____________________
[traduzido por Ivo Barroso]
Eis que dança Fridolin.
embriagado de vinho novo,
do fruto de seus campos, do suco de suas terras de bagas,
ébrio da valsa que assovia.
Vede! as abas de seu traje repregadas no braço,
ele esfalfa na dança a cada uma das moças,
que, sem fôlego —
como a papoula que se curva —,
feliz, deixa tombar a cabeça em seu ombro.
Eis que dança Fridolin,
ébrio com o vinho da lembrança.
Seu pai e seu avô outrora aqui se embebederam
ao som do violino aldeão que murmura.
Hoje, porém, envelhecidos, dormem na noite da festa,
e os dedos que plangiam as cordas estão encarquilhados;
sua vida e seu tempo não passam de um canto que ressoa
onde existem palavras de alegria e suspiros.
Eis que dança Fridolin:
o vosso filho, como ´é forte e belo!
Conversa em patoá com as pessoas do campo,
mas sabe falar em latim com os doutores.
Sua foice acerada passa pelo ouro da terra, que amainastes;
como vós rejubila quando os celeiros estão cheios.
Como filho de vossa raça, ergue a sua dançarina
alto, em direção à rubra caçarola da lua.
(Canções de Fridolin e Outros Poemas — 1898)
| Erik Axel Karlfeldt |
Skördeanden
[Sång efter skördeanden]
Här dansar Fridolin,
han är full av det söta vin,
av sin hvetåkers frukt, sina bärmakares saft,
av den hvinande valsmelodin.
Se, med livrockens väldig skört på sin arm
hur han dansar hvar flicka på balen varm,
tills hon lutar —
lik vallmon på slokande skaft —
så lycksaligen matt mot hans barm.
Här dansar Fridolin,
han är full av minnenas vin.
Här hugsvalandes far och farfar en gång
av den surrande bondviolin.
Men nu soven I, gamle, i högtidens natt,
och den hand, som gned strängarna då, är nu matt,
och ert liv samt er tid är en susande sång,
som har toner av sucksamt och gladt.
Men här dansar Fridolin!
Sen er son, han är stark, han är fin,
och han talar med bönder på böndernas sätt
men med lärde män på latin.
Och hans lie går skarp i er nyodlings gull,
och han fröjdas som I, när hans loge står full,
och han lyfter sin mö som en man av er ätt
högt mot höstmånens röda kastrull.
(Fridolins Visor — 1898)
____________________
Poesias: Erik Axel Karlfeldt, Tradução
de Ivo Barroso, Estudo Introdutivo e Vida e Obra de Erik Axel Karlfeldt, por
Gunnar Brandell, Ilustrações de Postma e Pequena História da atribuição do Prêmio
Nobel a Erik Axel Karlfeldt, por Kjell Strömberg — Biblioteca dos Prêmios Nobel
de Literatura, 1973, Editora Ópera Mundi, Rio de Janeiro — RJ; Erik Axel
Karlfeldt (1864 — 1931), sueco de Karlbo, província de Dalekarlia, de família
empobrecida e endividada, com descendência de mineradores, teve o pai preso,
estudou em Karlbo e em Västerås,
depois na Universidade de Uppsala, e, entre outros ofícios, foi
bibliotecário da Academia Agrícola e da Biblioteca Real de Estocolmo, membro e
secretário da Academia Sueca, professor e poeta lírico simbolista; teve que
interromper os estudos na Universidade
de Uppsala, por absoluta falta de dinheiro, ocupou-se com alguns
trabalhos, experienciou o desemprego, foi contratado como jornalista
experimental no Aftonbladet, em
Djursholm; com a melhora de sua situação miserável, e com o apoio financeiro do
editor-chefe e dono do jornal, voltou aos estudos em Uppsala e, concluindo-os,
bacharelou-se em 1892; para isso, obteve aprovação em Latim, Línguas
Germânicas, Línguas Nórdicas, Mineralogia e Geologia, Filosofia teórica e
Estética, Literatura e História da Arte; já estreante na poesia, Karlfeldt, no
início de 1890, fez contato com o crítico literário e editor do Svensk tidskrift,
e ali, em 1891, teve quatro de seus poemas publicados e assinados pela primeira
vez com o próprio nome; ainda em 1892, atuou na direção da Djursholmsbolaget —
construtora de casas, fez parte
do conselho escolar da Enskilda Läroverk de Djursholm, foi professor de Sueco,
Inglês e Alemão; suas obras: Vildmarks — och Karleksvisor (Canções dos
Bosques e Canções de Amor, 1895), Fridolins Visor (Canções de Fridolin, 1898),
Fridolins Lustgard och Dalmalningar Pa Rim (O Éden de Fridolin e Quadros
Dalecarlianos em Versos, 1901), Flora och Pomona (Flora e Pomona, 1906), Skalden
Lucidor (O Poeta Lucidor, Estudo sobre o poeta Lars Johansson Lucidor [1638 —
1674], 1914), Flora och Bellona (Flora e Belona — Poesias, 1918), Carl Fredrik
Dahlgren (Retrato de um romântico sueco de há cem anos, 1924), Hösthorn (Trompa
Ocidental — Poesias, 1927), Skrifter (Obras poéticas — Edição comemorativa em 5
volumes, 1931); Erik Axel Karlfeldt, o poeta lírico [da lavra simbolista,
panteísta disfarçado de regionalista] que morrera em 08 de abril de 1931, em
indicação excepcional e póstuma, foi laureado com o Prêmio Nobel de Literatura
a 8 de outubro daquele ano.