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Aquela história da cigarra e da formiga
É da vida, afinal um conciso resumo:
Quanta gente no mundo existe que, com sumo
Carinho e amor, o vil metal ajunta e agarra.
E há quem viva a cantar nos caminhos, sem rumo,
Colhendo o ouro do sol ao som duma guitarra,
Não pensando, talvez, que vá um dia à garra
A ventura e que surja a dor envolta em fumo.
E a história se repete; à eterna imprevidente
A ríspida avarenta exclama: "dança agora".
A fábula, porém, me deixa indiferente,
Pois hei de sempre ser — não cigarra mendiga —
Porém uma cigarra orgulhosa e canora,
Que nunca há de bater às portas da formiga.
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232 Poetas Paulistas — Antologia,
por Pedro de Alcântara Worms, 1968, Editora Conquista, Rio de Janeiro — RJ; Leovegildo Trindade (1895 — 1957), paulista e paulistano, foi engenheiro e
jornalista; diz-se que extinguiu-se como desejava, sem sofrimento, e que "Mesmo na velhice a cigarra ainda canta" era sua frase predileta ao fim da vida; foi prefeito
de São José dos Campos — SP.