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Feeria nupcial! A neve, a neve,
alegrissimamente vai caindo.
A nossa dor é um elfo que nos
segue:
tudo cristalizou num riso lindo.
Lembra um conto de fadas a
paisagem:
Jardins e parques, casas, estão
dormindo;
e no seu sonho, pueril miragem,
a neve vai caindo, vai caindo.
Mas que jardins se esfolham pela
altura?…
É a espuma dum mar pr’além das
nuvens
ou um Outono místico de alvura?…
É um Abril de pureza: — é lindo,
lindo!
Sinto-me estonteado de brancura:
os mortos mesmo devem estar
sorrindo.
Poesias — 1942
Poesia Simbolista
— Literatura Portuguesa [vários poetas], Seleção, Introdução, Traços Biobibliográficos
e Notas de Álvaro Cardoso Gomes, 1986, Global Editora, São Paulo — SP; Antônio
Patrício (1876 — 1930), português do Porto, estudou Matemática, cursou a Escola
Naval, formou-se em Medicina sem nunca exercer a profissão, dedicou-se à
carreira diplomática e foi escritor, poeta, contista e dramaturgo; foi colaborador
das revistas Águia, Arte & Vida, Atlântida e Contemporânea; obras: Oceano
(poesias, 1905), Serão Inquieto (contos, 1910) e Poesias (edição póstuma, 1942);
para o teatro, produziu O Fim (1909), Pedro o Cru (1918), Dinis e Isabel
(1919) e D. João e a Máscara (1924); deixou várias obras inéditas.

