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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Manuel González Prada: Soneto ao Amor

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[tradução de Ivo Barroso]

Serás um bem dos céus ou simples dolo?
Se és um bem, por que as dúvidas e o pranto,
a desconfiança, o remoedor quebranto,
longas noites febris de desconsolo?

E se és um mal neste terrestre solo,
por que os gozos, então, o riso, o canto,
as esperanças, o glorioso encanto,
visões ternas de paz e de consolo?

Se és neve, por que tens tão vivas chamas?
Se és chama, por que gelas como o Norte?
Se és noite, por que a luz do Sol derramas?

Por que esta sombra, se tens luz querida?
Se és a vida, por que me dás a morte?
Se és a morte, por que me dás a vida?


Al Amor

Si eres un bien arrebatado al cielo,
Por qué las dudas, el gemido, el llanto,
La desconfianza, el torcedor quebranto,
Las turbias noches de febril desvelo?

Si eres un mal en el terrestre suelo
Por qué los goces, la sonrisa, el canto,
Las esperanzas, el glorioso encanto,
Las visiones de paz y de consuelo?

Si eres nieve, por qué tus vivas llamas?
Si eres llama, por qué tu hielo inerte?
Si eres sombra, por qué la luz derramas?

Por qué la sombra, si eres luz querida?
Si eres vida, por qué me das la muerte?
Si eres muerte, por qué me das la vida?
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O Torso e o Gato — O Melhor da Poesia Universal, Tradução e Organização de Ivo Barroso, Prefácio de Antônio Houaiss, 1991, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ; José Manuel de los Reyes González de Prada y Ulloa (1844 1918), nascido em Lima Peru, foi ensaísta, pensador anarquista e poeta; escreveu e publicou, em poesia, Minúsculas (1901), Presbitireanas (1909), Exóticas (1911), Grafitos (1917), Baladas Peruanas (1935); em prosa, ensaios, escreveu Discurso en El Politeama, Pájinas Libres (1894), Nuestros Índios (1904), Anarquia (1907), Horas de Lucha (1908) entre outros títulos.