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nem tudo que é torto . . .
nem tudo
que é torto
é errado!
vede
as pernas
do Garrincha
e as árvores
do cerrado
— o —
Ainda bem que o tempo passa
pra Alcina
você se lembra?
era neste quarto
na casa de seus pais
que namorávamos
ouvindo joni mitchell
e egberto gismonti
você era uma das
ladies of the canyon
e eu o seu palhaço
hoje estamos dormindo
neste quarto novamente
com nossos três
filhos nossa família
Deus guarde a nossa família
e a sua
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Poesia de Brasília (antologia: [várias autorias]), Organização de Joanyr
de Oliveira e Apresentação [orelhas do livro] de Jason Tércio, 1998, Livraria Sette
Letras Ltda., Rio de Janeiro — RJ; Nicolas Behr ou Nikolaus von Behr,
nascido em 1958, mato-grossense de Cuiabá, fez o curso primário com padres jesuítas
em Diamantino — MT, além de publicitário e paisagista, foi/é poeta; nos anos 1970/80,
foi participante dos grupos conhecidos como da Geração Mimeógrafo e da “Poesia Marginal”
juntamente com mais de uma centena de poetas de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro
e outras localidades; até 1980, o poeta publicara 10 livros mimeografados; seu trabalho
de estréia, Iogurte com Farinha, teve 8.000 cópias vendidas, de mão em mão, nos bares
e noutros locais públicos da Capítal Federal, o que o tornou, à época, uma das principais
vozes da Poesia Marginal; em 1978, organizou a antologia poética Grande Circular:
poemas com sabor bem Brasília, selecionando trabalhos seus e de outros mimeografeiros
e poetas marginais; trabalhou como redator em agências de publicidade e engajou-se
no movimento ecológico, tendo desenvolvido trabalho nesta área em ONGs; a partir
de 1993 voltou a publicar seus textos; suas obras: livrinhos mimeografados, Iogurte
com Farinha (agosto de 1977), Caroço de Goiaba e Chá com Porrada (ambos em julho
de 1978), Bagaço (maio de 1979), Com a Boca na Botija (junho de 1979), Parto do
Dia (julho de 1979), Elevador de Serviço, Põe sia nisso! e Entre Quadras (todos
em agosto de 1979), Brasiléia Desvairada e Saída de Emergência (ambos em setembro
de 1979), Restos Mortais (1980), entre outros textos; livros: Porque Construí Braxília
(1993), Beijo de Hiena (1993), Segredo Secreto (1996), Estranhos Fenômenos (antologia,
1997), Umbigo (2001), Poesília — poesia pau-brasília (2002), Braxília revisitada,
volumes 1 e 2 (2004/2005), Iniciação à dendolatria (2005), Laranja seleta: Poesia
Escolhida 1977-2007 (2007), Beije-me (2009), O Itinerário do curativo (2022) e outros
títulos; participou da Antologia da nova poesia brasileira, organizada por Olga
Savary em 1992; também foi protagonista nos curta-metragens Braxília, de Danyella
Proença (2010) e Babilônia Norte, de Renan Montenegro (2013); sua obra tem sido
objeto de estudo em dissertações de mestrado pelo país afora e também de documentários;
no início de sua vida poética, em 1978, Nicolas Behr foi preso e processado pelo
então DOPS por posse de material pornográfico (seus livrinhos!) e absolvido em 1979.



