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— Luz!... E existe a luz? Sinto somente
— Luz!... E existe a luz? Sinto somente
Que ando pregado a um féretro de
chumbo,
E pouco a pouco dentro em mim
sucumbo,
Vivo entre os mortos morto ainda
vivente!
A forma, é isto de que as mãos
incumbo
Ver, que não vejo, e o espírito
presente?
Se odeio e amo, — exalto-me e
retumbo...
A cor será o som terno ou
fremente?
Não sei; vivendo apenas dentro em
mim,
Sofro o maior de todos os
degredos,
Dor sem conforto, mal que não tem
fim.
Coveiro que a cavar jamais se
acalma,
Tenho os olhos nas pontas de meus
dedos,
E os dedos são os olhos de minh’alma!

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Sonetos Brasileiros — Séculos XVII ao XX, Coletânea organizada por Laudelino Freire, 1929, F. Briguiet & Cia. Editores, Rio de Janeiro — RJ; Luiz da França Ferreira (1870 — 1925), pernambucano, formado em Direito, foi jornalista e poeta; redigiu o Diário de Pernambuco; é o que se pesquisou de sua biografia.
Sonetos Brasileiros — Séculos XVII ao XX, Coletânea organizada por Laudelino Freire, 1929, F. Briguiet & Cia. Editores, Rio de Janeiro — RJ; Luiz da França Ferreira (1870 — 1925), pernambucano, formado em Direito, foi jornalista e poeta; redigiu o Diário de Pernambuco; é o que se pesquisou de sua biografia.