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Dorme a
fazenda. Uniformes,
Com seu
inclinado teto,
Têm as
senzalas o aspecto
De um
bando d’aves enormes.
Os cães,
no pátio encoberto,
Repousam de
orelha erguida;
São como
oásis de vida
Da escuridão
no deserto.
De vagos
tons uma enfiada
Com o
torpor luta e vence-o;
É no
burel do silêncio
Franja sonora
bordada.
Às vezes,
da porta estreita
Sai um
chorar de criança,
Chamando a
mãe que descansa
Morta do
afã da colheita.
Talvez no
infantil assombro
Já se lhe
antolhe mais tarde:
— O eito
enquanto o sol arde,
E o peso
da enxada ao ombro.
Os cães
levantam-se a meio,
Geme a
criança um momento
E, a
pouco e pouco, em lamento
Sucumbe o
isolado anseio.
Longe, na
sombra perdido,
Há no
perfil de um oiteiro
Algo de
estranho guerreiro
Da cota
de armas vestido.
Ao lado
reduz a linha
De extensa
e alvacenta estrada,
Como a lâmina
da espada
Que lhe
saltou da bainha.
E o disco
da lua nova
No lar
azul das esferas,
De nuvens
que lembram feras,
Como um réptil
sai da cova.
Ondula no
espaço o fumo
De algum
incêndio invisível;
Chora a
criança impassível
Prossegue
a noite em seu rumo.
(Rimas de
outrora, 1894)
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A escravidão
na poesia brasileira do século XVII ao XXI [antologia poética: 81 autores e autoras,
221 poemas] — Organização e Introdução de Alexei Bueno, 1ª edição, 2022, Editora
Record, Rio de Janeiro — RJ; Afonso Celso de Assis Figueiredo Junior (1860
— 1938), mineiro de Ouro Preto, formado pela Faculdade de Direito de São Paulo (atual
USP — Largo São Francisco), foi político do Império, professor, jornalista, historiador,
contista e poeta; com o advento da República, acompanhou o pai — Visconde de Ouro
Preto — no exílio, afastando-se da vida política; no retorno ao país, dedicou-se
ao magistério e ao jornalismo: no magistério, exerceu a cátedra de Economia Política
na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, e, no jornalismo,
por mais de 30 anos divulgou seus artigos no Jornal do Brasil, no Correio da Manhã,
e nos periódicos A Tribuna Liberal, A Semana, Renascença e Almanaque Garnier; escreveu
e publicou Prelúdios (poesias, 1876), Devaneios (1877), Um ponto de interrogação
(1879), Poenatos (1880), Rimas de outrora (1891), Vultos e Fatos (1892), O Imperador
no Exílio (1893), Trovas de Espanha (1898), Aventuras de Manuel João (1899), Porque
me ufano do meu país (1900), Biografia do Visconde de Ouro Preto (1905), etc.



