Mostrando postagens com marcador Alice Ruiz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alice Ruiz. Mostrar todas as postagens

domingo, 2 de outubro de 2022

Alice Ruiz: silêncio na mata & outros haicais


____________________
silêncio na mata
um grito corta a tarde
quero quero.

— o —

basta um galhinho
e vira trapezista
o passarinho.

— o —

rede de pescador
sem interromper o voo
o pássaro almoça.

— o —

centro da foto
mas fora de foco
voo de sabiá.

— o —

pensa e pende
pousa e passa
periquito.

Conversa de passarinhos (2008)

____________________
Poesia infantil e juvenil brasileira — Uma ciranda sem fim [ensaios/estudos de vários autores], Organização e Apresentação de Vera Teixeira de Aguiar e João Luís Ceccantini, 2012, Associação Núcleo Editorial Proleitura (ANEP), Cultura Acadêmica Editora, São Paulo — SP; Alice Ruiz Scherone, paranaense de Curitiba, nascida em 1946, é poeta, tradutora e compositora; tem parcerias e gravações com Itamar Assunção, Arnaldo Antunes, José Miguel Wisnik, Zeca Baleiro, além de gravações com Zélia Duncan, Adriana Calcanhoto e Gal Costa; lançou, em 2005, com Alzira Espíndola, o CD Paralelas, de música e poesia; traduziu [Kobayashi] Issa e outros haikaistas; obra poética: Navalhanaliga (1980), Paixão xama paixão (1983), Pelos pelos (1984), Vice-versos (1988 Prêmio Jabuti), Desorientais (1996), Yuuka (2004), Conversa de passarinhos (2008), Dois em um (2008, Prêmio Jabuti), Jardim de Haijin e Proesias (ambos em 2010), Luminares (2012) entre outros; em 1993, foi homenageada pela colônia japonesa curitibana, por seus méritos na produção de haicais, homenagem esta feita pela primeira vez a um/uma ocidental.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Alice Ruiz: Que teu corpo seja brasa & Gotas *

Resultado de imagem para poésie du brésil sélection de Lourdes Sarmento
____________________
Que teu corpo seja brasa

teu corpo seja brasa
e o meu a casa
que se consome no fogo

um incêndio basta
pra consumar esse jogo
uma fogueira chega
pra eu brincar de novo

Gotas

gotas
caem em golpes
a terra sorve
em grandes goles

chuva
que a pele não enxuga
lágrima
a caminho de uma ruga

água viva
água vulva

ALICE RUIZ (2)

Que ton corps soit braise

que ton corps soit braise
et le mien la maison
que se consume au feu

un incendie suffit
pour consommer ce jeu
un bûcher arrive
pour que je joue de nouveau

Gouttes

Gouttes
tombent en coups
la terre hume
en grandes gorgées

pluie
que la peau n’essuie pas
larme
à chemin d’un ride

eau vive
eau vulve

* Nota da edição: Poèmes compilés par Olga Savary
____________________
Chemins Scabreux — revue littéraire bilíngue 13, septembre 1997, Paris: Poésie du Brésil, Sélection et Presentacion de Lourdes Sarmento, Texto-prefácio de Olga Savary, edição bilíngue, tradutores: Lucilo Varejão Neto, Maria Nilda Pessoa e outros, 1997, Editions Vericuetos, Paris — França; Alice Ruiz, paranaense de Curitiba, nascida em 1946, é poeta, tradutora e compositora; tem parcerias e gravações com Itamar Assunção, Arnaldo Antunes, José Miguel Wisnik, Zeca Baleiro, além de gravações com Zélia Duncan, Adriana Calcanhoto e Gal Costa; lançou, em 2005, com Alzira Espíndola, o CD Paralelas, de música e poesia; obra poética: Navalhanaliga (1980), Paixão xama paixão (1983), Pelos pelos (1984), Vice-versos (1988 Prêmio Jabuti), Desorientais (1996), Yuuka (2004), Conversa de passarinhos (2008) e Dois em um (2008, Prêmio Jabuti), entre outros; em 1993, foi homenageada pela colônia japonesa curitibana, por seus méritos na produção de haicais, homenagem esta feita pela primeira vez a um/uma ocidental.

domingo, 10 de junho de 2018

Alice Ruiz: Socorro

Resultado de imagem para 50 poemas de revolta
____________________
Socorro, eu não estou sentindo nada.
Nem medo, nem calor, nem fogo,
não vai dar mais pra chorar
nem pra rir.

Socorro, alguma alma, mesmo que penada,
me empreste suas penas.
Já não sinto amor nem dor,
já não sinto nada.

Socorro, alguém me dê um coração,
que esse já não bate nem apanha.
Por favor, uma emoção pequena,
qualquer coisa que se sinta,
tem tantos sentimentos,
deve ter algum que sirva.

Socorro, alguma rua que me dê sentido,
em qualquer cruzamento,
acostamento, encruzilhada,
socorro, eu já não sinto nada.

Resultado de imagem para alice ruiz
____________________
50 poemas de revolta (vários autores), 2017, 1ª edição, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Alice Ruiz, paranaense de Curitiba, nascida em 1946, é poeta, tradutora e compositora; tem parcerias e gravações com Itamar Assunção, Arnaldo Antunes, José Miguel Wisnik, Zeca Baleiro, além de gravações com Zélia Duncan, Adriana Calcanhoto e Gal Costa; lançou, em 2005, com Alzira Espíndola, o CD Paralelas, de música e poesia; obra poética:  Navalhanaliga (1980), Paixão xama paixão (1983), Pelos pelos (1984),  Vice-versos (1988, Prêmio Jabuti), Desorientais (1996), Yuuka (2004), Conversa de passarinhos (2008) Dois em um (2008, Prêmio Jabuti),  entre outros; em 1993, foi homenageada pela colônia japonesa curitibana, por seus méritos na produção de haicais, homenagem esta feita pela primeira vez a um/uma ocidental.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Alice Ruiz: Drumundana

 
____________________
E agora Maria?
o amor acabou
a filha casou
o filho mudou
teu homem
foi pra vida
que tudo cria
a fantasia
que você sonhou
apagou
à luz do dia

e agora Maria?
vai com as outras
vai viver
com a hipocondria
não vá fazer besteira
cachorro que cheira
cada pé que acha
procurando quem o queira
Navalhanaliga (1980)

____________________
Roteiro da Poesia Brasileira  Anos 80, Seleção e Prefácio de Ricardo Vieira Lima, direção de Edla van Steen, Editora Global, 2010, São Paulo SP; Alice Ruiz, paranaense de Curitiba, nascida em 1946, é poeta, tradutora e compositora; tem parcerias e gravações com Itamar Assunção, Arnaldo Antunes, José Miguel Wisnik, Zeca Baleiro, além de gravações com Zélia Duncan, Adriana Calcanhoto e Gal Costa; lançou, em 2005, com Alzira Espíndola, o CD Paralelas, de música e poesia; Obra poética: Navalhanaliga (1980), Paixão xama paixão (1983), Pelos pelos (1984), Vice-versos (1988  Prêmio Jabuti), Desorientais (1996), Yuuka (2004), Conversa de passarinhos (2008) e Dois em um (2008, Prêmio Jabuti), entre outros; em 1993, foi homenageada pela colônia japonesa curitibana, por seus méritos na produção de haicais, homenagem esta feita pela primeira vez a um/uma ocidental.