
que importância
tem uma pedra
que importância
tem um poema
se não se faz pedra
se não se petrifica
se não ar[r]anha ou fere[a]
que importância
tem uma pedra
se não lhe confiro
minha raiva
ao atirá-la
que importância
tem um homem
se não tem raiva
que importância
tem um poema
se não posso — pedra —
atirá-lo contra
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Poesia Viva 1 (vários
poetas) — Introdução de Antônio Houaiss, 1968, Civilização
Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Félix Augusto de Athayde
(1932 — 1995), pernambucano de Olinda, foi jornalista,
poeta e ensaísta; iniciou-se no Jornal do
Commércio (Recife — PE) e trabalhou na Última Hora, Tribuna
da Imprensa, Correio da Manhã, O País, O Estado de São
Paulo, O Globo, Jornal do Brasil, e colaborou regularmente com o
semanário O Pasquim; divulgou seus escritos em jornais, revistas e em
antologias literárias; em vida, escreveu e publicou O Bicho
Amoroso (poemas eróticos, 1980) e Aloísio Magalhães Interlocução
Félix de Athayde (diálogo poético, 1984); postumamente,
editou-se Poemas Reunidos (os dois livros anteriores, além de outros
poemas, 2002); o poeta, que esteve exilado na década de 60, voltou
clandestino ao Brasil, progressivamente retornou à legalidade e retomou suas
atividades de jornalista e articulista.