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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Erik Axel Karlfeldt: Canção para depois da colheita

 
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[traduzido por Ivo Barroso]

Eis que dança Fridolin.
embriagado de vinho novo,
do fruto de seus campos, do suco de suas terras de bagas,
ébrio da valsa que assovia.
Vede! as abas de seu traje repregadas no braço,
ele esfalfa na dança a cada uma das moças,
que, sem fôlego — como a papoula que se curva —,
feliz, deixa tombar a cabeça em seu ombro.

Eis que dança Fridolin,
ébrio com o vinho da lembrança.
Seu pai e seu avô outrora aqui se embebederam
ao som do violino aldeão que murmura.
Hoje, porém, envelhecidos, dormem na noite da festa,
e os dedos que plangiam as cordas estão encarquilhados;
sua vida e seu tempo não passam de um canto que ressoa
onde existem palavras de alegria e suspiros.

Eis que dança Fridolin:
o vosso filho, como ´é forte e belo!
Conversa em patoá com as pessoas do campo,
mas sabe falar em latim com os doutores.
Sua foice acerada passa pelo ouro da terra, que amainastes;
como vós rejubila quando os celeiros estão cheios.
Como filho de vossa raça, ergue a sua dançarina
alto, em direção à rubra caçarola da lua.

(Canções de Fridolin e Outros Poemas — 1898)

Erik Axel Karlfeldt

Skördeanden
[Sång efter skördeanden]

Här dansar Fridolin,
han är full av det söta vin,
av sin hvetåkers frukt, sina bärmakares saft,
av den hvinande valsmelodin.
Se, med livrockens väldig skört på sin arm
hur han dansar hvar flicka på balen varm,
tills hon lutar — lik vallmon på slokande skaft —
så lycksaligen matt mot hans barm.

Här dansar Fridolin,
han är full av minnenas vin.
Här hugsvalandes far och farfar en gång
av den surrande bondviolin.
Men nu soven I, gamle, i högtidens natt,
och den hand, som gned strängarna då, är nu matt,
och ert liv samt er tid är en susande sång,
som har toner av sucksamt och gladt.

Men här dansar Fridolin!
Sen er son, han är stark, han är fin,
och han talar med bönder på böndernas sätt
men med lärde män på latin.
Och hans lie går skarp i er nyodlings gull,
och han fröjdas som I, när hans loge står full,
och han lyfter sin mö som en man av er ätt
högt mot höstmånens röda kastrull.

(Fridolins Visor — 1898)
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Poesias: Erik Axel Karlfeldt, Tradução de Ivo Barroso, Estudo Introdutivo e Vida e Obra de Erik Axel Karlfeldt, por Gunnar Brandell, Ilustrações de Postma e Pequena História da atribuição do Prêmio Nobel a Erik Axel Karlfeldt, por Kjell Strömberg — Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura, 1973, Editora Ópera Mundi, Rio de Janeiro — RJ; Erik Axel Karlfeldt (1864 — 1931), sueco de Karlbo, província de Dalekarlia, de família empobrecida e endividada, com descendência de mineradores, teve o pai preso, estudou em Karlbo e em Västerås, depois na Universidade de Uppsala, e, entre outros ofícios, foi bibliotecário da Academia Agrícola e da Biblioteca Real de Estocolmo, membro e secretário da Academia Sueca, professor e poeta lírico simbolista; teve que interromper os estudos na Universidade de Uppsala, por absoluta falta de dinheiro, ocupou-se com alguns trabalhos, experienciou o desemprego, foi contratado como jornalista experimental no Aftonbladet, em Djursholm; com a melhora de sua situação miserável, e com o apoio financeiro do editor-chefe e dono do jornal, voltou aos estudos em Uppsala e, concluindo-os, bacharelou-se em 1892; para isso, obteve aprovação em Latim, Línguas Germânicas, Línguas Nórdicas, Mineralogia e Geologia, Filosofia teórica e Estética, Literatura e História da Arte; já estreante na poesia, Karlfeldt, no início de 1890, fez contato com o crítico literário e editor do Svensk tidskrift, e ali, em 1891, teve quatro de seus poemas publicados e assinados pela primeira vez com o próprio nome; ainda em 1892, atuou na direção da Djursholmsbolaget — construtora de casas, fez parte do conselho escolar da Enskilda Läroverk de Djursholm, foi professor de Sueco, Inglês e Alemão; suas obras: Vildmarks — och Karleksvisor (Canções dos Bosques e Canções de Amor, 1895), Fridolins Visor (Canções de Fridolin, 1898), Fridolins Lustgard och Dalmalningar Pa Rim (O Éden de Fridolin e Quadros Dalecarlianos em Versos, 1901), Flora och Pomona (Flora e Pomona, 1906), Skalden Lucidor (O Poeta Lucidor, Estudo sobre o poeta Lars Johansson Lucidor [1638 — 1674], 1914), Flora och Bellona (Flora e Belona — Poesias, 1918), Carl Fredrik Dahlgren (Retrato de um romântico sueco de há cem anos, 1924), Hösthorn (Trompa Ocidental — Poesias, 1927), Skrifter (Obras poéticas — Edição comemorativa em 5 volumes, 1931); Erik Axel Karlfeldt, o poeta lírico [da lavra simbolista, panteísta disfarçado de regionalista] que morrera em 08 de abril de 1931, em indicação excepcional e póstuma, foi laureado com o Prêmio Nobel de Literatura a 8 de outubro daquele ano.

terça-feira, 2 de junho de 2026

Erik Axel Karlfeldt: A Virgem Maria

 
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[traduzido por Ivo Barroso]

Lá vai ela descendo pelos prados de Sjugarebyn*;
é uma jovem aldeã de faces de flor de amendoeira,
sim, como a flor da amêndoa ou da roseira bravia,
que crescem longe, onde ninguém passa, nem o pó se levanta.
Por que sendeiros andas que o sol não te queima as faces?
Que sonhaste, Maria, que sentiste em teu jovem seio,
para que teu sangue não seja ardente como o das outras?
Um estranho clarão contorna os teus cabelos nus
e tua fronte é semelhante ao arqueado da lua,
quando pelas encostas da Dalecárlia vai, alva e pendida,
luzindo por cima das ameixeiras primaveris.

Eis que o vento da noite traz o frescor do amor-perfeito
e as campânulas dos lírios soam o ângelus e a paz;
quase não se ouve o rincho do cavalo, o balir do cordeiro,
o pipilo dos ninhos de andorinhas e o rumor dos bosques.
Agora os jovens dalecarlianos seguem aos casais;
mas tu, eleita entre as mulheres e por todos desejada,
és como a menina que volta de sua primeira comunhão
e que, comovida, quer passar em vigília a noite de Pentecostes,
para de novo recordar as palavras que ouviste
e de novo reviver o milagre que provaste
Regressa, Maria, regressa, pois já é tarde.

Tua mãe se inquieta em pensar que passeias sozinha.
És tão jovem, tão frágil como o ramo do salgueiro,
e pelas florestas erra o urso que ataca.
A rosa que carregas, não é tua proteção?
Foi um anjo que a trouxe de um jardim venturoso,
para que possas caminhar sobre as serpentes e espinhos.
Sim, o raio de luz que no crepúsculo
desce do céu e reverbera sobre o lago,
se quisesses, como esposa de Deus,
poderias tomar esse ponto luminoso
para ir, hoje mesmo, ao paraíso.

Erik Axel KarlFeldt

Jungfru Maria

Hon kommer utför ängarna vid Sjugareby.
Hon är en liten kulla med mandelblommans hy,
ja, som mandelblom och nyponblom långt bort från väg och by,
där aldrig det dammar och vandras.
Vilka stigar har du vankat, så att solen dig ej bränt?
Vad har du drömt, Maria, i ditt unga bröst och känt,
att ditt blod icke brinner som de andras?
Det skiner så förunderligt ifrån ditt bara hår,
och din panna är som bågiga månen,
när över Bergsängsbackar han vit och lutad går
och lyser genom vårliga slånen.

Nu svalkar aftonvinden i aklejornas lid,
och gula liljeklockor ringa helgsmål och frid;
knappt gnäggar hagens fåle, knappt bräker fållans kid,
knappt piper det i svalbon och lundar.
Nu gå Dalarnas ynglingar och flickor par om par:
du är utvald framför andra, du är önskad av en var,
vad går du så ensam och begrundar?
Du är som jungfrun, kommen från sitt första nattvardsbord,
som i den tysta pingstnatt vill vaka
med all sitt hjärtas bävan och tänka på de ord
hon förnummit och de under hon fått smaka.

Vänd om, vänd om, Maria, nu blir aftonen sen.
Din moder månde sörja, att du strövar så allen.
Du är liten och bräcklig som knäckepilens gren,
och i skogen går den slående björnen.
Ack, den rosen, som du håller, är ditt tecken och din vård,
den är bringad av en ängel från en salig örtagård:
du kan trampa på ormar och törnen.
Ja, den strålen, som ligger så blänkande och lång
ifrån aftonrodnans fäste över Siljan —
du kunde gå till paradis i kväll din brudegång
på den smala och skälvande tiljan.

[Fridolins Lustgard och Dalmalningar Pa Rim — 1901]

* Nota do tradutor Ivo Barroso: Sjugarebyn: aldeia do cantão de Leksand, onde Karlfeldt passava o verão.
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Poesias: Erik Axel Karlfeldt, Tradução de Ivo Barroso, Estudo Introdutivo e Vida e Obra de Erik Axel Karlfeldt, por Gunnar Brandell, Ilustrações de Postma e Pequena História da atribuição do Prêmio Nobel a Erik Axel Karlfeldt, por Kjell Strömberg — Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura, 1973, Editora Opera Mundi, Rio de Janeiro — RJ; Erik Axel Karlfeldt (1864 — 1931), sueco de Karlbo, província de Dalekarlia, de família empobrecida e endividada, com descendência de mineradores, teve o pai preso, estudou em Karlbo e em Västerås, depois na Universidade de Uppsala, e, entre outros ofícios, foi bibliotecário da Academia Agrícola e da Biblioteca Real de Estocolmo, membro e secretário da Academia Sueca, professor e poeta lírico simbolista; teve que interromper os estudos na Universidade de Uppsala, por absoluta falta de dinheiro, ocupou-se com alguns trabalhos, experienciou o desemprego, foi contratado como jornalista experimental no Aftonbladet, em Djursholm; com a melhora de sua situação miserável, e com o apoio financeiro do editor-chefe e dono do jornal, voltou aos estudos em Uppsala e, concluindo-os, bacharelou-se em 1892; para isso, obteve aprovação em Latim, Línguas Germânicas, Línguas Nórdicas, Mineralogia e Geologia, Filosofia teórica e Estética, Literatura e História da Arte; já estreante na poesia, Karlfeldt, no início de 1890, fez contato com o crítico literário e editor do Svensk tidskrift, e ali, em 1891, teve quatro de seus poemas publicados e assinados pela primeira vez com o próprio nome; ainda em 1892, atuou na direção da Djursholmsbolaget — construtora de casas, fez parte do conselho escolar da Enskilda Läroverk de Djursholm, foi professor de Sueco, Inglês e Alemão; suas obras: Vildmarks — Och Karleksvisor (Canções dos Bosques e Canções de Amor, 1895), Fridolins Visor (Canções de Fridolin, 1898), Fridolins Lustgard och Dalmalningar Pa Rim (O Éden de Fridolin e Quadros Dalecarlianos em Versos, 1901), Flora och Pomona (Flora e Pomona, 1906), Skalden Lucidor (O Poeta Lucidor, Estudo sobre o poeta Lars Johansson Lucidor [1638 — 1674], 1914), Flora och Bellona (Flora e Belona — Poesias, 1918), Carl Fredrik Dahlgren (Retrato de um romântico sueco de há cem anos, 1924), Hösthorn (Trompa Ocidental — Poesias, 1927), Skrifter (Obras poéticas — Edição comemorativa em 5 volumes, 1931); Erik Axel Karlfeldt, o poeta lírico [da lavra simbolista, panteísta disfarçado de regionalista] que morrera em 08 de abril de 1931, em indicação excepcional e póstuma, foi laureado com o Prêmio Nobel de Literatura a 8 de outubro daquele ano.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Erik Axel Karlfeldt: Nada melhor do que a espera

 
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[traduzido por Ivo Barroso]

Nada melhor do que a espera,
cheias da primavera, tempo dos botões,
os dias de maio não são tão claros
como os clarões dos de abril.
Vem sobre o último gelo do caminho;
a floresta nos dá seu frescor adormecido
com seu profundo murmúrio.
Daria satisfeito a volúpia do estio
pelas primeiras vergônteas que começam a luzir
na sombra do vale sob os pinheiros,
e o primeiro canto do melro.

Nada se compara a esse tempo de langor,
anos de espera, tempo de bodas.
Não há primavera com tal claridade
que a de um amor secreto.
Ver-se raramente, separar-se às pressas,
sonhar delícias e os perigos
que a vida no seio traz!
Que os impacientes colham os frutos dourados,
eu quero demorar, renunciar,
velar em meu jardim
enquanto desabrocham os brotos.

Erik Axel Karlfeldt

Intet Är Som Väntanstider

Intet är som väntanstider,
vårflodsveckor, knoppningstider,
ingen maj en dager sprider
som den klarnande april.
Kom på stigens sista halka,
skogen ger sin dävna svalka
och sitt djupa sus därtill.
Sommarns vällust vill jag skänka
för de första strån, som blänka
i en dunkel furusänka,
och den första trastens drill.

Intet är som längtanstider,
väntansår, trolovningstider.
Ingen vår ett skimmer sprider
som en hemlig hjärtanskär.
Sällan mötas, skiljas snarligt,
drömma om allt ljuvt och farligt
livet i sitt sköte bär!
Gyllne frukt må andra skaka;
jag vill dröja och försaka,
i min lustgård vill jag vaka,
medan träden knoppas där.

[Fridolins Visor — 1898]
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Poesias: Erik Axel Karlfeldt, Tradução de Ivo Barroso, Estudo Introdutivo e Vida e Obra de Erik Axel Karlfeldt, por Gunnar Brandell, Ilustrações de Postma e Pequena História da atribuição do Prêmio Nobel a Erik Axel Karlfeldt, por Kjell Strömberg — Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura, 1973, Editora Opera Mundi, Rio de Janeiro — RJ; Erik Axel Karlfeldt (1864 — 1931), sueco de Karlbo, província de Dalekarlia, de família empobrecida e endividada, com descendência de mineradores, teve o pai preso, estudou em Karlbo e em Västerås, depois na Universidade de Uppsala, e, entre outros ofícios, foi bibliotecário da Academia Agrícola e da Biblioteca Real de Estocolmo, membro e secretário da Academia Sueca, professor e poeta lírico simbolista; teve que interromper os estudos na Universidade de Uppsala, por absoluta falta de dinheiro, ocupou-se com alguns trabalhos, experienciou o desemprego, foi contratado como jornalista experimental no Aftonbladet, em Djursholm; com a melhora de sua situação miserável, e com o apoio financeiro do editor-chefe e dono do jornal, voltou aos estudos em Uppsala e, concluindo-os, bacharelou-se em 1892; para isso, obteve aprovação em Latim, Línguas Germânicas, Línguas Nórdicas, Mineralogia e Geologia, Filosofia teórica e Estética, Literatura e História da Arte; já estreante na poesia, Karlfeldt, no início de 1890, fez contato com o crítico literário e editor do Svensk tidskrift, e ali, em 1891, teve quatro de seus poemas publicados e assinados pela primeira vez com o próprio nome; ainda em 1892, atuou na direção da Djursholmsbolaget — construtora de casas, fez parte do conselho escolar da Enskilda Läroverk de Djursholm, foi professor de Sueco, Inglês e Alemão; suas obras: Vildmarks — Och Karleksvisor (Canções dos Bosques e Canções de Amor, 1895), Fridolins Visor (Canções de Fridolin, 1898), Fridolins Lustgard och Dalmalningar Pa Rim (O Éden de Fridolin e Quadros Dalecarlianos em Versos, 1901), Flora och Pomona (Flora e Pomona, 1906), Skalden Lucidor (O Poeta Lucidor, Estudo sobre o poeta Lars Johansson Lucidor [1638 — 1674], 1914), Flora och Bellona (Flora e Belona — Poesias, 1918), Carl Fredrik Dahlgren (Retrato de um romântico sueco de há cem anos, 1924), Hösthorn (Trompa Ocidental — Poesias, 1927), Skrifter (Obras poéticas — Edição comemorativa em 5 volumes, 1931); Erik Axel Karlfeldt, o poeta lírico [da lavra simbolista, panteísta disfarçado de regionalista] que morrera em 08 de abril de 1931, em indicação excepcional e póstuma, foi laureado com o Prêmio Nobel de Literatura a 8 de outubro daquele ano.

terça-feira, 19 de agosto de 2025

Erik Axel Karlfeldt: Amor selvagem

 
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[traduzido por Ivo Barroso]

Ele estava deitado sob as árvores da encosta,
a cabeça a repousar sobre o alforje, dormindo.
Era um cigano vagabundo,
e o sol por entre as bétulas
brilhava sobre o peito moreno
raramente coberto de camisa.

A saia a cair até os tornozelos,
uma rapariga da estirpe gitana,
veio a passar, fagueira e esbelta.
Vendo o rapaz, ela sorriu,
apanhou um raminho de erva
e se pôs a roçá-lo em seus lábios.

Como se fosse de mola, o moço se ergueu
mais rápido do que se fugisse aos da guarda.
E plaft! a bofetada estala!
Mas, plaft! a resposta é imediata,
Depois, em silêncio, embaraçados,
os dois se encararam demoradamente.

Estavam na primavera do amor,
na ardente primavera de junho *
que esparzia seus fogos naquelas almas incendiadas.
Eram ambos atrevidos e belos,
embora perseguidos, magros, extenuados
como os animais bravios da floresta.

Era a primeira vez que se viam,
mas como se parecessem
— cada qual tem seu igual —
bem cedo se reconciliaram.
E trocaram juramentos
sem igreja e sem juiz.

Para o banquete de núpcias, a noiva,
a bela repariga esfomeada,
esvaziou os dois alforjes:
no dele arenques e maçãs,
ração campônia, à que ela ajunta
de dote os doces da cidade.

Com um sorriso experto retirou
do bolso da saia uma garrafa
que até então não revelara.
“Que maravilha, cerveja preta!
Ó minha esposa maravilhosa!”
E ternamente se enlaçaram.

Falaram, após, das belezas da vida
quando se vai, em par, pelas estradas
a mendigar e a furtar ambos de acordo.
Falam do outono e das festas das feiras,
de viagens pela vastidão do mundo,
até o dia em que um se deixa apanhar.

Depois a garrafa sumiu no alforje
e os dois se foram para além da colina
trocando juras e risos saborosos.
No colchão perfumado de um monte de feno
ao som do vento que vai do prado para os bosques
foi que se transcorreu a curta lua-de-mel.

Erik Axel Karlfeldt

Vild kärlek

Han låg på den skogiga åsen
och sov med kinden mot påsen,
en stryker av tattarsläkt,
och soln genom björkarnas springa
sken ner på hans bruna bringa,
den sällan en skjorta väl täckt.

Med kjol som till smalbenet räckte
en slinka av tattarsläkte
kom drivande, gänglig och tunn.
När pojken hon varsnade, log hon,
ett strå ifrån marken tog hon
och kittlade sakta hans mun.

Upp sprang han, kvick som en fjäder,
som om han av länsman fått väder —
surr, örfilen ven och brann;
pang, svaret kom raskt och redligt!
Se’n stodo de tyst och beskedligt
och mönstrade skamsna varann.

De voro i älskogsåren.
Den glödande junivåren
göt eld i hetsig natur.
De voro käcka och fagra,
fast jäktade, svultna och magra
som skogarnas skadedjur.

De möttes för första dagen
men buro ju släktskapsdragen,
och lika barn leka bäst.
Och snart var försoningen sluten
och löftenas boja knuten
förutan lysning och präst.

Nu bröllopsmålet vart hållet,
och bruden, det glupska trollet,
i påsarna rev och slet.
Och han hade sill och potäter
och föda som bondfolk äter,
hon stadsmat och läckerhet.

Med illmarigt leende flickan
se’n håvade upp ur fickan
en flaska som hittills hon gömt.
"Det smakte, förbaska mej, mumma,
min lilla beskedliga gumma!"
De kysstes lycksaligt och ömt.

De talte om livets gamman,
då tvenne vandra tillsamman
och tigga och stjäla i lag,
om hösten och marknadsfärden,
om strövtåg vida i världen —
tills, förstås, man blir fast en dag...

Se’n stucko de flaskan i påsen
och vankade bort längs åsen
under mustiga smekord och skratt.
På höladans doftande bolster
vid suset av skogsängens jolster
förrann deras korta natt.

[Vildmarks — och Karleksvisor, 1895]

* Nota do tradutor Ivo Barroso: O leitor, tendo presente a incidência do verão europeu nos meses de junho, julho e agosto, poderá estranhar que Karlfeldt se refira a esse primeiro mês como de primavera. A primavera e o verão, entretanto, no Norte da Suécia são mais tardios e curtos que no resto da Europa, o que permite ao poeta referir-se ao mês de junho ao mesmo tempo como fim da primavera e início do verão.
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Poesias: Erik Axel Karlfeldt, Tradução de Ivo Barroso, Estudo Introdutivo e Vida e Obra de Erik Axel Karlfeldt, por Gunnar Brandell, Ilustrações de Postma e Pequena História da atribuição do Prêmio Nobel a Erik Axel Karlfeldt, por Kjell Strömberg — Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura, 1973, Editora Opera Mundi, Rio de Janeiro — RJ; Erik Axel Karlfeldt (1864 — 1931), sueco de Karlbo, província de Dalekarlia, de família empobrecida e endividada, com descendência de mineradores, teve o pai preso, estudou em Karlbo e em Västerås, depois na Universidade de Uppsala, e, entre outros ofícios, foi bibliotecário da Academia Agrícola e da Biblioteca Real de Estocolmo, membro e secretário da Academia Sueca, professor e poeta lírico simbolista; teve que interromper os estudos na Universidade de Uppsala, por absoluta falta de dinheiro, ocupou-se com alguns trabalhos, experienciou o desemprego, foi contratado como jornalista experimental no Aftonbladet, em Djursholm; com a melhora de sua situação miserável, e com o apoio financeiro do editor-chefe e dono do jornal, voltou aos estudos em Uppsala e, concluindo-os, bacharelou-se em 1892; para isso, obteve aprovação em Latim, Línguas Germânicas, Línguas Nórdicas, Mineralogia e Geologia, Filosofia teórica e Estética, Literatura e História da Arte; já estreante na poesia, Karlfeldt, no início de 1890, fez contato com o crítico literário e editor do Svensk tidskrift, e ali, em 1891, teve quatro de seus poemas publicados e assinados pela primeira vez com o próprio nome; ainda em 1892, atuou na direção da Djursholmsbolaget — construtora de casas, fez parte do conselho escolar da Enskilda Läroverk de Djursholm, foi professor de Sueco, Inglês e Alemão; suas obras: Vildmarks — och Karleksvisor (Canções dos Bosques e Canções de Amor, 1895), Fridolins Visor (Canções de Fridolin, 1898), Fridolins Lustgard och Dalmalningar Pa Rim (O Éden de Fridolin e Quadros Dalecarlianos em Versos, 1901), Flora och Pomona (Flora e Pomona, 1906), Skalden Lucidor (O Poeta Lucidor, Estudo sobre o poeta Lars Johansson Lucidor [1638 — 1674], 1914), Flora och Bellona (Flora e Belona — Poesias, 1918), Carl Fredrik Dahlgren (Retrato de um romântico sueco de há cem anos, 1924), Hösthorn (Trompa Ocidental — Poesias, 1927), Skrifter (Obras poéticas — Edição comemorativa em 5 volumes, 1931); Erik Axel Karlfeldt, o poeta lírico [da lavra simbolista, panteísta disfarçado de regionalista] que morrera em 08 de abril de 1931, em indicação excepcional e póstuma, foi laureado com o Prêmio Nobel de Literatura a 8 de outubro daquele ano.

quinta-feira, 12 de junho de 2025

Erik Axel Karlfeldt: Talvez

 
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[traduzido por Ivo Barroso]

Cheguei a sofrer quase tudo
o que se pode sofrer de pena e desconforto.
Estão visíveis os sinais?
Meu leito florescerá ainda para as núpcias
e será que terei esposa e filhos?
Quem sabe ler a minha sorte?

Devo reclamar de deus?
Não, decerto viu que minha pele,
para abrandar-se, requeria um rude tratamento.
Em verdade, como o senti! Mas foi boa a queimadura:
eu não sou hoje nenhum infame.
Devo lamentar-me por isso?

Irão ainda me desancar?
Talvez suporte outra desgraça?
Tormentos sobre os meus plainos,
vinde com vossos ventos, temporais!
Minha pele endureceu como a cortiça
exposta ao vendaval do norte.

Erik Axel Karlfeldt

Kanske!

Jag har slitit ungefär
allt vad lett och otäckt är;
syns det mycket på mig?
Kanske grönskas än min säng,
givs mig mö och föds mig dräng —
vem har lust att spå mig?

Skall jag gräla på min Gud?
Nej, han såg väl, att min hud
krävde bister smörja.
Sved nog, men sved ganska gott:
fick ej bli en riktig svott,
skall jag därför sörja?

Skall jag nu ha mera stryk?
Kanske tål jag än en byk.
Storm på mina slätter,
kom med ur och kom med skur!
Jag är hård likt furans tjur,
som mot nordan vätter.

[Fridolins Visor — 1898]
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Poesias: Erik Axel Karlfeldt, Tradução de Ivo Barroso, Estudo Introdutivo e Vida e Obra de Erik Axel Karlfeldt, por Gunnar Brandell, Ilustrações de Postma e Pequena História da atribuição do Prêmio Nobel a Erik Axel Karlfeldt, por Kjell Strömberg — Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura, 1973, Editora Opera Mundi, Rio de Janeiro — RJ; Erik Axel Karlfeldt (1864 — 1931), sueco de Karlbo, província de Dalekarlia, de família empobrecida e endividada, com descendência de mineradores, teve o pai preso, estudou em Karlbo e em Västerås, depois na Universidade de Uppsala, e, entre outros ofícios, foi bibliotecário da Academia Agrícola e da Biblioteca Real de Estocolmo, membro e secretário da Academia Sueca, professor e poeta lírico simbolista; teve que interromper os estudos na Universidade de Uppsala, por absoluta falta de dinheiro, ocupou-se com alguns trabalhos, experienciou o desemprego, foi contratado como jornalista experimental no Aftonbladet, em Djursholm; com a melhora de sua situação miserável, e com o apoio financeiro do editor-chefe e dono do jornal, voltou aos estudos em Uppsala e, concluindo-os, bacharelou-se em 1892; para isso, obteve aprovação em Latim, Línguas Germânicas, Línguas Nórdicas, Mineralogia e Geologia, Filosofia teórica e Estética, Literatura e História da Arte; já estreante na poesia, Karlfeldt, no início de 1890, fez contato com o crítico literário e editor do Svensk tidskrift, e ali, em 1891, teve quatro de seus poemas publicados e assinados pela primeira vez com o próprio nome; ainda em 1892, atuou na direção da Djursholmsbolaget — construtora de casas, fez parte do conselho escolar da Enskilda Läroverk de Djursholm, foi professor de Sueco, Inglês e Alemão; suas obras: Vildmarks — och Karleksvisor (Canções dos Bosques e Canções de Amor, 1895), Fridolins Visor (Canções de Fridolin, 1898), Fridolins Lustgard och Dalmalningar Pa Rim (O Éden de Fridolin e Quadros Dalecarlianos em Versos, 1901), Flora och Pomona (Flora e Pomona, 1906), Skalden Lucidor (O Poeta Lucidor, Estudo sobre o poeta Lars Johansson Lucidor [1638 — 1674], 1914), Flora och Bellona (Flora e Belona — Poesias, 1918), Carl Fredrik Dahlgren (Retrato de um romântico sueco de há cem anos, 1924), Hösthorn (Trompa Ocidental — Poesias, 1927), Skrifter (Obras poéticas — Edição comemorativa em 5 volumes, 1931); Erik Axel Karlfeldt, o poeta lírico [da lavra simbolista, panteísta disfarçado de regionalista] que morrera em 08 de abril de 1931, em indicação excepcional e póstuma, foi laureado com o Prêmio Nobel de Literatura a 8 de outubro daquele ano.

quarta-feira, 12 de março de 2025

Erik Axel Karlfeldt: Canção da serpente

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[traduzido por Ivo Barroso]

Quando vou pelos bosques, levo uma garrafa,
porque a aguardente é bom contraveneno.

Mas, ao pensar em víbora, me recordo daquela
mais falsa serpente, mais coleante e astuta.

Dizem que a serpente se esconde entre os ramos verdes
para atrair os pássaros com seu olhar terno e sedutor.

Mas a jovem, essa vai por todos os caminhos com seu olhar
feiticeiro, assim que vê uma veste ou ouve o som de botas.

A serpente se arrasta sobre o ventre e só come terra,
mas a jovem quer ter em sua mesa prataria e giloseimas.

Podemos ensinar as serpentes a dançar para alegria dos tolos,
mas a jovem, segundo dizem, começa a dançar no ventre materno.

Uma vez por ano apenas é que a serpente muda de pele,
mas a jovem muda oito vezes por semana de idéia.

Quando a serpente atraiçoa, morde somente teus calcanhares,
mas a perfídia da mulher pode matar a alma do mancebo.

Termino aqui minha canção sobre esse animal nocivo,
e corro pelos bosques para encontrar a jovem que eu amo.

Erik Axel Karlfeldt

Ormvisa

När jag i marken vandrar, vill jag min flaska ha,
blott därför, att mot ormars gift det starka är så bra.

Men tänker jag på ormen, så minns jag allt en ann,
en falskare och halare och svårare än han.

Det sägs att ormen lurar inunder gröna träd,
och blickar milt och tjusande på fågelen så späd.

Men flickan går på varje stig, och hennes trollblick far
varhelst en rock hon skådar och hör ett stövelpar.

Uppå sin buk går ormen och äter bara jord,
men flickan vill ha sockermat och silverfat på bord.

En orm kan läras dansa till dårars tidsfördriv,
men flickebarnet dansar visst re’n i sin moders liv.

En enda gång om året ömsar ormen skinn,
men åtta dar i veckan byter flickan sinn.

Om ormen dig besviker, han biter blott din häl,
men kvinnosvek kan stinga till döds en ynglings själ.

Nu slutar jag min visa om det skadliga djur
och hastar över skogen till min flickas lilla bur.

[Fridolins Visor — 1898]
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Poesias: Erik Axel Karlfeldt, Tradução de Ivo Barroso, Estudo Introdutivo e Vida e Obra de Erik Axel Karlfeldt, por Gunnar Brandell, Ilustrações de Postma e Pequena História da atribuição do Prêmio Nobel a Erik Axel Karlfeldt, por Kjell Strömberg — Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura, 1973, Editora Opera Mundi, Rio de Janeiro — RJ; Erik Axel Karlfeldt (1864 — 1931), sueco de Karlbo, província de Dalekarlia, de família empobrecida e endividada, com descendência de mineradores, teve o pai preso, estudou em Karlbo e em Västerås, depois na Universidade de Uppsala, e, entre outros ofícios, foi bibliotecário da Academia Agrícola e da Biblioteca Real de Estocolmo, membro e secretário da Academia Sueca, professor e poeta lírico simbolista; teve que interromper os estudos na Universidade de Uppsala, por absoluta falta de dinheiro, ocupou-se com alguns trabalhos, experienciou o desemprego, foi contratado como jornalista experimental no Aftonbladet, em Djursholm; com a melhora de sua situação miserável, e com o apoio financeiro do editor-chefe e dono do jornal, voltou aos estudos em Uppsala e, concluindo-os, bacharelou-se em 1892; para isso, obteve aprovação em Latim, Línguas Germânicas, Línguas Nórdicas, Mineralogia e Geologia, Filosofia teórica e Estética, Literatura e História da Arte; já estreante na poesia, Karlfeldt, no início de 1890, fez contato com o crítico literário e editor do Svensk tidskrift, e ali, em 1891, teve quatro de seus poemas publicados e assinados pela primeira vez com o próprio nome; ainda em 1892, atuou na direção da Djursholmsbolaget — construtora de casas, fez parte do conselho escolar da Enskilda Läroverk de Djursholm, foi professor de Sueco, Inglês e Alemão; suas obras: Vildmarks — och Karleksvisor (Canções dos Bosques e Canções de Amor, 1895), Fridolins Visor (Canções de Fridolin, 1898), Fridolins Lustgard och Dalmalningar Pa Rim (O Éden de Fridolin e Quadros Dalecarlianos em Versos, 1901), Flora och Pomona (Flora e Pomona, 1906), Skalden Lucidor (O Poeta Lucidor, Estudo sobre o poeta Lars Johansson Lucidor [1638 — 1674], 1914), Flora och Bellona (Flora e Belona — Poesias, 1918), Carl Fredrik Dahlgren (Retrato de um romântico sueco de há cem anos, 1924), Hösthorn (Trompa Ocidental — Poesias, 1927), Skrifter (Obras poéticas — Edição comemorativa em 5 volumes, 1931); Erik Axel Karlfeldt, o poeta lírico [da lavra simbolista, panteísta disfarçado de regionalista] que morrera em 08 de abril de 1931, em indicação excepcional e póstuma, foi laureado com o Prêmio Nobel de Literatura a 8 de outubro daquele ano.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Erik Axel Karlfeldt: Coroa-me

 
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[traduzido por Ivo Barroso]

Coroa-me, ó tu, silvestre esposa,
de urzes e de pirolas, ó princesa sem par,
dessas flores tardias que teu reino de beleza
conserva ainda em recompensa do amor ardente!
Eu sou o derradeiro, o trovador fiel,
que ergue seu canto em tuas salas desertas
quando entre as colinas se deita o sol de outono
e a tempestade ruge em sua trompa enrouquecida.

Agora o chão semeias de enfeites dourados
e de pérolas vermelhas teus leitos estão túrgidos.
Agora borbulha em tua fonte, espumejante e ébria,
a fresca beberagem que transborda, pletórica.
Agora se ouve o frenesi de tua orquestra de pinhos
e corre infinito o imenso rio de harmonias.
Pois juntos festejemos na alegria
a última festa do tempo do sol!

Quando sob o olhar de adeus do estio entorpecido
baixaram-se as pesadas pálpebras das nuvens,
quando as vagas da noite vierem afogar-te,
me parece estar a ver-te adormecer sorrindo.
Ouço como à meia-noite da clara primavera
um murmúrio amoroso que se evola na noite,
Sim, os verões passam como as criaturas humanas,
mas teus sentimentos são eternamente jovens.

Erik Axel Karlfeldt

Bekransa mig!

Bekransa mig med ljung och vintergröna,
min vildmarksbrud, förstinna utan like,
med sena blommor, som ditt fägringsrike
har kvar ännu att eldig kärlek löna!
Jag är den siste, trogne trubaduren
som höjer sång i dina öde salar,
när bortom bleka kullar höstsol dalar
och stormen blåser i den hesa luren.

Nu strör du golvet fullt med gyllne smycken,
med röda pärlor dina bäddar svälla,
nu sjuder yr och skummig i din källa
i bräddfull rikedom den svala drycken.
Nu spelar vilt din stora furorkester —
de strida välljudsfloder milsvitt vandra.
I jubel må vi fira med varandra
den yttersta av solskenstidens fester!

När över sommarns avskedsblick, som domnar,
de tunga skyars ögonlock sig sänka,
när nattens vågor komma att dig dränka,
mig tycks att med ett leende du somnar.
Jag hör ur mörkret kärleksvarmt det viska
som i den ljusa vår vid midnattsväkten.
Ja, somrar slockna ut och mänskosläkten,
men dina känslor brinna evigt friska.

[Vildmarks — och Karleksvisor, 1895]
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Poesias: Erik Axel Karlfeldt, Tradução de Ivo Barroso, Estudo Introdutivo e Vida e Obra de Erik Axel Karlfeldt, por Gunnar Brandell, Ilustrações de Postma e Pequena História da atribuição do Prêmio Nobel a Erik Axel Karlfeldt, por Kjell Strömberg — Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura, 1973, Editora Opera Mundi, Rio de Janeiro — RJ; Erik Axel Karlfeldt (1864 — 1931), sueco de Karlbo, província de Dalekarlia, de família empobrecida e endividada, com descendência de mineradores, teve o pai preso, estudou em Karlbo e em Västerås, depois na Universidade de Uppsala, e, entre outros ofícios, foi bibliotecário da Academia Agrícola e da Biblioteca Real de Estocolmo, membro e secretário da Academia Sueca, professor e poeta lírico simbolista; teve que interromper os estudos na Universidade de Uppsala, por absoluta falta de dinheiro, ocupou-se com alguns trabalhos, experienciou o desemprego, foi contratado como jornalista experimental no Aftonbladet, em Djursholm; com a melhora de sua situação miserável, e com o apoio financeiro do editor-chefe e dono do jornal, voltou aos estudos em Uppsala e, concluindo-os, bacharelou-se em 1892; para isso, obteve aprovação em Latim, Línguas Germânicas, Línguas Nórdicas, Mineralogia e Geologia, Filosofia teórica e Estética, Literatura e História da Arte; já estreante na poesia, Karlfeldt, no início de 1890, fez contato com o crítico literário e editor do Svensk tidskrift, e ali, em 1891, teve quatro de seus poemas publicados e assinados pela primeira vez com o próprio nome; ainda em 1892, atuou na direção da Djursholmsbolaget — construtora de casas, fez parte do conselho escolar da Enskilda Läroverk de Djursholm, foi professor de Sueco, Inglês e Alemão; suas obras: Vildmarks — och Karleksvisor (Canções dos Bosques e Canções de Amor, 1895), Fridolins Visor (Canções de Fridolin, 1898), Fridolins Lustgard och Dalmalningar Pa Rim (O Éden de Fridolin e Quadros Dalecarlianos em Versos, 1901), Flora och Pomona (Flora e Pomona, 1906), Skalden Lucidor (O Poeta Lucidor, Estudo sobre o poeta Lars Johansson Lucidor [1638 — 1674], 1914), Flora och Bellona (Flora e Belona — Poesias, 1918), Carl Fredrik Dahlgren (Retrato de um romântico sueco de há cem anos, 1924), Hösthorn (Trompa Ocidental — Poesias, 1927), Skrifter (Obras poéticas — Edição comemorativa em 5 volumes, 1931); Erik Axel Karlfeldt, o poeta lírico [da lavra simbolista, panteísta disfarçado de regionalista] que morrera em 08 de abril de 1931, em indicação excepcional e póstuma, foi laureado com o Prêmio Nobel de Literatura a 8 de outubro daquele ano.