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sábado, 19 de fevereiro de 2022

Garcilaso de La Vega: Enquanto inda de rosa e lírio cheia . . . [soneto]

 
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[traduzido por . . . ]

Enquanto inda de rosa e lírio cheia
Se mostra a cor do vosso lindo gesto,
E o vosso luminoso olhar honesto
O coração abrasa, e o refreia;

Enquanto esse cabelo, que na veia
Do ouro colhido foi, com voo lesto,
Por vosso branco colo manifesto
O vento move, desordena e ondeia;

Colhei da vossa alegre primavera
O doce fruto, antes que o tempo irado
De neve cubra já o altivo cume.

Matará o frio a rosa passageira,
Mudará tudo o tempo arrebatado,
Para não alterar o seu costume.

Garcilaso de la Vega

En tanto que de rosa y azucena

En tanto que de rosa y azucena
se muestra la color en vuestro gesto,
y que vuestro mirar ardiente, honesto,
enciende el corazón y lo refrena;

y en tanto que el cabello, que en la vena
del oro se escogió, con vuelo presto
por el hermoso cuello blanco, enhiesto,
el viento mueve, esparce y desordena:

coged de vuestra alegre primavera
el dulce fruto antes que el tiempo airado
cubra de nieve la hermosa cumbre.

Marchitará la rosa el viento helado,
todo lo mudará la edad ligera
por no hacer mudanza en su costumbre.
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30 Séculos de Poesia — De IX a.C. até o Século XVIII, Organização, Prefácio e Notas de Ary de Mesquita, 1966, Edições de Ouro, Rio de Janeiro — RJ; Garcilaso de la Vega (1501 ? 1536), espanhol de Toledo, foi poeta e cavaleiro do imperador Carlos V, da Espanha; como cavaleiro tomou parte em diversas batalhas militares e políticas, e, nos intervalos das guerras, frequentou as cortes e cultivou as letras; de sua obra conservada, publicou-se, postumamente, Las Obras de Boscán com algunas de Garcilaso de la Vega (1543), livro que considera-se ter inaugurado o Renascimento literário nas letras hispânicas; o poeta e soldado do imperador morreu em combate, ferido num assalto à torre de Le Muy.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Garcilaso de La Vega: Como mãe carinhosa a quem doente. . . [soneto]

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Como mãe carinhosa a quem doente
Menino pede, lágrimas vertendo,
Uma coisa qualquer, de que comendo
Sabe que há de aumentar-lhe o mal que sente.

E esse piedoso amor não lhe consente
Que considere o dano que, fazendo
O que lhe pede, faz, lá vai correndo,
Acalma o pranto e aumenta o acidente;

Assim a meu enfermo pensamento,
Que em seu dano mo pede, quereria
Tirar o alimento que o definha;

Mas pede-mo, e chora cada dia
Tanto, que quanto quer eu lhe apresento,
Inda que seja a sua morte e a minha.

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30 Séculos de Poesia — De IX a.C. até o Século XVIII, Organização, Prefácio e Notas de Ary de Mesquita, 1966, Edições de Ouro, Rio de Janeiro — RJ; Garcilaso de la Vega (1501 ?  1536), espanhol de Toledo, foi poeta e cavaleiro do imperador Carlos V, da Espanha; como cavaleiro tomou parte em diversas batalhas militares e políticas, e, nos intervalos das guerras, frequentou as cortes e cultivou as letras; de sua obra conservada, publicou-se, postumamente, Las Obras de Boscán com algunas de Garcilaso de la Vega (1543), livro que considera-se ter inaugurado o Renascimento literário nas letras hispânicas.