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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

João Batista Prata: Suicídio

232 Poetas Paulistas - Antologia Pedro De Alcântara Worms
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A Tentação me trouxe até o Viaduto.
E aqui estou, afinal, desiludido,
Alma exânime, o coração vencido,
Sob o império de um pensamento abrupto.

Seduz-me estranha voz ao meu ouvido:
 “Vamos, salte! Decida o seu minuto!
Amor? Ora, isso um caso já perdido.
Ela não chorará, nem porá luto.”

Eis que surges, Amada! E me enobrece
Teu pulcro olhar, como se me dissesse:
 “Que fazes, poeta? Que é que estás pensando?”

Quanto é o amor mais forte que Satã!
E a Tentação se afasta, disfarçando:
 “Bem. Eu vou indo, sabe? Até amanhã!”

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232 Poetas Paulistas — Antologia, por Pedro de Alcântara Worms, 1968, Editora Conquista, Rio de Janeiro — RJ; João Batista Prata ou J. Prata (1904 1955), paulista de Capivari, autodidata, foi jornalista e poeta; desde jovem atuou na imprensa capivariana A Gazeta de Capivari, A Cidade, O Município, Capivari Jornal, Correio Paroquial (hoje Correio de Capivari), tendo sido redator, diretor e até mesmo fundador, no caso deste último; redigiu também para o Correio da Semana e Correio da Noroeste (Bauru), Correio da Sorocabana (Botucatu), além de ter sido colaborador de O Progresso (Rafard) e O Tempo (São Paulo); escreveu e publicou Pétalas (poesias, 1926), O município e Últimas Românticas (1947); postumamente, a Prefeitura de Capivari fez publicar Culto interior (1957); foi autor de peças teatrais e do hino capivariano.