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PRS = prosa
PM = poema
TXT = texto
VRS = verso
Texto notou os escritos em prosa
que se espalhavam sobre sua mesa. O escritor não gostou. Sua PRS hoje soltava uma
tinta vermelha e cheirava a álcool. TXT precisava criar uma lauda e meia por
dia. Já havia algum tempo que tinha essa obrigação.
Admirava PMs em prosa nas mãos de
um sr. Rimbaud e um tal sr. K tivera PRS rascunhada em papéis e brumas que
falavam de muralhas, castelos, ratos e aldeões. Para os melhores VRS escolhera
Pessoa, de pessimismo concentrado que levou Carneiro ao suicídio em noite de
mágoas parisiense.
TXT para sondar o PM perguntou: — Um lance de dados, quem
escreveu? — Eu sei quem
lançou. — Bah! — O Castelo de cartas de Kafka,
quem empilhou?
Teria que escolher palavras que
fossem à página como uma matriz ao molde. Era sempre assim, tantas linhas,
tantos toques. Um quadro na moldura. Mais do que isto, soldados gutemberguianos
parados sobre o próprio chumbo. Mallarmé na ponta do abismo arriscaria: “um
lance de dados jamais abolirá o acaso”. A página branca faísca como nunca na
rampa de onde os dados vão rolar. Sorte ou azar, teria que ser. Sem opção, ela
vai atraindo todas as palavras, conjunções alheias, verbos em substantivos vivos ou em farrapos, esparadrapos com
preposições. Farelos de outras categorias mal-saídas da forja. Era iminente o
choque. Sintaxe x dicionário.
Naquele dia o escritor não
conseguia equacionar nada. Palavras fugiam rompidas, deslizavam pela beirada
lisa do papel ou se escondiam na banda escura de uma folha que tinha a ponta
alevantada. TXT não esperava tanto. Pensou: o poema é um lance de dados, a
prosa, o vivenciar dos dados na rampa do lançamento. Após o toque no
sintetizador de textimagens, TXT viu as palavras chegarem de todos os lados
cada vez mais rapidamente. Juntavam-se e subiam na mesa monstros-palavrões que
penetravam nos papéis e aderiam aos objetos da sala, num sistema tático de
ocupação total. Num instante a sala viu-se invadida por sílabas e letras, palavras
e números de vários tamanhos e formatos.
TXT entrou em parafuso. Sua cabeça
doía muito e fundo, mas num certo prazo tudo pareceu estancar, e da tela do
vídeo jorrou então um clip-poema, qual uma sinfonia de poder dominador, e TXT
dormiu como se aquela máquina fosse capaz de engendrar o sono dentro de sua própria
paz.
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Marginais do Pomba [diversas autorias], contos, crônicas &
etc., Apresentação de Ronaldo Werneck, 1ª edição, Fundação Cultural Francisco Inácio
Peixoto, 1985, Reproarte, Cataguases — MG; Joaquim Branco Ribeiro Filho, nascido
em 1940, mineiro e cataguasense, formou-se em Direito pela UERJ — Universidade Estadual
do Rio de Janeiro, em Letras pela FIC — Faculdades Integradas de Cataguases, mestrado
em Literatura Brasileira pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora — MG e doutorado
em Literatura Comparada pela UERJ, além de ter atuado como bancário do Banco do
Brasil em várias agências mineiras e no Rio de Janeiro, e ali se aposentado, foi professor universitário, lecionou por 17 anos nas Faculdades Integradas de Cataguases, é poeta,
cronista, contista, crítico literário e pesquisador; suas obras: Concreções
da fala (poemas, 1969), Consumito (poemas, 1975), Laser para lazer (poemas, 1984),
500 anos do descobrimento da América (1993), O caça-palavras (poemas, 1997), Do
pré ao pós-moderno (manual de literatura, 1998), Ascânio, o poeta da Verde ([várias
autorias], homenagem a Ascânio Lopes, 1998), Recr(e,i)ações críticas (artigos críticos,
1999), Passagem para a Modernidade (2002), O menino que procurava o reino da poesia
(narrativa de ficção, 2005), Verdes Vozes Modernistas (crítica literária, 2006),
Totem e as vanguardas dos anos 1960/70 (crítica literária, 2009, 1ª reimpressão,
2013), Janelas de Leitura (vários temas, 2010), Zona de Conflito (poemas, 2024),
etc.; colaborou publicando seus textos em jornais e revistas no Brasil (Jornal do
Brasil, Tribuna da Imprensa, Suplemento Literário de Minas Gerais, ...) e no exterior;
Joaquim Branco participou de edições dos jornais O Muro, SLD — Suplemento de Literatura
e Difusão e Totem; recebeu premiações por sua obra; atualmente reside em Cataguases.