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Renunciar. Todo o bem
que a vida trouxe,
Toda a expressão do humano sofrimento
A gente esquece assim como se fosse
Um vôo de andorinha em céu nevoento.
Anoiteceu de súbito. Acabou-se
Tudo... A miragem do deslumbramento...
Se a vida que rolou no esquecimento
Era doce, a saudade inda é mais doce.
Sofre de ânimo forte, alma intranqüila!
Resume na lembrança de um momento
Teu amor. Olha a noite: ele cintila.
Que o grande amor, quando a renúncia o invade,
Fica mais puro porque é pensamento,
Fica muito maior porque é saudade.
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Olegário Mariano — poesia, Coleção Nossos
Clássicos — Volume 97, Organização, Apresentação e Notas de Herman
Lima, publicados sob a direção de Alceu Amoroso Lima, Roberto Alvim Corrêa
e Jorge de Sena, 1968, Livraria Agir Editora, Rio de
Janeiro — RJ; Olegário Mariano Carneiro da Cunha (1889 — 1958), pernambucano de Recife, político e diplomata, foi poeta, jornalista e letrista musical; estreante na vida literária aos 22 anos com o
volume Angelus, viveu o período parnasiano-simbolista e de transição para
o modernismo; escreveu para as revistas Caretas e Para
Todos com o pseudônimo de João da Avenida; obras literárias: Angelus (1911), Sonetos (1912), Evangelho
da Sombra e do Silêncio (1913), Água corrente (prefácio de Olavo
Bilac, 1918), Últimas Cigarras (1920), Bataclan (crônicas em
versos, 1923), Canto da minha terra (1930), Destino (1931), Vida,
caixa de brinquedos (crônicas em versos, 1933), A Vida que já
vivi (memórias, 1945), Toda uma Vida de Poesia (1957), e tantos
outros títulos; como letrista, teve poemas musicados por Joubert de Carvalho ('Cai, cai balão', 'Tutu-marambá' e outros); também fez parceria musical com diversos outros autores.

