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Merde de Poète
Quem
gosta de poesia "visceral",
ou
seja, porca, preguiçosa, lerda,
que
vá ao fundo e seja literal,
pedindo
ao poeta, em vez de poemas, merda.
Huis Clos
Da
vida não se sai pela porta:
só
pela janela. Não se sai
bem
da vida como não se sai
bem
de paixões jogatinas drogas.
E
é porque sabemos disso e não
por
temer viver depois da morte
em
plagas de Dante Goya ou Bosh
(essas,
doce príncipe, cá estão)
que
tão raramente nos matamos
a
tempo: por não considerarmos
as
saídas disponíveis dignas
de
nós, que em meio a fazes e urina,
sangue
e dor nascemos para lendas,
mares,
amores, mortes serenas.
(A Cidade e os Livros —
2002)
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Antologia comentada da poesia brasileira do século
21 (70 poetas e 205 poemas), Organização, Apresentação e Comentários de Manuel da
Costa Pinto, 2006, Edições Publifolha, São Paulo — SP; Antonio Cicero Correia Lima (1945 — 2024),
carioca, fez seus estudos secundários em Washington, D.C, iniciou seu curso de filosofia no Rio de
Janeiro (PUC e UFRJ), vindo a conclui-lo na Inglaterra (Universidade de Londres),
depois fez pós-graduação pela Georgetown University, nos EUA, onde estudou Grego
e Latim, foi compositor, poeta, crítico literário, filósofo, escritor e professor
universitário; suas obras: O Mundo desde o Fim (ensaio filosófico, 1995), Guardar
(poemas, 1996), A cidade e os livros (poemas, 2002), Finalidades sem fim (ensaio
filosófico, 2005), Livro de sombras: pintura, cinema e poesia (com o artista plástico
Luciano Figueiredo, 2010), Porventura (poemas, 2012), Poesia e Filosofia (ensaio
filosófico, 2012), entre outros títulos, além de participações em coletâneas e em
parceria de diversas obras — reflexões filosóficas, poéticas e artísticas; lecionou
Filosofia e Lógica em universidades do Rio de Janeiro, fez parcerias musicais com
Waly Salomão, João Bosco, Adriana Calcanhoto, Lulu Santos e Marina Lima [sua irmã,
e cantora], foi colunista da Folha de São Paulo; em 2017 tornou-se membro eleito
da ABL — Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira nº 27; em outubro de
2024, o poeta, filósofo e escritor Antonio Cicero anunciou, em carta de despedida
a seus amigos, que tinha sido diagnosticado com o mal de Alzheimer, que se encontrava
na Suiça, e optara pela morte assistida [eutanásia]; ali, o procedimento de suicídio
assistido é legalizado; sua morte foi anunciada em 23 de outubro.


