaître l’Idée
De la beauté, qu’en ce monde j’adore.
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Poetas franceses da Renascença [edição bilíngue], Seleção,
Apresentação e Tradução de Mário Laranjeira, 1ª edição, agosto de 2004, Martins
Fontes Editora, São Paulo — SP; Joachim du Bellay (1522 — 1560), francês de Anjou,
comuna de Liré, à época Reino da França, estudou Direito na Université de Poitiers,
cursou o Collège de Coqueret, Paris, foi poeta renascentista; tendo ficado órfão
muito jovem, foi educado pelo irmão René du Bellay; estudante do Coqueret, conviveu
com Pierre de Ronsard [que conhecera desde Poitiers] e outros poetas, e, influenciado
por Jean Dorat, professor de grego, foi um dos criadores do grupo literário Brigade
que, após a inclusão de mais poetas, se transformou na Pléiade: tinha como objetivo
valorizar a produção de textos na língua francesa, os quais devessem ser de qualidade
compatível à dos clássicos gregos e latinos; Du Bellay interagiu ativamente na Pléiade
e escreveu o Manifesto do grupo, La Défense et illustration de la langue française;
entre 1553-1557 o poeta viveu em Roma, acompanhou seu primo Jean du Bellay
que havia se tornado cardeal, tendo dele recebido a incumbência de administrar as
despesas da casa cardinalícia, “desapontou-se, foi absorvido pelas intrigas da corte
papal, envolveu-se diretamente em eventos diplomáticos entre França e Itália”, escreveu
Les Regrets — obra na qual explicitou críticas à vida romana e seu desejo de retornar
à Anjou francesa — e Les Antiquités de Rome; suas obras: A Defesa da Ilustração
da Língua Francesa (manifesto, La Défense et illustration de la langue française,
1549), A Oliveira (L’Olive [anagrama de Viole, referência e louvor à Mademoiselle
de Viole], 1549), Versos Líricos (Vers lyriques, 1549), Vários jogos rústicos e
outras obras poéticas (Divers Jeux Rustiques et autres œuvres poétiques, 1558);
Os Lamentos (coleção de sonetos, Les Regrets, 1558), As Antiguidades de Roma (Les
Antiquités de Rome, 1558), La nouvelle manière de faire son profit
des Lettres (1559), O Poeta Cortesão (Le Poète courtisan, 1559) e outros
títulos; nas duas últimas obras citadas, poemas de teor satírico, Du Bellay fez
uso do pseudônimo J. Quentil du Troussay; em 1552, o poeta traduziu para o
francês o Quarto Livro de Eneida (Le Quatriesme Livre de l'Eneide), de
Virgilio; teve poemas musicados por vários compositores.