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... E ela ria e chorava, a pobre louca, e ria
... E ela ria e chorava, a pobre louca, e ria
Apertando, com fúria, em seus
braços mirrados,
O filhinho faminto, os olhos
desvairados,
Num abraço fatal como a própria
agonia...
E ela, a doida, cantava e a cantar
não ouvia
Do filho os tristes ais, de fome,
angustiados,
E aperta-o mais e mais contra os
seios fanados,
E ele frio e gelado em seus braços
morria!
Num olhar onde o amor inda solta
lampejos,
Olha a criança, a sorrir, enche de
doidos beijos
O seu rosto já frio e os seus
olhos já baços.
E inconsciente a esperar que ele
acorde, baixinho
Vai cantando a canção de amizade e
carinho,
O cadáver do filho embalando nos
braços!

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Sonetos Brasileiros — Séculos XVII ao XX, Coletânea organizada por Laudelino Freire, 1929, F. Briguiet & Cia. Editores, Rio de Janeiro — RJ; Leonete Fernanda de Oliveira Lima Rocha (1888 — ? ), maranhense de São Luís, foi professora, bibliotecária da Biblioteca Pública do Estado do Maranhão e poeta; escreveu e publicou Flocos (1910), Miragens, Cambiantes, Folhas de Outono (1959) e outros títulos; publicou na imprensa maranhense e carioca; faleceu no Rio de Janeiro.
Sonetos Brasileiros — Séculos XVII ao XX, Coletânea organizada por Laudelino Freire, 1929, F. Briguiet & Cia. Editores, Rio de Janeiro — RJ; Leonete Fernanda de Oliveira Lima Rocha (1888 — ? ), maranhense de São Luís, foi professora, bibliotecária da Biblioteca Pública do Estado do Maranhão e poeta; escreveu e publicou Flocos (1910), Miragens, Cambiantes, Folhas de Outono (1959) e outros títulos; publicou na imprensa maranhense e carioca; faleceu no Rio de Janeiro.