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quarta-feira, 6 de maio de 2026

José Carlos Capinan: Didática

 
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A poesia é a lógica mais simples.
Isso surpreende
Aos que esperam ser um gato
Drama maior que o meu sapato.
Ou aos que esperam ser o meu sapato
Drama tanto mais duro que andar descalço
E ainda aos que pensam não ser o meu andar descalço
Um modo calmo.

(Maior surpresa terão passado
Os que julgam que me engano:
Ah, não sabem o quanto quero o sapato
Nem sabem o quanto trago de humano
Nesse desespero escasso.
Não sabem mesmo o que falo
Em teorema tão claro.

Como não se cansariam ao me buscar os passos
Pois tenho os pés soltos e ando aos saltos
E, se me alcançassem, como se chocariam ao saber que faço
A lógica da verdade pelos pontos falsos.)

[Aprendizagem: 1962-1964]

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Inquisitorial — poemas: José Carlos Capinan, Ensaio crítico introdutório “Capinan e a Nova Lírica” de José Guilherme Merquior, Apresentação [texto/orelha] de Ênio Silveira, 2ª edição, 1995, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; José Carlos Capinan, nascido em 1941, baiano de Esplanada, formou-se em Artes Cênicas, Direito (Universidade Federal da Bahia UFBA) e Medicina (também pela UFBA), é poeta, compositor, letrista, escritor, publicitário, produtor de shows musicais, tendo exercido trabalhos em múltiplas áreas, e médico; desde os 15 anos escreve poesias; como letrista, poeta e ativo em artes, participou fortemente dos movimentos culturais da década de 60, tanto em parcerias na MPB quanto no teatro, além de em outras atividades; na década de 80, atuou em políticas culturais na Bahia: foi secretário de cultura em Camaçari e secretário estadual de Cultura; na música, foi parceiro de Gilberto Gil, Zé Renato, Jards Macalé, Gereba, Tom Zé, João Bosco, Caetano Veloso, Edu Lobo, Gonzaguinha etc., colaborou em jornais e revistas, tendo sido coeditor da revista Anima na década de 70; escreveu e publicou: Bumba meu boi (1960), Inquisitorial (poemas, 1966), Ciclo de Navegação, Bahia e gente (1975), Estrela do Norte, Adeus (1981), Confissões de Narciso (1995), Uma canção de amor às árvores desesperadas (poemas, 1996), Balança mas hai-kai (1996), Vinte canções de amor e um poema quase desesperado (2014), Cancioneiro geral: 1962-2023 (antologia poética, 2024)... e, em discografia, Te esperei (LP [long-play], 1984), Olho de lince — trabalho de parto (LP Gonzaguinha, 1985), O Viramundo — 21 anos de Tropicalismo (LP, 1988), Reunião — O Brasil dizendo Drummond (CD [compact disc], 2002), Cancioneiro geral — Tributo a Capinan (álbum digital, 2025); é integrante da Academia de Letras da Bahia e presidente de honra do Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira, em Salvador BA; Capinan, considerado o poeta do Tropicalismo, participou deste grupo criador do “movimento de vanguarda renovador da cultura brasileira em 1967 e 1968, e integrou o álbum ‘Tropicália ou Panis et Circensis’”.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

José Carlos Capinan: O desesperado

 
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Que asas são que à noite bateram
Nos vitrais e se amputaram?
Que pés a estrutura perfazem
Do caminho sem alcançar água?

Que filho a mulher pariu
Para a comemoração nas praças?
Quem fornece os versos
Sem sequer elucidá-los?

Quem usou essa voz, quem?
Quem utiliza a música
Na rua tão gigantesca, quem?
Quem comanda o massacre, quem?

Quem é lírico bastante
Para se comover ou
Quem é idiota talvez
Para ainda lastimar-se, quem?

Quem sofre e a quem perturbam
O orvalho e a flor
Na mesma relatividade sempre?
A quem perturba esta normalidade?

Quem se abraçou à árvore
E quebrou sua carne?
Quem cortou os olhos e viu
Ainda a mesma coisa em si?

Quem dormiu profundamente
Com montanhas no coração?
Quem enlouquece ou quem termina
A frase ainda consciente?

Quem para morrer tranquilo
Apura toda a sua vida?
Quem aconselha e não fere?
Quem ainda ouve e acredita?

Quem alcançará o culpado
Do rosto que então se pisa?
Quem aborrece? Quem grita?
Calai criança e poeta, calai tudo.

[Aprendizagem: 1962-1964]

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Inquisitorial — poemas: José Carlos Capinan, Ensaio crítico introdutório “Capinan e a Nova Lírica” de José Guilherme Merquior, Apresentação [texto/orelha] de Ênio Silveira, 2ª edição, 1995, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; José Carlos Capinan, nascido em 1941, baiano de Esplanada, formou-se em Artes Cênicas, Direito (Universidade Federal da Bahia UFBA) e Medicina (também pela UFBA), é poeta, compositor, letrista, escritor, publicitário, produtor de shows musicais, tendo exercido trabalhos em múltiplas áreas, e médico; desde os 15 anos escreve poesias; como letrista, poeta e ativo em artes, participou fortemente dos movimentos culturais da década de 60, tanto em parcerias na MPB quanto no teatro, além de em outras atividades; na década de 80, atuou em políticas culturais na Bahia: foi secretário de cultura em Camaçari e secretário estadual de Cultura; na música, foi parceiro de Gilberto Gil, Zé Renato, Jards Macalé, Gereba, Tom Zé, João Bosco, Caetano Veloso, Edu Lobo, Gonzaguinha etc., colaborou em jornais e revistas, tendo sido coeditor da revista Anima na década de 70; escreveu e publicou: Bumba meu boi (1960), Inquisitorial (poemas, 1966), Ciclo de Navegação, Bahia e gente (1975), Estrela do Norte, Adeus (1981), Confissões de Narciso (1995), Uma canção de amor às árvores desesperadas (poemas, 1996), Balança mas hai-kai (1996), Vinte canções de amor e um poema quase desesperado (2014), Cancioneiro geral: 1962-2023 (antologia poética, 2024) ... e, em discografia, Te esperei (LP [long-play], 1984), Olho de lince — trabalho de parto (LP Gonzaguinha, 1985), O Viramundo — 21 anos de Tropicalismo (LP, 1988), Reunião — O Brasil dizendo Drummond (CD [compact disc], 2002), Cancioneiro geral — Tributo a Capinan (álbum digital, 2025); é integrante da Academia de Letras da Bahia e presidente de honra do Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira, em Salvador BA; Capinan, considerado o poeta do Tropicalismo, participou deste grupo criador do “movimento de vanguarda renovador da cultura brasileira em 1967 e 1968, e integrou o álbum ‘Tropicália ou Panis et Circensis’”.