A um passe de Didi, Garrincha avança
Colado o coro aos pés, o olhar atento
Dribla um, dribla dois, depois descansa
Como a medir o lance do momento.
Vem-lhe o pressentimento; ele se lança
Mais rápido que o próprio pensamento
Dribla mais um, mais dois; a bola trança
Feliz, entre seus pés — um pé-de-vento!
Num só transporte a multidão contrita
Em ato de morte se levanta e grita
Seu uníssono canto de esperança.
Garrincha, o anjo, escuta e atende: — Goooool!
É pura imagem: um G que chuta um O
Dentro da meta, um L. É pura dança!
Dribla um, dribla dois, depois descansa
Como a medir o lance do momento.
Vem-lhe o pressentimento; ele se lança
Mais rápido que o próprio pensamento
Dribla mais um, mais dois; a bola trança
Feliz, entre seus pés — um pé-de-vento!
Num só transporte a multidão contrita
Em ato de morte se levanta e grita
Seu uníssono canto de esperança.
Garrincha, o anjo, escuta e atende: — Goooool!
É pura imagem: um G que chuta um O
Dentro da meta, um L. É pura dança!
Para viver um grande amor (1964)
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Roteiro da Poesia Brasileira — Modernismo, Seleção e Prefácio de Walnice Nogueira Galvão, Direção de Edla Van Steen, Editora Global, 2008, São Paulo — SP; Vinicius de Moraes (1913 — 1980), além de poeta, foi crítico de cinema, autor teatral (escreveu Orfeu Negro, que se tornaria um filme premiado) e letrista concorrido da Música Popular Brasileira; obra poética: Forma e exegese (1935), Ariana, a mulher (1936), Novos poemas (1938), Poemas, sonetos e baladas (1946), Novos poemas II (1959), Para viver um grande amor (1964) etc.