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[traduzido
por . . . ]
Enquanto
inda de rosa e lírio cheia
Se mostra
a cor do vosso lindo gesto,
E o vosso
luminoso olhar honesto
O coração
abrasa, e o refreia;
Enquanto
esse cabelo, que na veia
Do ouro
colhido foi, com voo lesto,
Por vosso
branco colo manifesto
O vento
move, desordena e ondeia;
Colhei da
vossa alegre primavera
O doce
fruto, antes que o tempo irado
De neve
cubra já o altivo cume.
Matará o
frio a rosa passageira,
Mudará
tudo o tempo arrebatado,
Para não
alterar o seu costume.
En tanto que de rosa y azucena
En tanto
que de rosa y azucena
se
muestra la color en vuestro gesto,
y que
vuestro mirar ardiente, honesto,
enciende
el corazón y lo refrena;
y en
tanto que el cabello, que en la vena
del oro
se escogió, con vuelo presto
por el
hermoso cuello blanco, enhiesto,
el viento
mueve, esparce y desordena:
coged de
vuestra alegre primavera
el dulce
fruto antes que el tiempo airado
cubra de
nieve la hermosa cumbre.
Marchitará
la rosa el viento helado,
todo lo
mudará la edad ligera
por no
hacer mudanza en su costumbre.
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30 Séculos de Poesia — De IX a.C. até
o Século XVIII, Organização, Prefácio e Notas de Ary de Mesquita, 1966, Edições
de Ouro, Rio de Janeiro — RJ; Garcilaso de la Vega (1501 ? — 1536), espanhol de
Toledo, foi poeta e cavaleiro do imperador Carlos V, da Espanha; como cavaleiro
tomou parte em diversas batalhas militares e políticas, e, nos intervalos das guerras,
frequentou as cortes e cultivou as letras; de sua obra conservada, publicou-se,
postumamente, Las Obras de Boscán com algunas de Garcilaso de la Vega (1543), livro
que considera-se ter inaugurado o Renascimento literário nas letras hispânicas;
o poeta e soldado do imperador morreu em combate, ferido num assalto à torre de
Le Muy.
