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segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Nicolas Behr: poesia é portal, refúgio . . .

 
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poesia é portal, refúgio
poesia é quarto escuro
poesia é o esconderijo
secreto da alma
poesia é libélula
garça distraída
nuvem arisca
pedra no caminho
andarilho sem destino
(poesia é tudo isso
que você está sentindo agora)
poesia é consolo, afago,
abraço bem dado
beijo de amigo

poesia é pra você parar
pegar um papel
escrever qualquer coisa
se sentir melhor
e seguir em frente

poesia despressuriza

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Boa companhia — poesia (vários autores), Apresentação de Ferreira Gullar, 2003, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Nicolas Behr ou Nikolaus von Behr, nascido em 1958, mato-grossense de Cuiabá, fez o curso primário com padres jesuítas em Diamantino MT, foi/é poeta participante da Geração Mimeógrafo, tendo desenvolvido nos anos 70 a “Poesia Marginal” juntamente com mais uma centena de poetas; até 1980, o poeta publicou 10 livros mimeografados; trabalhou como redator em agências de publicidade e engajou-se no movimento ecológico, tendo desenvolvido trabalho nesta área; a partir de 1993 volta a publicar seus textos; bibliografia: livrinhos mimeografados, Iogurte com Farinha (agosto de 1977), Caroço de Goiaba e Chá com Porrada (ambos em julho de 1978), Bagaço (maio de 1979), Com a Boca na Botija (junho de 1979), Parto do Dia (julho de 1979), Elevador de Serviço, Põe sia nisso! e Entre Quadras (todos em agosto de 1979), Brasiléia Desvairada e Saída de Emergência (ambos em setembro de 1979), entre outros textos; livros: Porque Construí Braxília (1993), Beijo de Hiena (1993), Segredo Secreto (1996), Estranhos Fenômenos (antologia, 1997), Umbigo (2001), Poesília — poesia pau-brasília (2002), Braxília revisitada, volumes 1 e 2 (2004/2005), Iniciação à dendolatria (2005), Laranja seleta (2007), e outros títulos; teve participação nos curta-metragens Braxília, de Danyella Proença (2010) e Babilônia Norte, de Renan Montenegro (2013); sua obra tem sido objeto de estudo em dissertações de mestrado pelo país; em 1978 foi preso e processado pelo DOPS por posse de material pornográfico (seus livrinhos!) e absolvido em 1979.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Nicolas Behr: Receita

Resultado de imagem para 50 poemas de revolta
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ingredientes

2 conflitos de gerações 
4 esperanças perdidas 
3 litros de sangue fervido 
5 sonhos eróticos 
2 canções dos Beatles

modo de preparar

dissolva os sonhos eróticos 
nos dois litros de sangue fervido 
e deixe gelar seu coração

leve a mistura ao fogo
adicionando dois conflitos 
de gerações às esperanças perdidas

corte tudo em pedacinhos 
e repita com as canções dos 
beatles o mesmo processo usado 
com os sonhos eróticos, mas desta 
vez deixe ferver um pouco mais e 
mexa até dissolver

parte do sangue pode ser 
substituído por suco de 
groselha, mas os resultados 
não serão os mesmos

sirva o poema simples 
ou com ilusões

Caroço de Goiaba  mimeografado (1978)

Foto: Juan Pratginestos
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50 poemas de revolta (vários autores), 2017, 1ª edição, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Nicolas Behr ou Nikolaus von Behr, nascido em 1958, mato-grossense de Cuiabá, fez o curso primário com padres jesuítas em Diamantino  MT, foi/é poeta participante da Geração Mimeógrafo, tendo desenvolvido nos anos 70 a “Poesia Marginal” juntamente com mais uma centena de poetas; até 1980 Nicolas Behr publicou 10 livros mimeografados; trabalhou como redator em agências de publicidade e engajou-se no movimento ecológico, tendo desenvolvido trabalho nesta área; a partir de 1993 volta a publicar seus textos; bibliografia: livrinhos mimeografados, Iogurte com Farinha (agosto de 1977), Caroço de Goiaba e Chá com Porrada (ambos em julho de 1978), Bagaço (maio de 1979), Com a Boca na Botija (junho de 1979), Parto do Dia (julho de 1979), Elevador de Serviço, Põe sia nisso! e Entre Quadras (todos em agosto de 1979), Brasiléia Desvairada e Saída de Emergência (ambos em setembro de 1979), entre outros textos; livros: Porque Construí Braxília (1993), Beijo de Hiena (1993), Segredo Secreto (1996), Estranhos Fenômenos (antologia, 1997), Umbigo (2001), Poesília  poesia pau-brasília (2002), Braxília revisitada, volumes 1 e 2 (2004/2005), Iniciação à dendolatria (2005), Laranja seleta (2007), e outros títulos; teve participação nos curta-metragens Braxília, de Danyella Proença (2010) e Babilônia Norte, de Renan Montenegro (2013); sua obra tem sido objeto de estudo em dissertações de mestrado pelo país; em 1978 foi preso e processado pelo DOPS por posse de material pornográfico (seus livrinhos!) e absolvido em 1979.