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domingo, 28 de setembro de 2025

Longfellow: Salmo da vida

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[traduzido por Lucindo Filho]

Não digas em lúgubres sentenças:
       Que a vida é sonho vão,
Porque a alma dormita, quase morta,
E as cousas não são mais que uma ilusão.

A vida é realidade! Ardente é a vida;
E o túmulo não lhe é certa prisão;
“És pó e em pó te tornarás”, à alma
       Não se refere não!

Gozar, sofrer, não é nosso destino
       No mundo em que vivemos;
Mas, trabalhar, e em cada nova aurora
Mais longe que na véspera nos achemos.

A vida é longa, o tempo foge rápido,
E o nosso coração, inda que forte,
Qual fúnebre tambor entoa a marcha
       Para o campo da morte.

No mundo, grande campo de batalha
       No bivaque da vida
Não sejas muda ovelha, que se impele,
Mas, herói que se esforça em nobre lida!

O porvir te sorri? Nele não creias!
O passado, que é morto, enterre os seus;
       Trabalha no presente,
Com o coração no peito, e acima, Deus!

Dos grandes homens nos é norma a vida;
Por ser tão grande a nossa, trabalhemos;
E do tempo, no pó, quando partirmos,
       Rastos de luz deixemos.

Rastos, que um outro irmão talvez, quem sabe?
Navegando da vida o irado mar,
Perdido e náufrago, avistando, possa
       De novo se animar.

Deixemos, pois, erguer-nos, trabalhando
       Com fé no coração;
Uma obra se acabou? Outra se encete;
Trabalhar e esperar, eis a missão!

H. W. Longfellow

A Psalm Of Life

Tell me not, in mournful numbers,
    Life is but an empty dream! —
  For the soul is dead that slumbers,
    And things are not what they seem.

  Life is real! Life is earnest!
    And the grave is not its goal;
  Dust thou art, to dust returnest,
    Was not spoken of the soul.

  Not enjoyment, and not sorrow,
    Is our destined end or way;
  But to act, that each to-morrow
    Find us farther than to-day.

  Art is long, and Time is fleeting,
    And our hearts, though stout and brave,
  Still, like muffled drums, are beating
    Funeral marches to the grave.

  In the world's broad field of battle,
    In the bivouac of Life,
  Be not like dumb, driven cattle!
    Be a hero in the strife!

  Trust no Future, howe'er pleasant!
    Let the dead Past bury its dead!
  Act, act in the living Present!
    Heart within, and God o'erhead!

  Lives of great men all remind us
    We can make our lives sublime,
  And, departing, leave behind us
    Footprints on the sands of time;

  Footprints, that perhaps another,
    Sailing o'er life's solemn main,
  A forlorn and shipwrecked brother,
    Seeing, shall take heart again.

  Let us, then, be up and doing,
    With a heart for any fate;
  Still achieving, still pursuing,
    Learn to labor and to wait.
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Poesias Selectas (várias autorias) — Apresentação de Alvaro Reis e Compilação de Odette F. Pitta e Daniel L. A. César, sem data [com dedicatória manuscrita à tinta e data de 16.2.923], Imprensa Methodista, São Paulo — SP; H. W. Longfellow, ou Henry Wadsworth Longfellow (1807 1882), estadunidense de Portland, Maine, formou-se no Bowdoin College, foi professor, tradutor, ensaísta e poeta; estreou aos 13 anos, publicando seu poema The Battle of Lovell's Pond [A Batalha de Lovell's Pond] no Portland Gazette, passou três anos na Europa onde estudou letras modernas [línguas e literatura] e, de volta ao Maine, lecionou francês, espanhol e italiano no colégio onde se formara; após a publicação de ensaios críticos e seis livros didáticos de línguas estrangeiros, obteve a Cátedra Smith de Línguas Modernas no Harward College, aceita em 1834; suas obras: em versos, Voices of the Night (Vozes da Noite, coletânea de poemas, 1839), Ballads and other poems (Baladas e outros poemas, 1842), Poems on Slavery (Poemas sobre escravidão, 1842), Evangeline: a Tale of Acadie (Evangeline: um conto de Acadie, longo poema épico, 1847), The Golden Legend (A Lenda Dourada, 1854), The Song of Hiawatha (A Canção de Hiawatha, 1854), The Courthship of Miles Standish and other poems (O namoro de Miles Standish e outros poemas, 1858), Christus: a Mistery (Cristo: um mistério, 1872), Three Books of Song (Três Livros de Canções, 1872), Aftermath (Consequências, 1873) e outros; em prosa, Outre-Mer: A Pilgrimage Beyond the Sea (Outre-Mer: uma peregrinação além do mar, ensaios, 1835), The Spanish Student. A Play in Three Acts (O estudante de espanhol, drama, 1843), Tales of a Wayside Inn (Contos de uma pousada à beira da estrada, 1863), The New England Tragedies (As tragédias da Nova Inglaterra, 1868), etc.; traduziu, de Dante Aligheri, A Divina Comédia.

sábado, 21 de outubro de 2017

H. W. Longfellow: A Flecha e o Canto

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[traduzido por Lucindo Filho]

Lancei ao ar uma flecha,
Não sei onde foi cair;
Partiu veloz, que a vista
Não pode o voo seguir.

Ao ar desferi um canto,
Não sei onde foi cair;
Que vista aguda há que possa
Do canto o voo seguir?

Tempos depois, num carvalho
A flecha perfeita achei;
E guardado em peito amigo
Inteiro o canto encontrei.

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H. W. Longfellow

The Arrow and the Song

I shot an arrow into the air,
It fell to earth, I knew not where;
For, so swiftly it flew, the sight
Could not follow it in its flight.

I breathed a song into the air,
It fell to earth, I knew not where;
For who has sight so keen and strong,
That it can follow the flight of song?

Long, long afterward, in an oak
I found the arrow, still unbroke;
And the song, from beginning to end,
I found again in the heart of a friend.
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Antologia de Poemas para a Juventude (vários autores) — Organização e Apresentação de Henriqueta Lisboa, 2003, 2ª edição, Ediouro Publicações S/A, Rio de Janeiro — RJ; H. W. Longfellow, ou Henry Wadsworth Longfellow (1807 1882), nascido em Portland, Maine Estados Unidos, formou-se no Bowdoin College, passou três anos na Europa onde estudou letras modernas e, de volta ao Maine, lecionou no colégio onde se formara; foi professor, tradutor e poeta; sua bibliografia: em versos, Voices of the Night (Vozes da Noite, 1839), Baladas e outros poemas (1841), Poems on Slavery (Poemas sobre escravidão, 1842), Evangeline (1847), The Golden Legend (1851), The Song of Hiawatha (1854), The Courthship of Miles Standish e outros poemas (O cortejo de Miles Standish, 1858), Christus: a Mistery (Cristo: um mistério, 1872), Consequências (1873) e outros; em prosa, Outre-Mer: uma peregrinação além do mar (ensaios, 1835), O estudante de espanhol (drama, 1843), As tragédias da Nova Inglaterra (1868) etc.; traduziu, de Dante Aligheri, A Divina Comédia.