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sábado, 18 de maio de 2019

Christian Morgenstern: Nascimento da filosofia

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[traduzido por Montez Magno]

Espantada, a ovelha me olha enquanto come,
como se vira em mim o primeiro homem.
Seu olhar contagia; pasmamos; está parecendo
que pela primeira vez uma ovelha estou vendo.

Christian Morgenstern

Geburtsakt der Philosophie

Erschrocken staunt der Heide Schaf mich an,
als sähs in mir den ersten Menschenmann.
Sein Blick steckt an; wir stehen wie im Schlaf:
mir ist, ich säh zum ersten Mal ein Schaf.
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Canções da Forca  poemas do livro “Alle Galgenlieder”, Christian Morgenstern, Seleção e Transposição Poética de Montez Magno & Sebastião Uchoa Leite, Traduções Semânticas de Leonardo Duch & Rachel Valença e Prefácio/estudo de Sebastião Uchoa Leite, 1983, Roswitha Kempf Editores, São Paulo  SP; Christian Otto Josef Wolfgang Morgenstern (1871  — 1914), alemão de Munique, foi jornalista, escritor, tradutor e poeta conhecido por seus versos nonsense, ‘poesia humorística’ ou ‘absurdo literário’ para a sua época; escreveu ensaios e resenhas para periódicos alemães; consta de sua biografia que, aos vinte anos de idade, durante uma excursão com amigos a Werder, próximo a Postdam, ao passarem por uma elevação conhecida como Morro da Forca, por galhofa fundaram  o Clube da Turma da Forca, ocasião em que Morgenstern escreveu poemas grotescos, sem pensar em publicação, os quais foram musicados por um do grupo; continuando a brincadeira, com outras reuniões da Turma, entrava em curso o estilo literário do poeta; bibliografia: Galgenlieder (1905), Palmström (1910), Palma Kunkel e Der Gingganz (publicações póstumas, 1916 e 1919), Alle Galgenlieder (Todas as Canções da Forca, obras reunidas, 1932) etc.; teve poemas musicados, inspirou canções e até pinturas; editou-se em alemão suas obras completas: Lyryk 1887 — 1905 (volume 1, 1988), Lyrik 1906  1914 (volume 2, 1992), Humoristische Lyrik (volume 3, 1990), Epishers und Dramatisches (volume 4, 2001), Aphorismen (volume 5, 1987), Kritische Schriffen (volume 6, 1987), Briefwechsel 1878  1903 (volume 7, 2005), Briefwechsel 1905 — 1908 (volume 8, 2011), Briefwechsel 1909  1914 ( ... ); Christian Morgenstern conheceu outras culturas e línguas, andejou por cidades europeias (Itália, Suiça, Noruega, Áustria), invariavelmente em busca de um clima favorável à cura da tuberculose que adquirira de sua mãe, e de cuja doença também veio a falecer.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Christian Morgenstern: Uma arte humorística

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[traduzido por Montez Magno]

Korf inventa uma arte humorística
cujo efeito só depois se realiza.
Todos a escutam com infinito tédio.

Porém, como um pavio que arde em silêncio,
acorda-se à noite, de súbito, satisfeito,
feliz como um bebê sorrindo.

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Christian Morgenstern

Korf erfindet eine Art von Witzen

Korf erfindet eine Art von Witzen,
die erst viele Stunden später wirken.
Jeder hört sie an mit Langerweile.

Doch als hätt ein Zunder still geglommen,
wird man nachts im Bette plötzlich munter,
selig lächelnd wie ein satter Säugling.
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Canções da Forca — poemas do livro “Alle Galgenlieder”, Christian Morgenstern, Seleção e Transposição Poética de Montez Magno & Sebastião Uchoa Leite, Traduções Semânticas de Leonardo Duch & Rachel Valença e Prefácio/estudo de Sebastião Uchoa Leite, 1983, Roswitha Kempf Editores, São Paulo — SP; Christian Otto Josef Wolfgang Morgenstern (1871 1914), alemão de Munique, foi jornalista, escritor, tradutor e poeta conhecido por seus versos nonsense, ‘poesia humorística’ ou ‘absurdo literário’ para a sua época; escreveu ensaios e resenhas para periódicos alemães; consta de sua biografia que, aos vinte anos de idade, durante uma excursão com amigos a Werder, próximo a Postdam, ao passarem por uma elevação conhecida como Morro da Forca, por galhofa fundaram  o Clube da Turma da Forca, ocasião em que Morgenstern escreveu poemas grotescos, sem pensar em publicação, os quais foram musicados por um do grupo; continuando a brincadeira, com outras reuniões da Turma, entrava em curso o estilo literário do poeta; bibliografia: Galgenlieder (1905), Palmström (1910), Palma Kunkel e Der Gingganz (publicações póstumas, 1916 e 1919), Alle Galgenlieder (Todas as Canções da Forca, obras reunidas, 1932) etc.; teve poemas musicados, inspirou canções e até pinturas; editou-se em alemão suas obras completas: Lyryk 1887 — 1905 (volume 1, 1988), Lyrik 1906 — 1914 (volume 2, 1992), Humoristische Lyrik (volume 3, 1990), Epishers und Dramatisches (volume 4, 2001), Aphorismen (volume 5, 1987), Kritische Schriffen (volume 6, 1987), Briefwechsel 1878 — 1903  (volume 7, 2005), Briefwechsel 1905 — 1908 (volume 8, 2011), Briefwechsel 1909 — 1914 ( ... ); Christian Morgenstern conheceu outras culturas e línguas, andejou por cidades europeias (Itália, Suiça, Noruega, Áustria), invariavelmente em busca de um clima favorável à cura da tuberculose que adquirira de sua mãe e de cuja doença também veio a falecer.

quinta-feira, 21 de março de 2019

Christian Morgenstern: Vice-versa

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[traduzido por Montez Magno]

Um coelho parou no descampado
certo de que não fora notado.

Porém, segurando um óculos de alcance
um homem observa a cada lance

do alto de um monte atentamente
o orelhudo anão à sua frente.

Por sua vez ele é visto sobretudo
por um Deus distante, meigo e mudo.

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Christian Morgenstern
Vice Versa

Ein Hase sitzt auf einer Wiese,
des Glaubens, niemand sähe diese.

Doch, im Besitze eines Zeisses,
betrachtet voll gehaltnen Fleisses

vom vis-à-vis gelegnen Berg
ein Mensch den kleinen Löffelzwerg.

Ihn aber blickt hinwiederum
ein Gott von fern an, mild und stumm.
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Canções da Forca — poemas do livro “Alle Galgenlieder”, Christian Morgenstern, Seleção e Transposição Poética de Montez Magno & Sebastião Uchoa Leite, Traduções Semânticas de Leonardo Duch & Rachel Valença e Prefácio/estudo de Sebastião Uchoa Leite, 1983, Roswitha Kempf Editores, São Paulo — SP; Christian Otto Josef Wolfgang Morgenstern (1871 1914), alemão de Munique, foi jornalista, escritor, tradutor e poeta conhecido por seus versos nonsense, ‘poesia humorística’ ou ‘absurdo literário’ para a sua época; escreveu ensaios e resenhas para periódicos alemães; consta de sua biografia que, aos vinte anos de idade, durante uma excursão com amigos a Werder, próximo a Postdam, ao passarem por uma elevação conhecida como Morro da Forca, por galhofa fundaram  o Clube da Turma da Forca, ocasião em que Morgenstern escreveu poemas grotescos, sem pensar em publicação, os quais foram musicados por um do grupo; continuando a brincadeira, com outras reuniões da Turma, entrava em curso o estilo literário do poeta; bibliografia:  Galgenlieder (1905), Palmström (1910), Palma Kunkel e Der Gingganz (publicações póstumas, 1916 e 1919), Alle Galgenlieder (Todas as Canções da Forca, obras reunidas, 1932) etc.; teve poemas musicados, inspirou canções e até pinturas; editou-se em alemão suas obras completas: Lyryk 1887 — 1905 (volume 1, 1988), Lyrik 1906 — 1914 (volume 2, 1992), Humoristische Lyrik (volume 3, 1990), Epishers und Dramatisches (volume 4, 2001), Aphorismen (volume 5, 1987), Kritische Schriffen (volume 6, 1987), Briefwechsel 1878 — 1903  (volume 7, 2005), Briefwechsel 1905 — 1908 (volume 8, 2011),  Briefwechsel 1909 — 1914 ( ... ); Christian Morgenstern conheceu outras culturas e línguas, andejou por cidades europeias (Itália, Suiça, Noruega, Áustria), invariavelmente em busca de um clima favorável à cura da tuberculose que adquirira de sua mãe, e de cuja doença também veio a falecer.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Christian Morgenstern: As placas

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[traduzido por Montez Magno]

Não se deve zombar das placas que trazem
uma mão mostrando o que ali fazem;

o nome de um bar que atrai o freguês,
os regulamentos que a polícia fez.

Elas são, se nada mais fala neste vasto mundo,
um maravilhoso exemplo, justo e profundo:

sua modesta presença é uma lição de cultura:
aqui reina o homem, não mais o urso e o miúra.

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Christian Morgenstern

Die Tafeln

Man soll nichts gegen jene Tafeln sagen,
die eine Hand an ihrer Stirne tragen,

den Namen einer Schenke nahebei,
den Paragraphen einer Polizei.

Sie sind, wenn sonst nichts spricht im weiten Land,
ein wundervoller justiger Verstand.

Bescheiden zeugt ihr Dasein von Kultur:
Hier herrscht der Mensch  und nicht mehr Bär und Ur.
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Canções da Forca — poemas do livro “Alle Galgenlieder”, Christian Morgenstern, Seleção e Transposição Poética de Montez Magno & Sebastião Uchoa Leite, Traduções Semânticas de Leonardo Duch & Rachel Valença e Prefácio/estudo de Sebastião Uchoa Leite, 1983, Roswitha Kempf Editores, São Paulo — SP; Christian Otto Josef Wolfgang Morgenstern (1871 1914), alemão de Munique, foi jornalista, escritor, tradutor e poeta conhecido por seus versos nonsense, ‘poesia humorística’ ou ‘absurdo literário’ para a sua época; escreveu ensaios e resenhas para periódicos alemães; consta de sua biografia que, aos vinte anos de idade, durante uma excursão com amigos a Werder, próximo a Postdam, ao passarem por uma elevação conhecida como Morro da Forca, por galhofa fundaram o Clube da Turma da Forca, ocasião em que Morgenstern escreveu poemas grotescos, sem pensar em publicação, os quais foram musicados por um do grupo; continuando a brincadeira, com outras reuniões da Turma, entrava em curso o estilo literário do poeta; bibliografia:  Galgenlieder (1905), Palmström (1910), Palma Kunkel e Der Gingganz (publicações póstumas, 1916 e 1919), Alle Galgenlieder (Todas as Canções da Forca, obras reunidas, 1932) etc.; teve poemas musicados, inspirou canções e até pinturas; editou-se em alemão suas obras completas: Lyryk 1887 — 1905 (volume 1, 1988), Lyrik 1906 — 1914 (volume 2, 1992), Humoristische Lyrik (volume 3, 1990), Epishers und Dramatisches (volume 4, 2001), Aphorismen (volume 5, 1987), Kritische Schriffen (volume 6, 1987), Briefwechsel 1878 — 1903  (volume 7, 2005), Briefwechsel 1905 — 1908 (volume 8, 2011),  Briefwechsel 1909 — 1914 ( ... ); Christian Morgenstern conheceu outras culturas e línguas, andejou por cidades europeias (Itália, Suiça, Noruega, Áustria), invariavelmente em busca de um clima favorável à cura da tuberculose que adquirira de sua mãe, e de cuja doença também veio a falecer.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Christian Morgenstern: A balança

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[traduzido por Montez Magno]

Korf saiu-se bem ao construir
uma musical balança personalizada,
quilo por quilo em carrilhão anunciada.

Cada corpo é medido por seu timbre;
mesmo o recém-nascido, o menor ser, se ouve
em um sino de prata preso ao cimbre.

Apenas von Korf nenhum som emite,
sendo (como se sabe) inexistente, no tino
dos pesados burgueses da elite.

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Die Waage

Korfen glückt die Konstruierung einer
musikalischen Personenwaage,
Pfund für Pfund mit Glockenspielansage.

Jeder Leib wird durch sein Lied bestimmt;
selbst der kleinste Mensch, anitzt geboren,
silberglöckig seine Last vernimmt.

Nur v. Korf entfesselt keine Weise,
als (man weiss) nichtexistent im Sinn
abwägbarer bürgerlicher Kreise.
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Canções da Forca — poemas do livro “Alle Galgenlieder”, Christian Morgenstern, Seleção e Transposição Poética de Montez Magno & Sebastião Uchoa Leite, Traduções Semânticas de Leonardo Duch & Rachel Valença e Prefácio/estudo de Sebastião Uchoa Leite, 1983, Roswitha Kempf Editores, São Paulo — SP; Christian Otto Josef Wolfgang Morgenstern (1871 1914), alemão de Munique, foi jornalista, escritor, tradutor e poeta conhecido por seus versos nonsense, ‘poesia humorística’ ou ‘absurdo literário’ para a sua época; escreveu ensaios e resenhas para periódicos alemães; consta de sua biografia que, aos vinte anos de idade, durante uma excursão com amigos a Werder, próximo a Postdam, ao passarem por uma elevação conhecida como Morro da Forca, por galhofa fundaram  o Clube da Turma da Forca, ocasião em que Morgenstern escreveu poemas grotescos, sem pensar em publicação, os quais foram musicados por um do grupo; continuando a brincadeira, com outras reuniões da Turma, entrava em curso o estilo literário do poeta; bibliografia: Galgenlieder (1905), Palmström (1910), Palma Kunkel e Der Gingganz (publicações póstumas, 1916 e 1919), Alle Galgenlieder (Todas as Canções da Forca, obras reunidas, 1932) etc.; teve poemas musicados, inspirou canções e até pinturas; editou-se em alemão suas obras completas: Lyryk 1887 — 1905 (volume 1, 1988), Lyrik 1906 — 1914 (volume 2, 1992), Humoristische Lyrik (volume 3, 1990), Epishers und Dramatisches (volume 4, 2001), Aphorismen (volume 5, 1987), Kritische Schriffen (volume 6, 1987), Briefwechsel 1878 — 1903  (volume 7, 2005), Briefwechsel 1905 — 1908 (volume 8, 2011), Briefwechsel 1909 — 1914 ( ... ); Christian Morgenstern conheceu outras culturas e línguas, andejou por cidades europeias (Itália, Suiça, Noruega, Áustria), invariavelmente em busca de um clima favorável à cura da tuberculose que adquirira de sua mãe e de cuja doença também veio a falecer.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Christian Morgenstern: Sobre a leitura de jornal

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[traduzido por Sebastião Uchoa Leite]

Korf vê sempre gente aflita pela manhã
com os ditos conflitos mundiais. E clama:
“Leiam os jornais de depois de amanhã.

Quando os diplomatas rugem na primavera
deve-se, apenas, folhear os jornais de outono,
e vê-se, aí, no que a disputa dera.

Exatamente oposto é o hábito difuso:
se assim não fosse, o que seria do ‘agora’!
Mas, de facto, é mera questão de uso”.

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Vom zeitungslesen

Korf trifft oft Bekannte, die voll von Sorgen
wegen der sogenannten Völkerhändel. Er rät:
“Lesen Sie doch die Zeitung von übermorgen.

Wenn die Diplomaten im Frühling raufen,
nimmt man einfach ein Blatt vom Herbst zur Hand
und ersieht daraus, wie alles abgelaufen.

Freilich pflegt man es umgekehert zu machen,
und wo käme die “Jetztzeit” den sonst auch hin!
Doch de facto sind das nur Usus-Sachen.”
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Canções da Forca — poemas do livro “Alle Galgenlieder”, Christian Morgenstern, Seleção e Transposição Poética de Montez Magno & Sebastião Uchoa Leite, Traduções Semânticas de Leonardo Duch & Rachel Valença e Prefácio/estudo de Sebastião Uchoa Leite, 1983, Roswitha Kempf Editores, São Paulo — SP; Christian Otto Josef Wolfgang Morgenstern (1871 1914), alemão de Munique, foi jornalista, escritor, tradutor e poeta conhecido por seus versos nonsense, ‘poesia humorística’ ou ‘absurdo literário’ para a sua época; escreveu ensaios e resenhas para periódicos alemães; consta de sua biografia que, aos vinte anos de idade, durante uma excursão com amigos a Werder, próximo a Postdam, ao passarem por uma elevação conhecida como Morro da Forca, por galhofa fundaram  o Clube da Turma da Forca, ocasião em que Morgenstern escreveu poemas grotescos, sem pensar em publicação, os quais foram musicados por um do grupo; continuando a brincadeira, com outras reuniões da Turma, entrava em curso o estilo literário do poeta; bibliografia: Galgenlieder (1905), Palmström (1910), Palma Kunkel e Der Gingganz (publicações póstumas, 1916 e 1919), Alle Galgenlieder (Todas as Canções da Forca, obras reunidas, 1932) etc.; teve poemas musicados, inspirou canções e até pinturas; editou-se em alemão suas obras completas: Lyryk 1887 — 1905 (volume 1, 1988), Lyrik 1906 — 1914 (volume 2, 1992), Humoristische Lyrik (volume 3, 1990), Epishers und Dramatisches (volume 4, 2001), Aphorismen (volume 5, 1987), Kritische Schriffen (volume 6, 1987), Briefwechsel 1878 — 1903  (volume 7, 2005), Briefwechsel 1905 — 1908 (volume 8, 2011),  Briefwechsel 1909 — 1914 ( ... ); Christian Morgenstern conheceu outras culturas e línguas, andejou por cidades europeias (Itália, Suiça, Noruega, Áustria), invariavelmente em busca de um clima favorável à cura da tuberculose que adquirira de sua mãe e de cuja doença também veio a falecer.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Christian Morgenstern: Korf inventa uma lanterna diurnoturna

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[traduzido por Montez Magno]

Korf inventa uma lanterna
diurnoturna; quando acende
até o dia mais claro
em noite é convertido.

Ao mostrá-la na parte interna
do teatro, a um público preclaro,
ninguém que à exposição assiste
ignora o que se pretende 

(torna-se noite o dia claro 
e uma ovação sacode o prédio;
chamam o vigilante, o sr. Berna:
“acenda a luz!”) que se pretende

de fato, que a curiosa lanterna,
no ato, quando acende
até o dia mais claro
em noite é convertido.

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Die Tagnachtlampe

Korf erfindet eine Tagnachtlampe,
die, sobald sie angedreht,
selbst den hellsten Tag
in Nacht verwandelt.

Als er sie vor des Kongresses Rampe
demonstriert, vermag
niemand, der sein Fach versteht,
zu verkennen, daß es sich hier handelt 

(Finster wird's am hellerlichten Tag,
und ein Beifallssturm das Haus durchweht)
(Und man ruft dem Diener Mampe:
“Licht anzünden!”)  dass es sich hier handelt

um das Faktum: dass gedachte Lampe,
in der Tat, wenn angedreht,
selbst den hellsten Tag
in Nacht verwandelt.
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Canções da Forca — poemas do livro “Alle Galgenlieder”, Christian Morgenstern, Seleção e Transposição Poética de Montez Magno & Sebastião Uchoa Leite, Traduções Semânticas de Leonardo Duch & Rachel Valença e Prefácio/estudo de Sebastião Uchoa Leite, 1983, Roswitha Kempf Editores, São Paulo — SP; Christian Otto Josef Wolfgang Morgenstern (1871 1914), alemão de Munique, foi jornalista, escritor, tradutor e poeta conhecido por seus versos nonsense, ‘poesia humorística’ ou ‘absurdo literário’ para a sua época; escreveu ensaios e resenhas para periódicos alemães; consta de sua biografia que, aos vinte anos de idade, durante uma excursão com amigos a Werder, próximo a Postdam, ao passarem por uma elevação conhecida como Morro da Forca, por galhofa fundaram o Clube da Turma da Forca, ocasião em que Morgenstern escreveu poemas grotescos, sem pensar em publicação, os quais foram musicados por um do grupo; continuando a brincadeira, com outras reuniões da Turma, entrava em curso o estilo literário do poeta; bibliografia: Galgenlieder (1905), Palmström (1910), Palma Kunkel e Der Gingganz (publicações póstumas, 1916 e 1919), Alle Galgenlieder (Todas as Canções da Forca, obras reunidas, 1932) etc.; teve poemas musicados, inspirou canções e até pinturas; editou-se em alemão suas obras completas: Lyryk 1887 — 1905 (volume 1, 1988), Lyrik 1906 — 1914 (volume 2, 1992), Humoristische Lyrik (volume 3, 1990), Epishers und Dramatisches (volume 4, 2001), Aphorismen (volume 5, 1987), Kritische Schriffen (volume 6, 1987), Briefwechsel 1878 — 1903  (volume 7, 2005), Briefwechsel 1905 — 1908 (volume 8, 2011), Briefwechsel 1909 — 1914 ( ... ); Christian Morgenstern conheceu outras culturas e línguas, andejou por cidades europeias (Itália, Suiça, Noruega, Áustria), invariavelmente em busca de um clima favorável à cura da tuberculose que adquirira de sua mãe e de cuja doença também veio a falecer.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Christian Morgenstern: O papagaio

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[traduzido por Sebastião Uchoa Leite]

Era uma vez um papagaio
que a Criação presenciou no ensaio
e aprendeu certo na devida lavra
do primeiro homem a primeira palavra.

A primeira palavra foi o A
que significa tudo que há:
p. ex. peixe, p. ex. o Norte,
p. ex. a vida ou a morte.

Só após muitas neves viver
pulou o homem do A para o B
e depois o L e depois X
e enfim Z, no fim do giz.

De boa memória como ninguém
ficou mais velho que Matusalém
o papagaio, preso ao bico
o primeiro vocábulo tão rico.

Bateu enfim também as botas.
Mas o seu busto em terracota
refulge, com um A Verde-Radial,
no Museu Histórico Nacional.

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Der Papagei

Es war einmal ein Papagei,
der war beim Schöpfungsakt dabei
und lernte gleich am rechten Ort
des ersten Menschen erstes Wort.

Des Menschen erstes Wort war A
und hiess fast alles, was er sah,
z. B. Fisch, z. B. Brod,
z. B. Leben oder Tod.

Erst nach Jahrhunderten voll Schnee
erfand der Mensch zum A das B
und dann das L und dann das Q
und schliesslich noch das Z dazu.

Gedachter Papagei indem
ward älter als Methusalem,
bewahrend treu in Brust und Schnabel
die erste menschliche Vokabel.

Zum Schlusse starb auch er am Zips.
Doch heut noch steht sein Bild in Gips,
geschmückt mit einem grünen A,
im Staatsschatz zu Ekbatana.
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Canções da Forca — poemas do livro “Alle Galgenlieder”, Christian Morgenstern, Seleção e Transposição Poética de Montez Magno & Sebastião Uchoa Leite, Traduções Semânticas de Leonardo Duch & Rachel Valença e Prefácio/estudo de Sebastião Uchoa Leite, 1983, Roswitha Kempf Editores, São Paulo — SP; Christian Otto Josef Wolfgang Morgenstern (1871 1914), alemão de Munique, foi jornalista, escritor, tradutor e poeta conhecido por seus versos nonsense, ‘poesia humorística’ ou ‘absurdo literário’ para a sua época; escreveu ensaios e resenhas para periódicos alemães; consta de sua biografia que, aos vinte anos de idade, durante uma excursão com amigos a Werder, próximo a Postdam, ao passarem por uma elevação conhecida como Morro da Forca, por galhofa fundaram o Clube da Turma da Forca, ocasião em que Morgenstern escreveu poemas grotescos, sem pensar em publicação, os quais foram musicados por um do grupo; continuando a brincadeira, com outras reuniões da Turma, entrava em curso o estilo literário do poeta; bibliografia:  Galgenlieder (1905), Palmström (1910), Palma Kunkel e Der Gingganz (publicações póstumas, 1916 e 1919), Alle Galgenlieder (Todas as Canções da Forca, obras reunidas, 1932) etc.; teve poemas musicados, inspirou canções e até pinturas; editou-se em alemão suas obras completas: Lyryk 1887 — 1905 (volume 1, 1988), Lyrik 1906 — 1914 (volume 2, 1992), Humoristische Lyrik (volume 3, 1990), Epishers und Dramatisches (volume 4, 2001), Aphorismen (volume 5, 1987), Kritische Schriffen (volume 6, 1987), Briefwechsel 1878 —  1903 (volume 7, 2005), Briefwechsel 1905 — 1908 (volume 8, 2011),  Briefwechsel 1909 — 1914 ( ... ); Christian Morgenstern conheceu outras culturas e línguas, andejou por cidades europeias (Itália, Suiça, Noruega, Áustria), invariavelmente em busca de um clima favorável à cura da tuberculose que adquirira de sua mãe, e de cuja doença também veio a falecer.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Christian Morgenstern: A caneta que transporta cultura

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[traduzido por Sebastião Uchoa Leite]

Burguês Idílio, ou fábula-cometa
surge, ao levar-se ao bolso uma caneta.

Pois, espetada a capricho, ela aponta
direto e acima uma dourada ponta.

Se em quatro pés ficasse como bicho
a seiva se esvairia num esguicho.

Leva a caneta em ponta (Eis o trato:
para que não caias nunca de quatro).

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Der Kulturbefördernde Füll

Ein wünschbar bürgerlich Idyll
erschafft, wenn du ihn trägst, der Füll.

Er kehrt, nach Vorschrift aufgehoben,
die goldne Spitze stets nach oben.

Wärst du ein Tier und sprängst auf vieren,
er würde seinen Saft verlieren.

Trag einen Füll drum! (Du verstehst:
Damit du immer aufrecht gehst.)
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Canções da Forca — poemas do livro “Alle Galgenlieder”, Christian Morgenstern, Seleção e Transposição Poética de Montez Magno & Sebastião Uchoa Leite, Traduções Semânticas de Leonardo Duch & Rachel Valença e Prefácio/estudo de Sebastião Uchoa Leite, 1983, Roswitha Kempf Editores, São Paulo — SP; Christian Otto Josef Wolfgang Morgenstern (1871 1914), alemão de Munique, foi jornalista, escritor, tradutor e poeta conhecido por seus versos nonsense, ‘poesia humorística’ ou ‘absurdo literário’ para a sua época; escreveu ensaios e resenhas para periódicos alemães; consta de sua biografia que, aos vinte anos de idade, durante uma excursão com amigos a Werder, próximo a Postdam, ao passarem por uma elevação conhecida como Morro da Forca, por galhofa fundaram  o Clube da Turma da Forca, ocasião em que Morgenstern escreveu poemas grotescos, sem pensar em publicação, os quais foram musicados por um do grupo; continuando a brincadeira, com outras reuniões da Turma, entrava em curso o estilo literário do poeta; bibliografia: Galgenlieder (1905), Palmström (1910), Palma Kunkel e Der Gingganz (publicações póstumas, 1916 e 1919), Alle Galgenlieder (Todas as Canções da Forca, obras reunidas, 1932) etc.; teve poemas musicados, inspirou canções e até pinturas; editou-se em alemão suas obras completas: Lyryk 1887 — 1905 (volume 1, 1988), Lyrik 1906 — 1914 (volume 2, 1992), Humoristische Lyrik (volume 3, 1990), Epishers und Dramatisches (volume 4, 2001), Aphorismen (volume 5, 1987), Kritische Schriffen (volume 6, 1987), Briefwechsel 1878 — 1903  (volume 7, 2005), Briefwechsel 1905 — 1908 (volume 8, 2011),  Briefwechsel 1909 — 1914 ( ... ); Christian Morgenstern conheceu outras culturas e línguas, andejou por cidades europeias (Itália, Suiça, Noruega, Áustria), invariavelmente em busca de um clima favorável à cura da tuberculose que adquirira de sua mãe, e de cuja doença também veio a falecer.