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A
elite encontra-se nos grandes centros comerciais, rodeada pelas periferias que
ela própria inventou.
A
periferia se arma e apavora a elite central.
Nas
guerras das armas, os ricos reprimem os favelados com a força do Estado através
da polícia.
Mas
agora é diferente, a periferia se arma de outra forma. Agora o armamento é o
conhecimento, a munição é o livro e os disparos vêm das letras.
Então
a gente quebra as muralhas do acesso e parte para o ataque.
Invadimos
as bibliotecas, as universidades, todos os espaços que conseguimos para arrumar
munição (informação).
Os
irmãos que foram se armar, já estão de volta preparando a transformação.
Não
queremos falar para os acadêmicos, mas sim para a dona Maria e o seu José, pois
eles querem se informar.
E
a periferia dispara.
Um,
dois, três, quatro, vários livros publicados.
A
elite treme.
Agora
favelado escreve livro, conta a história e a realidade da favela que a elite
nunca soube, ou nunca quis contar direito.
Os
exércitos de sedentos por conhecimento estão espalhados dentro dos centros
culturais e bibliotecas da periferia.
A
elite treme.
Agora
não vai mais poder falar o que quiser no jornal ou na novela, porque os
periféricos vão questionar.
O
conhecimento trouxe a reflexão e a reflexão trouxe a ação. Agora a revolta está
preparada e a elite treme.
Não
queremos mais seus tênis, seus celulares.
Não
queremos mais ser mão de obra barata, nem consumidores que não questionam a
propaganda.
Queremos
conhecimento e transformação nas relações sociais.
A
elite treme.
Agora
não mais enquadramos madames no farol e sim queremos ter os mesmos direitos das
madames.
E
é por isso que a elite TEME.
Coletivo Cultural
Poesia na Brasa
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Antologia Poesia na Brasa — Volume IV, Prefácio de Flavia Bischain Rosa, 2012, Coletivo Cultural Poesia na Brasa (Vila Brasilândia), São Paulo — SP; o Sarau Poesia na Brasa, criado em 2008, é um movimento cultural de periferia para a periferia e objetiva produzir e divulgar a arte naquele contexto e demais espaços dos periféricos. Ali se discute e reflete-se a periferia, permanecendo aberto a quem queira comungar da palavra; são apresentações regulares num bar (Bar do Cardoso, depois, Bar do Carlita), mas também com atuação em escolas, UBSs, unidades da Fundação Casa, Centros Culturais e outros; o Sarau é parte integrante de um movimento de "Literatura Periférica" que acontece por outros rincões de Sampa — o Cooperifa, o Sarau do Binho, o Elo da Corrente, e tantos outros em tantos bairros; publicações do Coletivo: Antologia Poesia na Brasa (2009), Império Lampinho (poemas, várias autoras, 2009), Coletivo 8542 (poemas e contos, vários autores, 2009), Tambores da noite (poemas de Carlos Assumpção, 2009), Nem tudo é silêncio (romance, de Sônia Regina Bischain, 2010), Antologia Poesia na Brasa — Volumes II e III (2010 e 2011) e outros títulos; ativistas do Coletivo: Sidnei das Neves, Samanta Biotti, Vagner Souza, Diego Arias, Sonia Regina Bischaim, Chellmí — Michell da Silva, ...