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Foder é lei humana, e
lei divina;
E por divina ser, — é lei eterna!
Fode o homem no lar, ou
na campina,
Fode o bruto no ermo, ou
na caverna.
Fodem no ar os pássaros,
voando,
Fodem no mar os peixes
flutuantes...
Fode o leão feroz, rendido
e brando
Às carícias das fêmeas
palpitantes!
Fodem também as árvores
e as flores,
Os próprios minerais:
cristal ou aço;
A terra é um grande
tálamo de amores,
Cada raio do sol — tira um cabaço!
Numa fornicação de
labaredas
Esporram-se os vulcões,
pelas crateras;
As próprias deusas dos
sombrios Vedas
Fodiam, a rosnar, como
panteras.
Mas nem vulcões, nem
deusas, nem aquilo
Que mais tenha fodido a
toda hora,
Sabem foder melhor que o
crocodilo,
Segundo a opinião de uma
senhora.
Aquilo é só zás-trás, nó
cego, e pronto,
“Veio-se” na primeira
espetadela;
E é mais outra, outra
mais... qual! Nem eu conto
O número de tanta
esporradela...
Pode mais que qualquer
moça solteira
Quando nos mete em casa,
às escondidas,
Para passar metendo a
noite inteira,
Mais assanhadas, quanto
mais fodidas!
Nem Safo, com as moças
mais safadas
De Lesbos, se esfalfando
em roçadinhos,
Para melhor sentir as
caralhadas
De Faon, um Martinho
entre os Murtinhos!
Ninguém, a não ser tu, minha
inocente
E casta diva, ó quente bela
dona!
Ninguém é no foder mais
excelente,
Para quem cono e cu é
tudo cona!...
Para quem cono e cu, e
peito e boca,
Dedos de pé e mão, coxa
e sovaco.
Tudo serve de vulva,
quando louca
Lambes as minhas bolas e
o meu taco...
O taco empunhas,
sacudindo as bolas,
No bilhar de teu corpo,
que estremece
Nesse carambolar em que
tu rolas,
Enquanto meu caralho
engorda e cresce!
Nessas partidas, que tão
bem jogamos,
Ninguém sabe tirar
melhor partido;
Vão lá saber quem perde,
se ganhamos
Nem perde-ganha por
ninguém perdido...
Nem Romeu na janela de
Julieta,
Que lhe passava a mão no
pendrucalho,
Fazendo-lhe medrosa uma
punheta,
Com vergonha de olhar
para o caralho...
Nem Fausto, no jardim de
Margarida,
Que por sinal era o
jardim de Marta,
— Aquela
alcoviteira mais fodida
Que das mais velhas
putas a mais farta;
Que Mefistófeles
encontrou a dedo
Para vencer o seu rival
eterno,
Lançando a alma do
doutor, mais cedo,
Graças a ela, nos fogões
do inferno...
Nem Peri, com Ceci,
quando lhe disse
Que era capaz de ir-lhe
buscar a lua,
Quando, por fim de
contas, tal pieguice
Era um pretexto para
vê-la nua,
Ou só de tanga, como a
que ele usava,
Para em seguida
desatar-lhe a tanga;
Que o galo, no terreiro
onde cantava,
Bem via nela apetitosa
franga...
Nem Ofélia, boiando na
corrente,
Mais livre assim que
dentro do convento
Onde quis ver o príncipe
demente,
Que andava a dar na
fina, ao sol e ao vento...
Nem Desdêmona, aos
golpes do cutelo
Estrebuchando mais que
numa foda,
Vítima imbele do tesão
de Otelo,
Cujo ciúme já passou de
moda...
Nem Susana, a viúva inconsolável
Do velho Pedro Álvares
Cabral.
Ninguém resiste à lei
incomparável,
Que é lei eterna — e lei universal!
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Antologia pornográfica: de Gregório de Mattos
a Glauco Mattoso [diversos poetas] — Organização,
Introdução, Glossário e Notas de Alexei Bueno, 2011, Saraiva de Bolso, Editora Nova
Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Múcio Scévola Lopes
Teixeira (1857 — 1926), gaúcho de Porto Alegre,
estudou no Colégio Gomes, foi escritor, jornalista, teatrólogo, biógrafo, diplomata,
tradutor e poeta; ainda aos 15 anos, publicou seu primeiro livro de poesias, Vozes
trêmulas (1873); na capital gaúcha, fez parte da Sociedade Partenon Literário, falava e
escrevia em francês, inglês, alemão, italiano, castelhano e conhecia latim, grego
e hebraico; em sua vida literária fez uso de vários pseudônimos: Barão de Ergonte,
Boêmio, Muciano Tebas, Manfredo, Felício Fortuna & Cia; obras: Violetas (poesias, 1875), Hugonianas (coletânea de poemas traduzidos
de Victor Hugo, 1875), Curso de Literatura Brasileira (1876), Sombras e Clarões
(poesias, 1877), Novos Ideais (1880), Cantos do Equador (poesias, 1881), Prismas
e Vibrações (poesias, 1882), Pátria selvagem (1884), Cancioneiro Cigano (1885),
Parnaso Brasileiro (antologia, 1885), Festas Populares no Brasil (1886), Terra Incógnita
(poesia, 1916) e outros títulos; escreveu para vários jornais e revistas de cidades
nas quais residiu e, em Caracas — Venezuela, quando
exerceu a função de cônsul geral do Brasil, publicou volumes em castelhano: Poesías
e Poemas, Celajez, Semblanzas Venezolanas, Brasileñas y Lusitanas, Poesías de Don
Mucio Teixeira, Poesías escolhidas, 2 volumes, Brazas e Cinzas; traduziu, além de
Victor Hugo: Heine, Shiller, Byron, Goethe, Teócrito...