Mostrando postagens com marcador Leovegildo Trindade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Leovegildo Trindade. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Leovegildo Trindade: Aquela história da cigarra e da formiga . . . [soneto]

232 Poetas Paulistas - Antologia Pedro De Alcântara Worms
____________________
Aquela história da cigarra e da formiga
É da vida, afinal um conciso resumo:
Quanta gente no mundo existe que, com sumo
Carinho e amor, o vil metal ajunta e agarra.

E há quem viva a cantar nos caminhos, sem rumo,
Colhendo o ouro do sol ao som duma guitarra,
Não pensando, talvez, que vá um dia à garra
A ventura e que surja a dor envolta em fumo.

E a história se repete; à eterna imprevidente
A ríspida avarenta exclama: "dança agora".
A fábula, porém, me deixa indiferente,

Pois hei de sempre ser  não cigarra mendiga 
Porém uma cigarra orgulhosa e canora,
Que nunca há de bater às portas da formiga.
____________________
232 Poetas Paulistas — Antologia, por Pedro de Alcântara Worms, 1968, Editora Conquista, Rio de Janeiro — RJ; Leovegildo Trindade (1895 1957), paulista e paulistano, foi engenheiro e jornalista; diz-se que extinguiu-se como desejava, sem sofrimento, e que "Mesmo na velhice a cigarra ainda canta" era sua frase predileta ao fim da vida; foi prefeito de São José dos Campos SP.