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Pela Estrada da Vida ampla — coberta
De um longo velo pesaroso e baço,
Hás de encontrá-la muita vez alerta
Na longa rota do teu longo passo.
Por caminhos de pedras e sargaço
Há de levar-te pela mão incerta,
Até que, exausto em Mágoas e Cansaço,
Te seja a Vida intérmina e deserta.
Verás em tudo Solidão e Escolhos
E da Tristeza a tétrica figura
Estampada trarás nos próprios olhos.
E então, em Mágoas e Pavor clamando,
Hás de vê-la passar na Noite escura
A mortalha dos sonhos arrastando.
De um longo velo pesaroso e baço,
Hás de encontrá-la muita vez alerta
Na longa rota do teu longo passo.
Por caminhos de pedras e sargaço
Há de levar-te pela mão incerta,
Até que, exausto em Mágoas e Cansaço,
Te seja a Vida intérmina e deserta.
Verás em tudo Solidão e Escolhos
E da Tristeza a tétrica figura
Estampada trarás nos próprios olhos.
E então, em Mágoas e Pavor clamando,
Hás de vê-la passar na Noite escura
A mortalha dos sonhos arrastando.
Rondas Noturnas (1901)

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Roteiro da Poesia Brasileira — Simbolismo,
Seleção e Prefácio de Lauro Junkes, 2006, Global Editora e Distribuidora,
São Paulo — SP; Mário Veloso Paranhos Pederneiras (1868 — 1915), carioca do Rio de Janeiro, foi poeta fortemente influenciado
pela poesia da escola simbolista francesa e também pelos grandes nomes do
Simbolismo da língua portuguesa naquele período — Cruz e Sousa,
Antonio Nobre e Cesário Verde; estreou na imprensa por volta de 1878 ao
tornar-se colaborador do jornal O Imparcial, do Grêmio Literário Artur de
Oliveira, no Rio de Janeiro; entre 1895 e 1908, foi co-fundador, diretor e
redator das revistas Rio Revista, Galáxia e Mercúrio, e da revista Fon-Fon,
que foi responsável pela segunda fase do movimento simbolista; colaborou ainda
com os periódicos A Gazeta de Notícias, Sans Dessous, O Tagarela e Novidades;
escreveu e publicou Agonias (1900), Rondas Noturnas (1901), Histórias
do meu Casal (1906), Ao Léu do Sonho e à Mercê da Vida (1912) e Outono (1921,
obra póstuma, com poemas de 1914 e ilustrações de Calixto e João Carlos).


