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poesia é portal, refúgio
poesia é quarto escuro
poesia é o esconderijo
secreto da alma
poesia é libélula
garça distraída
nuvem arisca
pedra no caminho
andarilho sem destino
(poesia é tudo isso
que você está sentindo
agora)
poesia é consolo, afago,
abraço bem dado
beijo de amigo
poesia é pra você parar
pegar um papel
escrever qualquer coisa
se sentir melhor
e seguir em frente
poesia despressuriza
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Boa companhia — poesia (vários
autores), Apresentação de Ferreira Gullar, 2003, Companhia das Letras, São Paulo
— SP; Nicolas Behr ou Nikolaus von Behr, nascido em 1958, mato-grossense de
Cuiabá, fez o curso primário com padres jesuítas em Diamantino — MT, foi/é
poeta participante da Geração Mimeógrafo, tendo desenvolvido nos anos 70 a
“Poesia Marginal” juntamente com mais uma centena de poetas; até 1980, o poeta
publicou 10 livros mimeografados; trabalhou como redator em agências de
publicidade e engajou-se no movimento ecológico, tendo desenvolvido trabalho
nesta área; a partir de 1993 volta a publicar seus textos; bibliografia:
livrinhos mimeografados, Iogurte com Farinha (agosto de 1977), Caroço de Goiaba
e Chá com Porrada (ambos em julho de 1978), Bagaço (maio de 1979), Com a Boca
na Botija (junho de 1979), Parto do Dia (julho de 1979), Elevador de Serviço,
Põe sia nisso! e Entre Quadras (todos em agosto de 1979), Brasiléia Desvairada
e Saída de Emergência (ambos em setembro de 1979), entre outros textos; livros:
Porque Construí Braxília (1993), Beijo de Hiena (1993), Segredo Secreto (1996),
Estranhos Fenômenos (antologia, 1997), Umbigo (2001), Poesília — poesia
pau-brasília (2002), Braxília revisitada, volumes 1 e 2 (2004/2005), Iniciação
à dendolatria (2005), Laranja seleta (2007), e outros títulos; teve
participação nos curta-metragens Braxília, de Danyella Proença (2010) e
Babilônia Norte, de Renan Montenegro (2013); sua obra tem sido objeto de estudo
em dissertações de mestrado pelo país; em 1978 foi preso e processado pelo DOPS
por posse de material pornográfico (seus livrinhos!) e absolvido em 1979.


