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[traduzido
por Freitas Guimarães]
Bate à
tua janela o sol, e assim te fala:
Vamos!
chegou o tempo em que se deve amar!
Eu
conduzo comigo o aroma que trescala
A
violeta, e o hino esplêndido que exala
Cada
rosa, a se abrir, para a manhã saudar.
Eu trago
do áureo trono excelso abril e maio,
Para te
homenagear, ó flor primaveril!
E o novo
ano que vai doirando com o seu raio
A
frescura que tens, e evitando o desmaio
Da tua
mocidade estranha e senhoril!
Diz o
vento, batendo, à tua porta: quanto
Espaço eu
não venci, dos montes através
E das
planícies! Por sobre a terra em quebranto,
Um só
concerto se ouve, apenas se ouve o canto
Que a
natureza entoa, ajoelhada a teus pés!
Já chegou
a estação: amemos, flor, amemos!
E os
túmulos também, dentre as flores que vemos
A
enfeitá-los de novo, erguem brados supremos:
Vêde o
tempo que passa! amai, amai, amai!
Bate em
teu coração, belo jardim florido,
Meu
pensamento e diz: Pode-se entrar aqui?
Um
viajante eu sou, tristonho e envelhecido...
Sentindo-me
sem ar e já desfalecido
Venho
pedir descanso àquela a quem servi!
Quisera
receber entre estas lindas flores
Sonhando
um bem que nunca ninguém sonhou:
Quisera
descansar aqui das minhas dores,
Sonhar junto
de ti, sonho dos meus amores,
Um bem
que não gozei e já por mim passou!
(Rimas
Novas [1887])
| Giosuè Carducci |
LII.
Mattinata
Batte a
la tua finestra, e dice, il sole:
Lèvati,
bella, ch’è tempo d’amare.
Io ti reco il desir de le viole
E gl’inni
de le rose al risvegliare.
Dal mio
splendido regno a farti omaggio
Io ti
meno valletti aprile e maggio
E il
giovin anno che la fuga affrena
Su ‘l
fior de la tua vaga età serena
Batte a
la tua finestra, e dice, il vento:
Per monti
e piani ho viaggiato tanto!:
Sol uno
de la terra oggi è il concento,
E de’
vivi e de’ morti un solo è il canto.
De’ nidi
a i verdi boschi ecco il richiamo
— Il
tempo torna: amiamo, amiamo, amiamo —
E il
sospir de le tombe rinfiorate
— Il
tempo passa: amate, amate, amate. —
Batte al tuo cor, ch’è un bel giardino in fiore,
Il mio
pensiero, e dice: Si può entrare?
Io sono
un triste antico vïatore,
E sono
stanco, e vorrei riposare.
Vorrei
posar tra questi lieti mai
Un ben
sognando che non fu ancor mai:
Vorrei
posare in questa gioia pia
Sognando
un bene che già mai non fia.
20 marzo
1882
(Rime
Nuove — 1887)
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Poesias
Escolhidas: Giosuè Carducci, Tradução e Notas de Jamil Almansur Haddad, Estudo
Introdutivo e Vida e Obra de Giosuè Carducci, por Paul Renucci, Ilustrações de
Michel Cauvet e Pequena História da atribuição do Prêmio Nobel a Giosuè
Carducci, por Gunnar Ahlström — Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura,
1971, Editora Opera Mundi, Rio de Janeiro — RJ; Giosuè Alessandro Giuseppe
Carducci ou Joshua Carducci (1835 — 1907), italiano de Val di Castello, comuna
de Pietrasanta, hoje Pietrasanta-Carducci, estudou na Scuola Normale de Pisa,
formou-se em Filosofia e Filologia, além de ter sido professor por quase meio
século, foi poeta e crítico; até os quatorze anos, Carducci não teve outro
mestre além de seus pais — o pai, médico “sem fortuna”, era “sustentado por uma
clientela camponesa miserável” e também não era favorecido na busca de uma
“clínica mais afortunada” por manter suas opiniões políticas não ao gosto das
comunidades por onde passava, assim vivia mudando de localidade e de sede de
clínica; foi em Florença que o poeta, já aos quatorze anos, passou a frequentar
o colégio Scuole Pio, fez dois anos de retórica, escreveu seus primeiros
sonetos, depois frequentou um curso de ciências e continuou com seus estudos“,
o gosto já adquirido pela leitura cresceu, leu Os Noivos, de Manzoni, os épicos
Ilíada, Eneida, Jerusalém Libertada, os “poemas cavaleirescos” Orlando Amoroso,
de Boiardo, e Orlando Furioso, de Ariosto; deu aulas em estabelecimentos
secundários de San Miniato al Tedesco e Pistóia e, desde os vinte e cinco anos,
lecionou Literatura Italiana na Faculdade de Letras da Universidade de Bolonha;
também escreveu poemas por quase meio século — o primeiro que se tem
conservado, A Dio, um soneto a Deus, foi escrito em maio de 1848, e o último,
uma quadra, O Castelo de São Martinho, traz a data de 10 de novembro de 1902;
suas obras: em poesia: Rime (1857), Inno a Satana (1863), Levia Gravia
[1857-1870] (1868), Poesie (edição, num só volume, de Deccenalli [1860-1870],
Levia Gravia [1857-1870] e Juvenilia [1850-1857], 1871), Primavere elleniche
(1872), Nuove poesie (1873, e 2ª edição melhorada
e aumentada, 1875), Odi Barbare (primeira série, 1877), Juvenilia [1850-1857]
(edição definitiva, 1880), Nuove Odi Barbare (1882, 2ª edição melhorada e
aumentada, 1886), Ça Ira (1883), Rime Nuove (1887), Terze Odi Barbare (1889),
Rime e Ritme (1899), em prosa: Ricordi Autobiografici, Saggi e Frammenti
[1850-1907], Prose Giovanili [1851-1859], Primi Sagi [1857-1865], Poeti e
Figure del Risorgimento [1858-1901], Petrarca e Boccacio [1861-1882], Scritti
di Storia e di Erudizione [1862-1895], Dante [1864-1904], Discorsi Letterari e
Storicci [1868-1897], Leopardi e Manzoni [1873-1898], todas publicadas entre
1940 e 1942, além de outras publicações e reedições em verso e prosa; Giosuè
Carducci foi laureado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1906.