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Olhos tristes, que são como dois
sóis num poente,
Cansados de luzir, cansados de
girar,
Olhos de quem andou na vida,
alegremente,
Para depois sofrer, para
depois chorar.
Andam neles agora a vagar,
lentamente,
Como as velas das naus sobre
as águas do mar,
Todas as ilusões do vosso
sonho ardente.
Olhos tristes, vós sois dois
monges a rezar.
Ouço ao ver-vos, assim, tão
cheios de humildade,
Marinheiros cantando a canção
da saudade
Num coro de tristeza e de
infinitos ais...
Olhos tristes, eu sei vossa
história sombria
E sei quanto chorais cheios de
nostalgia
O sonho que passou e que não
torna mais!
(Poesias, 1896-1907)
Poesias. 4ª ed. Rio de
Janeiro: Companhia Civilização, 1944, pp.13-14.
* Nota do blogue Verso e
Conversa: O atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página expõe que a
organizadora Maria Inez Turazzi escreve que Luiz Edmundo é o pseudônimo de Luiz
de Mello Pereira da Costa; este aprendiz acrescenta que o nome ‘Edmundo’ vem de
seu pai, Edmundo Pereira da Costa; o poeta publicou suas obras com o
nome/pseudônimo, e assim ficou conhecido na literatura e na vida: Luiz Edmundo.
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Luiz Edmundo — Série Essencial 41, Academia Brasileira de Letras, Organização
e Notas de Maria Inez Turazzi, 2011, Imprensa Oficial do Estado, São Paulo —
SP; Luiz
‘Edmundo’ de Mello Pereira da Costa (1878 — 1961), fluminense e carioca, foi jornalista, historiador,
memorialista, teatrólogo, cronista e poeta; dos oito aos quinze anos, estudou
como interno no Colégio Abílio, famoso instituto de ensino para meninos, a
convite do Barão de Macaúbas, diretor e dono daquela instituição; como
jornalista, colaborou n’A Imprensa, no Correio da Manhã, e também dirigiu a
Revista Contemporânea, associando-se à vanguarda do Simbolismo brasileiro; a
partir de 1907, Luiz Edmundo divide o seu tempo entre o jornalismo, a pesquisa
histórica e a atividade comercial, como corretor de navios e despachante
alfandegário da marinha mercante francesa; suas obras: Nimbos (1900), Turíbulos
(1900), Poesias (1907), Rosa dos Ventos (1919), Um Apelo à Razão (peça
traduzida, Un Appel à la Raison, [de Georges Enaut], 1926), A Marquesa de
Santos (peça teatral, 1924), De algumas fábulas de Trilussa (1927), Dom João VI
(peça teatral, 1928), O Rio de Janeiro do meu tempo — 3 volumes (memórias, 1938), Farias Brito (1941),
Recordações do Rio antigo (1950), ...; pertenceu à ABL — Academia Brasileira de Letras.