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Fui encontrar no chão, abandonada,
certa gravata que te dei outrora
e que, por estar feia e desbotada,
deitaste a um canto quando foste
embora.
Ela foi como eu fui, a ti ligada,
por um abraço já desfeito agora.
Foi como eu fui, um dia desprezada.
Não tive jeito de jogá-la fora.
Gostaste dela e dela desgostaste...
Guardo-a comigo, então. Pois, em
verdade,
sou também coisa que tu rejeitaste.
Hoje não sou mais uma, somos duas,
e valemos nas horas de saudade
pobres gravatas que já foram tuas.
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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco
de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987,
Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Benedita de Melo Amaral (1906
— 1991), pernambucana de Vicência, cega de nascença, fez seus cursos no Instituto
Benjamin Constant (antigo Imperial Instituto dos Meninos Cegos) no Rio de Janeiro,
onde também lecionou português, foi professora, poetisa e escritora; obras: Lanterna Acesa (1939), Sol nas Trevas (1944), Versos do Meu Brasil
(1945), Luz Interior (1972), Lâmpadas Coloridas (1984); hoje o Instituto Benjamin
Constant é centro de referência nacional para questões relativas à deficiência visual
e, além da escola, capacita profissionais da área da deficiência visual, assessora
escolas e instituições em geral e oferece reabilitação física; consta que o nome
de batismo da poetisa fosse Benedicta de Mello.






