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[traduzido por Antonio Risério
e Paulo César Souza]
Rangem as rodas da terra
E vou andando a cavalo em
minha morte
Vou colado à minha morte como
um pássaro ao céu
Como uma data na árvore que
cresce
Como o nome na carta que envio
Vou colado à minha morte
Vou pela vida colado à minha
morte
Apoiado no bastão de meu
esqueleto
O sol nasce em meu olho
direito e se põe no meu olho esquerdo
Em minha infância uma infância
ardente como um álcool
Me sentava nos caminhos da
noite
A escutar a eloquência das
estrelas
E a oratória da árvore
Agora a indiferença neva na
tarde de minha alma
Abram-se em espigas as
estrelas
Parta-se a lua em mil espelhos
Volte a árvore ao ninho de sua
amêndoa
Só quero saber por quê
Por quê
Por quê
Sou protesto e arranho o
infinito com minhas garras
E grito e gemo com miseráveis
gritos oceânicos
O eco de minha voz faz troar o
caos
Sou desmesurado cósmico
As pedras as plantas as
montanhas
Me saúdam. As abelhas e os
ratos
Os leões e as águias
Os astros os crepúsculos as
auroras
Os rios e as selvas me
perguntam
Que tal como está você?
E enquanto os astros e as
ondas tenham algo a dizer
Será por minha boca que
falarão aos homens
| Vicente Huidobro |
Crujen las ruedas de la tierra
Y voy andando a caballo en mi muerte
Voy pegado a mi muerte como un pájaro al cielo
Como una fecha en el árbol que crece
Como el nombre en la carta que envío
Voy pegado a mi muerte
Voy por la vida pegado a mi muerte
Apoyado en el bastón de mi esqueleto
El sol nace en mi ojo derecho
y se pone en mi ojo izquierdo
En mi infancia una infancia ardiente como un alcohol
Me sentaba en los caminos de la noche
A escuchar la elocuencia de las estrellas
Y la oratoria del árbol
Ahora la indiferencia nieva en la tarde de mi alma
Rómpanse en espigas las estrellas
Pártase la luna en mil espejos
Vuelva el árbol al nido de su almendra
Sólo quiero saber por qué
Por qué
Por qué
Soy protesta y araño el infinito con mis garras
Y grito y gimo con miserables gritos oceánicos
El eco de mi voz hace tronar el caos
Soy desmesurado cósmico
Las piedras las plantas las montañas
Me saludan. Las abejas las ratas
Los leones y las águilas
Los astros los crepúsculos las albas
Los ríos y las selvas me preguntan
¿Qué tal cómo está Ud.?
Y mientras los astros y las olas tengan algo que decir
Será por mi boca que hablarán a los hombres
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Altazor e outros
poemas — Vicente Huidobro, Tradução e Seleção de Antonio Risério e
Paulo César Souza e Apresentação de Antonio Risério, Coleção Toda Poesia
11, Edição bilíngue, 1991, Art Editora, São Paulo — SP; Vicente García Huidobro Fernández (1893 — 1948), chileno
de Santiago do Chile, foi poeta e escritor de vanguarda estética; o poeta
passou boa parte de sua vida na Europa, transitando entre a França e a Espanha
e foi um dos promotores da poesia de vanguarda na América Latina; teve
participação ativa nas revistas Sic e Nord-Sud, ao lado de
Apollinaire e de outros; foi o mentor do que passou a se chamar criacionismo
poético, e que consistia em buscar a inovação na poesia como uma necessidade e
uma obsessão, um paroxismo na procura do novo, um bilinguismo textual;
bibliografia: Ecos del Alma (1911), La gruta del silencio e
Canciones en la noche (ambos em 1913), Pasando y
pasando e Las pagodas ocultas (ambos em
1914), Adán e El espejo de agua (ambos em
1916), Horizon carré (1917), Poemas árticos, Ecuatorial, Tour Eiffel e Hallali (todos em
1918), Manifestes (1925), Mio Cid Campeador (1929), Altazor o el
viaje em paracaídas (1931), Sátiro, o El poder de las palabras (1939), e
tantos outros títulos; Huidobro escreveu algumas de suas obras em francês; em
diferentes períodos, colaborou com as revistas de
arte Dada (Espanha), Nord-Sud e L’Esprit Noveau (França), Vanity Fair (Estados Unidos) e dirigiu, em
conjunto com Tristan Tzara, o caderno literário da revista Feuielle
Volante; também participou como fundador e/ou co-fundador das revistas Musa Joven e Azul (Chile), entre outras atividades;
escreveu roteiro para o filme cubista Cagliostro, fez crítica de cinema na
imprensa argentina, foi conferencista e deu palestras sobre poesia; durante a
2ª Guerra, alistou-se nas tropas aliadas, participou como correspondente de
guerra na França, transmitiu crônicas do campo de batalha para a rádio Voz da
América; foi militante do partido comunista chileno.






