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Quanto eu te amava, oh! rústico
instrumento
Tu que as mágoas, as dores
alivias
Da sertaneja, em mansas
melodias,...
Inda hoje me vens ao
pensamento!...
Puro e bom despertava o
sentimento,
A alma dourando, como doura os
dias
O sol — nosso conviva... e tu
vertias
Teus gemidos sutis todos ao
vento...
Companheira querida das
matutas,
Confidente fiel de seus
desejos,
De seus sonhos de amor,
serenas lutas,
Como és boa da roça nos
festejos,
Quando as morenas lânguidas,
astutas,...
Amam pela prima o som dos beijos!...

Sonetos Brasileiros — Séculos XVII ao XX, Coletânea organizada por Laudelino Freire, 1929, F. Briguiet & Cia. Editores, Rio de Janeiro — RJ; Silvio Vasconcelos da Silveira Ramos Romero (1851 — 1914), sergipano de Lagarto, com bacharelado pela Faculdade de Direito do Recife, foi advogado, jornalista, crítico literário, ensaísta, poeta, historiador, filósofo, sociólogo, cientista político, escritor, professor e político; colaborou como crítico literário em vários periódicos pernambucanos e cariocas; no Rio de Janeiro, lecionou Filosofia no Colégio Pedro II e fez parte do corpo docente da Faculdade Livre de Direito e da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais; suas obras: Cantos do fim do século (poesias, 1878), A filosofia no Brasil (1878), Interpretação filosófica dos fatos históricos (1880), A literatura brasileira e a crítica moderna. Ensaio de generalização (1880), Introdução à História da literatura brasileira (1882), Últimos Harpejos (poesias, 1883), Estudos de Literatura Contemporânea (1885), Contos populares do Brasil (1885), Estudos sobre a poesia popular do Brasil (1888), A filosofia e o ensino secundário (1889), Machado de Assis (1897), Martins Pena (1901), Parnaso sergipano (2 volumes, 1904), Evolução da literatura brasileira (1905), Zeverissimações ineptas da crítica (1909), e tantos outros títulos relacionados à crítica e estudos literários, cultura popular, história, filosofia, política e sociologia; Silvio Romero foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.