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quinta-feira, 21 de maio de 2026

Antonio Cicero: Merde de Poète & Huis Clos

 
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Merde de Poète

Quem gosta de poesia "visceral",
ou seja, porca, preguiçosa, lerda,
que vá ao fundo e seja literal,
pedindo ao poeta, em vez de poemas, merda.

Huis Clos

Da vida não se sai pela porta:
só pela janela. Não se sai
bem da vida como não se sai
bem de paixões jogatinas drogas.
E é porque sabemos disso e não
por temer viver depois da morte
em plagas de Dante Goya ou Bosh
(essas, doce príncipe, cá estão)
que tão raramente nos matamos
a tempo: por não considerarmos
as saídas disponíveis dignas
de nós, que em meio a fazes e urina,
sangue e dor nascemos para lendas,
mares, amores, mortes serenas.

(A Cidade e os Livros — 2002)

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Antologia comentada da poesia brasileira do século 21 (70 poetas e 205 poemas), Organização, Apresentação e Comentários de Manuel da Costa Pinto, 2006, Edições Publifolha, São Paulo — SP; Antonio Cicero Correia Lima (1945 — 2024), carioca, fez seus estudos secundários em Washington, D.C, iniciou seu curso de filosofia no Rio de Janeiro (PUC e UFRJ), vindo a conclui-lo na Inglaterra (Universidade de Londres), depois fez pós-graduação pela Georgetown University, nos EUA, onde estudou Grego e Latim, foi compositor, poeta, crítico literário, filósofo, escritor e professor universitário; suas obras: O Mundo desde o Fim (ensaio filosófico, 1995), Guardar (poemas, 1996), A cidade e os livros (poemas, 2002), Finalidades sem fim (ensaio filosófico, 2005), Livro de sombras: pintura, cinema e poesia (com o artista plástico Luciano Figueiredo, 2010), Porventura (poemas, 2012), Poesia e Filosofia (ensaio filosófico, 2012), entre outros títulos, além de participações em coletâneas e em parceria de diversas obras reflexões filosóficas, poéticas e artísticas; lecionou Filosofia e Lógica em universidades do Rio de Janeiro, fez parcerias musicais com Waly Salomão, João Bosco, Adriana Calcanhoto, Lulu Santos e Marina Lima [sua irmã, e cantora], foi colunista da Folha de São Paulo; em 2017 tornou-se membro eleito da ABL Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira nº 27; em outubro de 2024, o poeta, filósofo e escritor Antonio Cicero anunciou, em carta de despedida a seus amigos, que tinha sido diagnosticado com o mal de Alzheimer, que se encontrava na Suiça, e optara pela morte assistida [eutanásia]; ali, o procedimento de suicídio assistido é legalizado; sua morte foi anunciada em 23 de outubro.

domingo, 2 de fevereiro de 2025

Antonio Cicero: O país das maravilhas

 
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Não se entra no país das maravilhas
pois ele fica do lado de fora,
não do lado de dentro. Se há saídas
que dão nele, estão certamente à orla
iridescente do meu pensamento,
jamais no centro vago do meu eu.
E se me entrego às imagens do espelho
ou da água, tendo no fundo o céu,
não pensem que me apaixonei por mim.
Não: bom é ver-se no espaço diáfano
do mundo, coisa entre coisas que há
no lume do espelho, fora de si:
peixe entre peixes, pássaro entre pássaros,
um dia passo inteiro para lá.

(A cidade e os livros, Rio de Janeiro:
[Editora] Record, 2002, pág. 13.)

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A lua no cinema e outros poemas [várias autorias], Organização e Apresentação de Eucanaã Ferraz, Ilustrações de Fabio Zimbres, 2011, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Antonio Cicero Correia Lima (1945 2024), carioca, fez seus estudos secundários em Washington, D.C, iniciou seu curso de filosofia no Rio de Janeiro (PUC e UFRJ), vindo a conclui-lo na Inglaterra (Universidade de Londres), depois fez pós-graduação pela Georgetown University, nos EUA, onde estudou Grego e Latim, foi compositor, poeta, crítico literário, filósofo, escritor e professor universitário; suas obras: O Mundo desde o Fim (ensaio filosófico, 1995), Guardar (poemas, 1996), A cidade e os livros (poemas, 2002), Finalidades sem fim (ensaio filosófico, 2005), Livro de sombras: pintura, cinema e poesia (com o artista plástico Luciano Figueiredo, 2010), Porventura (poemas, 2012), Poesia e Filosofia (ensaio filosófico, 2012), entre outros títulos, além de participações em coletâneas e em parceria de diversas obras reflexões filosóficas, poéticas e artísticas; lecionou Filosofia e Lógica em universidades do Rio de Janeiro, fez parcerias musicais com Waly Salomão, João Bosco, Adriana Calcanhoto, Lulu Santos e Marina Lima [sua irmã, e cantora], foi colunista da Folha de São Paulo; em 2017 tornou-se membro eleito da ABL Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira nº 27; em outubro de 2024, o poeta, filósofo e escritor Antonio Cicero escreveu, em carta de despedida a seus amigos, que tinha sido diagnosticado com o mal de Alzheimer e que se encontrava na Suiça, optara pela morte assistida [eutanásia] e ali o procedimento de suicídio assistido é legalizado; sua morte foi anunciada em 23 de outubro.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Antonio Cicero: Prova

 
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para José Miguel Wisnik

Traçada em vermelho sangue, a nota, sob
o triângulo retângulo formado
por uma dobra ao canto superior
direito da folha de papel almaço
pautado que suportara aquela prova
final de matemática, reprovava-o.
Justa recompensa para quem em toda
aula refolhando-se em si mesmo, sáfaro,
ensimesmado e contudo alienado
de si, não reconhece jamais a imagem
pura que dele o duro espelho cifrado
da matemática, ao refletir, refrange.
Distrai-se a ouvir sirenes, risos de moças
lá longe, lotações, bondes, bicicletas
a fugir da escola rumo a nebulosas
destinações. Vê que esqueceu a caneta.
Acha um toco de lápis que com os dentes
e as unhas aponta e, surdo para leis
que alguém que não ele mesmo delibere
gênio, deus, demônio, anjo, monstro ou rei ,
debruça-se em seu caderno a rabiscar
quiçá uma gramática especulativa
ou uma característica universal
excogitada por via negativa
e abstrusa, e acintosamente descura
das matérias do curso e dos professores
e alunos que o cercam e jamais capturam.

A sineta toca. Pelos corredores
pensa no pai, na mãe, na avó, no vexame
e na decepção de todos. Seu fastio
é enorme: despreza a vida e a gravidade
com que a encaram. Pondera o suicídio
e se sente mais leve. Pode atirar-se
do terraço do prédio do consultório
do seu dentista, alto sobre a cidade.
Fora da escola toma um sorvete e um ônibus
até o ponto final, no centro. Caminha
até o edifício, pega o elevador
até o último andar, depois ainda
galga um lance de escadas e alcança ao pôr
do sol a cidade alâmbar a seus pés.
Decide escrever uma carta ou uma nota
no próprio papel da prova, mas cadê
o toco de lápis? Largara-o na escola.
Resolve deixar para alguma outra hora
o suicídio. Dobra o papel, desdobra,
dobra e o solta a dar voltas, revoltas, voltas
acima de todas as coisas, gaivota.

(Teresa: revista de literatura brasileira, nº 4/5,
São Paulo: Departamento de Letras Clássicas e
Vernáculas, Faculdade de Filosofia, Letras e
Ciências Humanas. Universidade de
São Paulo; Ed. 34, 2003, p. 302-3.)

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A lua no cinema e outros poemas [várias autorias], Organização e Apresentação de Eucanaã Ferraz, Ilustrações de Fabio Zimbres, 2011, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Antonio Cicero Correia Lima (1945 2024), carioca, fez seus estudos secundários em Washington, D.C, iniciou seu curso de filosofia no Rio de Janeiro (PUC e UFRJ), vindo a conclui-lo na Inglaterra (Universidade de Londres), depois fez pós-graduação pela Georgetown University, nos EUA, onde estudou Grego e Latim, foi compositor, poeta, crítico literário, filósofo, escritor e professor universitário; suas obras: O Mundo desde o Fim (ensaio filosófico, 1995), Guardar (poemas, 1996), A cidade e os livros (poemas, 2002), Finalidades sem fim (ensaio filosófico, 2005), Livro de sombras: pintura, cinema e poesia (com o artista plástico Luciano Figueiredo, 2010), Porventura (poemas, 2012), Poesia e Filosofia (ensaio filosófico, 2012), entre outros títulos, além de participações em coletâneas e em parceria de diversas obras reflexões filosóficas, poéticas e artísticas; lecionou Filosofia e Lógica em universidades do Rio de Janeiro, fez parcerias musicais com Waly Salomão, João Bosco, Adriana Calcanhoto, Lulu Santos e Marina Lima [sua irmã, e cantora], foi colunista da Folha de São Paulo; em 2017 tornou-se membro eleito da ABL Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira nº 27; em outubro de 2024, o poeta, filósofo e escritor Antonio Cicero anunciou, em carta de despedida a seus amigos, que tinha sido diagnosticado com o mal de Alzheimer e que se encontrava na Suiça, optara pela morte assistida [eutanásia] e ali o procedimento de suicídio assistido é legalizado; sua morte foi anunciada em 23 de outubro.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Friedrich Hölderlin: Canção do Destino de Hipérion

Resultado de imagem para Poetas que pensaram o mundo — Organização de Adauto Novaes, 2005, Companhia das Letras,
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[traduzido por Antonio Cicero]

Andais lá em cima na luz
    Em chão macio, gênios felizes!
        Cintilantes brisas divinas
            Tocam-vos de leve
                Como os dedos da artista
                    Cordas sagradas.

Sem destino, qual o lactente
    Adormecido, respiram os divinos;
        Casto, guardado
            Em botão simples
                Floresce-lhes
                    Eterno o espírito
                        E os olhos felizes
                            Fitam em calma
                                Eterna claridade.

Mas a nós não é dado
    Em lugar algum repousar:
        Fenecem, caem
            Os homens sofredores
                Cegamente de uma
                    Hora para outra
                        Como água de penhasco
                            Em penhasco lançada
                                Incessantemente no incerto.

Resultado de imagem para friedrich hölderlin
Friedrich Hölderlin

Hyperions Schicksalslied

Ihr wandelt droben im Licht
   Auf weichem Boden, selige Genien!
      Glänzende Götterlüfte
         Rühren euch leicht,
            Wie die Finger der Künstlerin
               Heilige Saiten.

Schicksallos, wie der schlafende
    Säugling, atmen die Himmlischen;
        Keusch bewahrt
            In bescheidener Knospe,
                Blühet ewig
                    Ihnen der Geist,
                        Und die seligen Augen
                            Blicken in stiller
                                Ewiger Klarheit.

Doch uns ist gegeben,
    Auf keiner Stätte zu ruhn;
        Es schwinden, es fallen
            Die leidenden Menschen
                Blindlings von einer
                    Stunde zur andern,
                        Wie Wasser von Klippe
                            Zu Klippe geworfen,
                                Jahrlang ins Ungewisse hinab.
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Poetas que pensaram o mundo Organização de Adauto Novaes, 2005, Companhia das Letras, São Paulo SP; Johann Christian Friedrich Hölderlin (1770 1843), alemão de Lauffen am Neckar, foi poeta lírico, romancista e filósofo; bibliografia: A Morte de Empédocles (fragmentos, 17971800), Hiperion ou O Eremita na Grécia (17971799), Tragédias de Sófocles (1804), Poemas de Friedrich Hölderlin (editados por Ludwig Uhland e Gustav Schwab, 1826) etc.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Antonio Cicero: Guardar

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Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.

Guardar – Poemas Escolhidos
 (1996, Record, Rio de Janeiro – RJ)

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Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século — seleção de Ítalo Moriconi, 2001, Editora Objetiva, Rio de Janeiro — RJ; Antonio Cicero Correia Lima, carioca, nascido em 1945, compositor, poeta, ensaísta e filósofo, iniciou seu curso de filosofia no Rio de Janeiro (PUC e UFRJ), vindo a conclui-lo na Inglaterra (Universidade de Londres); é pós-graduado pela Georgetown University, nos EUA, onde estudou Grego e Latim; é autor de O Mundo desde o Fim, ensaio filosófico (1995, Francisco Alves, Rio de Janeiro — RJ), Guardar, poemas (1996, Record, Rio de Janeiro — RJ), A cidade e os livros, poemas (2002, Record, Rio de Janeiro — RJ), Finalidades sem fim, ensaio filosófico (2005, Companhia das Letras, São Paulo — SP), Porventura, poemas (2012, Record, Rio de Janeiro — RJ), Poesia e filosofia, ensaio filosófico (2012, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ), entre outros títulos, além de ter publicações em coletâneas e em parceria de diversas obras — reflexões filosóficas, poéticas e artísticas...

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Antonio Cicero: escrever em versos...

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                                     Uma pessoa que tenha simplesmente posto em versos um código de trânsito, por exemplo, não terá necessariamente transformado o código em poema, nem ter-se-á desse modo tornado um poeta.


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Poesia e filosofia, coleção contemporânea, 2012, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro  RJ; Antonio Cicero Correia Lima, carioca, nascido em 1945, compositor, poeta, ensaísta e filósofo, iniciou seu curso de filosofia no Rio de Janeiro (PUC e UFRJ), vindo a conclui-lo na Inglaterra (Universidade de Londres); é pós-graduado pela Georgetown University, nos EUA, onde estudou Grego e Latim; é autor de O Mundo desde o Fim, ensaio filosófico (1995, Francisco Alves, Rio de Janeiro  RJ), Guardar, poemas (1996, Record, Rio de Janeiro  RJ), A cidade e os livros, poemas (2002, Record, Rio de Janeiro RJ), Finalidades sem fim, ensaio filosófico (2005, Companhia das Letras, São Paulo  SP), Porventura, poemas (2012, Record, Rio de Janeiro RJ), Poesia e filosofia, ensaio filosófico (2012, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro  RJ), entre outros títulos, além de ter publicações em coletâneas e em parceria de diversas obras  reflexões filosóficas, poéticas e artísticas...

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Antonio Cicero: O que é poesia? — Entrevista


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          Pergunta: O que é poesia para você? 
          Antonio Cicero: A poesia é o que faz de um "poema" um poema; ou, o que dá no mesmo, é o que faz de um poema um poema bom. Também se pode dizer: é a propriedade do poema enquanto poema. É a propriedade que torna um objeto  em particular, um objeto verbal  algo que, mesmo sendo inútil, mereça existir. Se fosse possível descrever essa propriedade, seria possível dar uma receita de poema. Isso, porém, é impossível. Como diz Montaigne, é mais fácil produzir poesia do que conhecê-la. "Em certa medida baixa", afirma ele, "pode-se julgá-la pelos preceitos e pela arte [isto é, pela técnica]. Mas a boa, a excessiva, a divina está acima das regras e da razão". É que a razão é apenas uma das faculdades humanas; ora, a poesia é produzida e apreciada com todas as faculdades humanas, inclusive as não-racionais, elevadas ao seu mais alto grau.

          P: O que um iniciante no fazer poético deve perseguir e de que maneira?
          AC: Acho que há diferentes caminhos. Penso, porém, que o mais importante é, em primeiro lugar, aprender a ler e apreciar poesia. e isso se faz, em primeiro lugar, através da leitura intensiva dos grandes poemas da tradição. É através deles que se sabe o que é a poesia.


          P: Cite-nos 3 poetas e 3 textos referenciais para seu trabalho poético. Por que estas escolhas?        
          AC: Citarei Horácio, T.S. Eliot e Drummond. Digamos o poema 7 do Livro IV das Odes de Horário; o poema "East Coker", de Four Quartets, de T.S. Eliot; "Coração Numeroso", de Alguma Poesia, de Drummond. São três obras-primas. Admiro imensamente seus autores. Todos são mestres insuperáveis da forma, da sutileza, da malícia... Horácio, por exemplo, usa todos os recursos da língua, como, por exemplo, a liberdade da ordem das palavras, em latim, para multiplicar maravilhosamente os sentidos de cada verso, de cada palavra, de cada estrofe. Ele é intraduzível, de modo que aprendi a apreciá-lo tarde, quando estudei a sério o latim. Cito T.S. Eliot porque foi através dele que me imbuí, na adolescência, dos ritmos da poesia moderna. E não é necessário explicar a escolha de Drummond. Ele e Pessoa são, para mim, o máximo da poesia moderna em português, e tão grandes quanto qualquer outro poeta, de qualquer outra língua.


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O que é poesia? (Organização: Edson Cruz), Confraria do Vento e Editora Calibán, 2009, Rio de Janeiro  RJ; No livro, Antonio Cicero e outros 44 poetas brasileiros, portugueses e hispano-americanos em atuação respondem a três proposições acerca do "fazer poético"; Antonio Cicero, nascido em 1945 no Rio de Janeiro  RJ, além de poeta, é compositor, filósofo e escritor, e tem um blogue: www.antoniocicero.blogspot.com/