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[traduzido por Valentim Magalhães]
No colégio
Há
meninos nas escolas,
Sempre
banhados em pranto;
Os outros
às cabriolas,
Eles — quietinhos num canto.
As blusas
— sempre decentes
As calças
— em bom estado.
Os
sapatos — reluzentes,
Um ar
sério e delicado.
Os
colegas mais idosos
Os
chamam, rindo — meninas!
E os
perseguem, maliciosos
Com suas
troças ferinas.
Se os
seus brinquedos lhes pedem,
Aos seus
pedidos instantes
Bolas,
piões, tudo cedem:
Não hão
de ser negociantes.
Se o mestre
os olha — estremecem:
Temem-lhe a sombra, assustados...
Melhor fôra não nascessem:
A infância os faz desgraçados.
Verdadeiro inferno a classe;
E a lição? duro inimigo!
E se o mestre lhes ralhasse?!
E a vergonha do castigo?!
Quantos martírios! De dia,
É o sino rouco, medonho!
E à noite a mudez sombria
Do dormitório tristonho.
Nos lençóis bate e esmorece
O baço clarão das lampas;
Todos ressonam: parece
O vento a gemer nas campas.
E todos dormem, afeitos
A esse dormir de caserna;
Porém eles, nos seus leitos,
Pensam na casa paterna.
E no domingo, — coitados!
Lembram o tempo saudoso
Em que dormiam, deitados
Em fofo berço amoroso.
Sob os maternos carinhos,
E as mães, que o sono velavam,
Iam tirá-los dos ninhos:
Pra suas camas os passavam.
Oh! Mães, culpadas ausentes!
Em um desterro infinito
Lhes pareceis. A estes entes
Falta o vosso olhar bendito.
Ingratas! Eles, chorando,
Pensam em vós. E, de bruços,
O travesseiro abraçando,
Abafam nele os soluços.
(Esta tradução, datada de 188,.
consta do livro Rimário,
Paris, 1900.), em Nota do tradutor Mello Nóbrega.
Première solitude
On voit dans les sombres écoles
Des petits qui pleurent toujours;
Les autres font leurs cabrioles,
Eux, ils restent au fond des cours.
Leurs blouses sont très bien
tirées,
Leurs pantalons en bon état,
Leurs chaussures toujours cirées;
Ils ont l’air sage et délicat.
Les forts les appellent des filles,
Et les malins des innocents:
Ils sont doux, ils donnent leurs
billes,
Ils ne seront pas commerçants.
Les plus poltrons leur font des
niches,
Et les gourmands sont leurs copains;
Leurs camarades les croient riches,
Parce qu’ils se lavent les mains.
Ils frissonnent sous l’œil du
maître,
Son ombre les rend malheureux.
Ces enfants n’auraient pas dû
naître,
L’enfance est trop dure pour eux!
Oh! La leçon qui n’est pas sue,
Le devoir qui n’est pas fini!
Une réprimande reçue,
Le déshonneur d’être puni!
Tout leur est terreur et martyre:
Le jour, c’est la cloche, et, le
soir,
Quand le maître enfin se retire,
C’est le désert du grand dortoir;
La lueur des lampes y tremble
Sur les linceuls des lits de fer;
Le sifflet des dormeurs ressemble
Au vent sur les tombes, l’hiver.
Pendant que les autres sommeillent,
Faits au coucher de la prison,
Ils pensent au dimanche, ils
veillent
Pour se rappeler la maison;
Ils songent qu’ils dormaient
naguères
Douillettement ensevelis
Dans les berceaux, et que les mères
Les prenaient parfois dans leurs
lits.
Ô mères, coupables absentes,
Qu’alors vous leur paraissez loin!
À ces créatures naissantes
Il manque un indicible soin;
On leur a donné les chemises,
Les couvertures qu’il leur faut:
D’autres que vous les leur ont
mises,
Elles ne leur tiennent pas chaud.
Mais, tout ingrates que vous êtes,
Ils ne peuvent vous oublier,
Et cachent leurs petites têtes,
En sanglotant, sous l’oreiller.
(Les Solitudes — 1869)
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Diário Íntimo e Pensamentos: Sully
Prudhomme [+ ‘Poemas de Sully Prudhomme em Traduções Brasileiras’], Apresentação
‘Prefácio’ de Anders Österling, Tradução e Notas de Mello Nóbrega, Estudo
Introdutivo de Gabriel D’Aubarède, Ilustrações de André Hambourg e Pequena
História da atribuição do Prêmio Nobel a Sully Prudhomme, por Gunnar Ahlström —
Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura, 1973, Editora Opera Mundi, Rio de
Janeiro — RJ; Sully-Prudhomme ou René Armand François Prudhomme (1839 — 1907), francês
e parisiense, ingressou no Liceu Bonaparte, pretendia ser engenheiro, desistiu,
trabalhou como escriturário em fábrica, estudou Direito, foi pensador, ensaísta
e poeta; pertenceu ao grupo de poetas parnasianos que foram responsáveis pela publicação
de Parnasse Contemporain; elegeu-se para a Academia Francesa (1881) e foi o primeiro
autor literato a receber o recém-criado Prêmio Nobel de Literatura (1901); obras
poéticas: Stances et Poèmes (1865), Les Épreuves (1866), Les Solitudes (1869),
Impressions de la guerre (1870), Les Destins (1872), La France (1874), Les Vaines
tendresses (1875), La Justice (1878), Le Prisme, poésies diverses (1886), Le Bonheur
(1888) e outros escritos (diário e pensamentos); o pensador Sully Prudhomme
deixou publicado ensaios filosóficos e prosa variada na Bibliothèque de
philosophie contemporaine e nos periódicos Revue de deux Mondes, Revue scientifique,
La Nature, Revue de Métaphysique et de Morale e Nouvelle Revue Internationale
Européenne; de sua biografia, consta que o poeta, desde 1870, teve “a saúde
abalada”, sofreu paralisia em “toda parte inferior do corpo” e após a qual
“nunca mais recobraria integralmente sua capacidade [motora].
