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quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Luís Edmundo da Costa: Quando o sol da ventura empalidece . . . [soneto]


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Quando o sol da ventura empalidece
E a gente sofre, e chora, e se amargura,
Sentindo a alma ferida que estremece
A debater-se numa noite escura.

Diz o homem, sempre ansioso de ventura:
É uma nuvem que passa!” E a dor esquece
E o sol de novo espera e a luz procura
E ela chega e depois desaparece.

E esta é a vida imperfeita. E viva o mundo,
Mergulhado ao sonho mais profundo,
Sempre a espera da nuvem que o ameaça...

E sempre atrás de um bem que não existe,
A repetir à alma cansada e triste:
É uma nuvem ligeira!... A nuvem passa!


* Nota do blogue Verso e Conversa: O atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página expõe que, em Luiz Edmundo — Série Essecial 41, Academia Brasileira de Letras, a organizadora/autora Maria Inez Turazzi escreve que Luiz Edmundo é o pseudônimo de Luiz de Mello Pereira da Costa; este aprendiz ainda acrescenta que o nome ‘Edmundo’ vem de seu pai, Edmundo Pereira da Costa; o poeta publicou suas obras com o nome/pseudônimo, e assim ficou conhecido na literatura e na vida: Luiz Edmundo.
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Inspirados Sonetos de Autores Brasileiros e Portugueses, Organização e Seleção de Milton Xavier de Carvalho e Prefácio de Morvan Acayaba de Rezende, 1996, FUMARC — Fundação Mariana Resende Costa, Contagem — MG; Luiz ‘Edmundo’ de Mello Pereira da Costa (1878 1961), fluminense e carioca, foi jornalista, historiador, memorialista, teatrólogo, cronista e poeta; dos oito aos quinze anos, estudou como interno no Colégio Abílio, famoso instituto de ensino para meninos, a convite do Barão de Macaúbas, diretor e dono daquela instituição; como jornalista, colaborou n’A Imprensa, no Correio da Manhã, e também dirigiu a Revista Contemporânea, associando-se à vanguarda do Simbolismo brasileiro; a partir de 1907, Luiz Edmundo divide o seu tempo entre o jornalismo, a pesquisa histórica e a atividade comercial, como corretor de navios e despachante alfandegário da marinha mercante francesa; suas obras: Nimbos (1900), Turíbulos (1900), Poesias (1907), Rosa dos Ventos (1919), Um Apelo à Razão (peça traduzida, Un Appel à la Raison, [de Georges Enaut], 1926), A Marquesa de Santos (peça teatral, 1924), De algumas fábulas de Trilussa (1927), Dom João VI (peça teatral, 1928), O Rio de Janeiro do meu tempo — 3 volumes (memórias, 1938), Farias Brito (1941), Recordações do Rio antigo (1950), ...; pertenceu à ABL Academia Brasileira de Letras.

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Luiz Edmundo*: Olhos Alegres


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Há uma lágrima, sempre, atenta em nossos olhos,
Uma lágrima branca, uma lágrima pura,
E assim como no mar os traiçoeiros escolhos,
Ela, escondida, a flor das pálpebras procura.

Aí fica parada; os íntimos refolhos
Da nossa alma reflete, e, quando uma ventura
Em riso nos entreabre os lábios, com doçura,
Ela, a lágrima fica a nos tremer nos olhos.

Tu, que és moça e que ris e não sabes da mágoa
Do mundo, tem cuidado, olha essa gota d’água,
Se não queres da vida achar-te entre os abrolhos;

Ri, mas ri devagar, que a lágrima traiçoeira,
Talvez, vendo-te rir assim dessa maneira,
Trema e caia afinal um dia dos teus olhos!

[Poesias, 1907.]
Poesias. 4ª ed. Rio de Janeiro: Companhia Civilização, 1944, pp.15-16.


* Nota do blogue Verso e Conversa: O atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página expõe que a organizadora/autora Maria Inez Turazzi escreve que Luiz Edmundo é o pseudônimo de Luiz de Mello Pereira da Costa; este aprendiz ainda acrescenta que o nome ‘Edmundo’ vem de seu pai, Edmundo Pereira da Costa; o poeta publicou suas obras com o nome/pseudônimo, e assim ficou conhecido na literatura e na vida: Luiz Edmundo.
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Luiz Edmundo — Série Essencial 41, Academia Brasileira de Letras, Organização e Notas de Maria Inez Turazzi, 2011, Imprensa Oficial do Estado, São Paulo — SP; Luiz ‘Edmundo’ de Mello Pereira da Costa (1878 1961), fluminense e carioca, foi jornalista, historiador, memorialista, teatrólogo, cronista e poeta; dos oito aos quinze anos, estudou como interno no Colégio Abílio, famoso instituto de ensino para meninos, a convite do Barão de Macaúbas, diretor e dono daquela instituição; como jornalista, colaborou n’A Imprensa, no Correio da Manhã, e também dirigiu a Revista Contemporânea, associando-se à vanguarda do Simbolismo brasileiro; a partir de 1907, Luiz Edmundo divide o seu tempo entre o jornalismo, a pesquisa histórica e a atividade comercial, como corretor de navios e despachante alfandegário da marinha mercante francesa; suas obras: Nimbos (1900), Turíbulos (1900), Poesias (1907), Rosa dos Ventos (1919), Um Apelo à Razão (peça traduzida, Un Appel à la Raison, [de Georges Enaut], 1926), A Marquesa de Santos (peça teatral, 1924), De algumas fábulas de Trilussa (1927), Dom João VI (peça teatral, 1928), O Rio de Janeiro do meu tempo 3 volumes (memórias, 1938), Farias Brito (1941), Recordações do Rio antigo (1950), ...; pertenceu à ABL Academia Brasileira de Letras.