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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

genésio dos santos: tecer a idade (20.12.2013)

tecer a idade sim! e porque não?
existe idade própria pra escrever
sobre idéias, fatos, pensar, fazer
de um já velho andarilho insano ou são?

se for loucura este meu tecer,
quem sabe o escrito se faça razão
dum perambular por qualquer desvão
do sol raiar e até o escurecer.

mas se for razão, o que hei de dizer
dos loucos sonhos que me vêm à mão
e sempre teimam em não acontecer?

enquanto teço construo a ilusão
de um equilíbrio neste meu viver
e aí concluo:  nada foi em vão!

Minha foto
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Genésio dos Santos, nascido em 1952, paulista de Itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana, escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, prestou serviços em escritórios de contabilidade; até agorinha mesmo foi bancário, hoje aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou Número Um (poesias, 1978) Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal O Espelho — SP, Folha Bancária e pilotou o devezenquandário Na Moita (1991 a 1997), editados sob a responsabilidade do Sindicato dos Bancários de São Paulo; é aprendiz de blogueiro.

terça-feira, 1 de março de 2011

"Quebrando o paradigma de uma sociedade predominantemente machista"


Reproduzo texto assinado por Juvandia Moreira, presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região (Folha Bancária, nº 5.408, de 1º, 2 e 3 de março de 2011):
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Presidenta, sim!

Desde que assumi a presidência do Sindicato, fiz questão de utilizar o termo presidenta em referência ao cargo que passei a ocupar. Não poucas vezes fui questionada sobre a correção da palavra ao que sempre respondi: está certo e apropriado. Certa no sentido léxico, do significado, já que de acordo com dicionários da língua portuguesa, presidenta é um substantivo feminino que designa mulher que preside.

Mas, principalmente, o título de presidenta está de acordo com o significado contido no fato de uma mulher assumir um cargo de direção, seja à frente de uma entidade com o peso de nosso Sindicato, de uma empresa, ou de um país.

Trata-se de quebra de paradigma de uma sociedade predominantemente machista, do conceito de que a mulher é voltada apenas à vida privada e não à pública. Rompe com a designação de papéis predefinidos a homens e mulheres. Precisamos usar a palavra presidenta até que ela, de tão comum, não incomode mais. E todos possam, independentemente de gênero, exercer as funções que escolheram.

Optei pelo presidenta, Dilma Rousseff é presidenta, assim como Cristina Kirchner e Michelle Bachelet também fizeram questão de serem chamadas "la presidenta". Dessa forma, reforçamos a mudança de gênero que está muito além de uma letra em uma palavra. Resgata a história de todas as mulheres que ao longo do século lutaram por respeito e igualdade, a base de uma sociedade forte e evoluída.

Juvandia Moreira

Presidenta do Sindicato
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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Folha Bancária: Banqueiro, tire a mão do meu peru!

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(Folha Bancária n ° 3.266  sexta e segunda-feira, 23 e 26 de dezembro de 1994 — Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região  CUT)

CRÔNICA DE UM BANCÁRIO

Sr. Presidente,

A propósito das matérias e adesivos com o título acima, devo considerar que fiquei horrorizado com tal escândalo. Então, não é que os banqueiros andaram metendo a mão no peru dos bancários! Conversei com alguns amigos e amigas e eles ponderaram que não devia ser verdade.

Consideravam que era muita sacanagem e que os banqueiros não iriam querer ficar falados nas bocas. Eu, de minha parte, argumentei que conhecia o pessoal do Sindicato e o pessoal da imprensa e que, se o fato não tivesse ocorrido, de maneira alguma eles iriam inventar tal notícia. Se publicaram é porque o fato ocorreu.

Convencido disso sai a campo para verificar a repercussão do assunto na sociedade.

Uma senhora de Santana (o bairro, não o carro), brandindo a Folha Bancária, dizia ser aquilo uma obscenidade que não se fazia nem entre quatro paredes e às escuras. Com as faces ruborizadas afirmou que não via tal depravação nem na novela das oito. Disse que ia consultar sua comunidade e propor uma Marcha dos Bancários Contra a Libertinagem.

Num furo de pesquisa consegui localizar um dos bancários, vítima do escândalo. Ele relatou que estava bastante chateado com o que chamou de incidente, logo agora que iria visitar a família no interior. Na certa, a fofoca já corria o mundo.

Pra disfarçar, disse que iria comprar um panetone e um torrone ou qualquer outra coisa para qual seu décimo-terceiro minguado desse.

Mário Vargas Llosa, de passagem pela paulicéia, não entendeu nada. Mas comentou: "Los banqueros meten las manos en todo lugar. En la Argentina, en la Bolivia, en lo Uruguai, en la Xiririca de la Sierra e también en lo Peru. Pero esto no es novedade!"

Bancários do Sogeral, por sua vez, gritavam sem parar: "Habemus peru! Habemus peru!". Não entendiam a razão de tanta manchete sobre o assunto se o banqueiro já tinha soltado o peru deles.

Bancários de outros rincões retrucavam: "O nosso ainda não!!!"

Sr. Presidente, eu poderia desfiar outro rosário de parágrafos com impressões de mais segmentos sociais. Creio porém que o acima descrito já demonstra o quanto o assunto vem tocando os mais diversos cidadãos e cidadãs deste país real.

Para finalizar, aproveito a oportunidade pra fazer coro com a grita geral dos bancários:  Banqueiro, tire a mão do meu peru!

Atenciosamente,

Natalino da Silva
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Folha Bancária n° 3.266, de 23 e 26 de dezembro de 1994 —  Fez-se e divulgou-se esta crônica no calor de uma campanha sindical contra os banqueiros que, no fim-de-ano, calculavam a correção monetária das antecipações do 13° salário, embolsavam-na e a publicava em seus balanços. Para os bancários e para o Sindicato, tratava-se de receber, em dezembro, o 13° cheio.

Natalino da Silva e Genésio dos Santos são a mesma pessoa.