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A Teixeira de Queirós
Baçus, mulher de Ali, pastora de
camelas,
Viu de noite, ao fulgor das rútilas estrelas,
Wail, chefe minaz de bárbara pujança,
Matar-lhe um animal. Baçus jurou vingança;
Corre, célere voa, entra na tenda e conta
A um hóspede de Ali a grave e inulta afronta.
"Baçus”, disse tranqüilo o hóspede gentil,
"Vingar-te-ei com meu braço, eu matarei Wail."
Viu de noite, ao fulgor das rútilas estrelas,
Wail, chefe minaz de bárbara pujança,
Matar-lhe um animal. Baçus jurou vingança;
Corre, célere voa, entra na tenda e conta
A um hóspede de Ali a grave e inulta afronta.
"Baçus”, disse tranqüilo o hóspede gentil,
"Vingar-te-ei com meu braço, eu matarei Wail."
Disse e cumpriu.
Foi esta a causa
verdadeira
Da guerra pertinaz, horrível, carniceira
Que as tribos dividiu. Na luta fratricida,
Omar, filho de Amru, perdera o alento e a vida.
Da guerra pertinaz, horrível, carniceira
Que as tribos dividiu. Na luta fratricida,
Omar, filho de Amru, perdera o alento e a vida.
Amru que lanças mil aos rudes prélios leva,
E que em sangue inimigo, irado, os ódios ceva,
Incansável procura, e é sempre embalde, o vil
Matador de seu filho, o tredo Muhalhil.
Uma noite, na tenda, a um moço prisioneiro,
Recém-colhido em campo, o indómito guerreiro
Falou severo assim:
"Escravo, atende, e escuta:
Aponta-me a região, o monte, o plaino, a gruta,
Em que vive o traidor Muhalhil; dize a verdade;
Dá-me que o alcance vivo, e é tua a liberdade!"
E o moço perguntou:
"É por Alá que o juras?"
"É por Alá que o juras?"
"Juro!", o chefe tornou.
"Sou o homem que
procuras!
Muhalhil é o meu nome, eu fui que despedacei
A lança de teu filho, e aos pés o subjuguei!"
E intrépido fitava o atônito inimigo.
Muhalhil é o meu nome, eu fui que despedacei
A lança de teu filho, e aos pés o subjuguei!"
E intrépido fitava o atônito inimigo.
Amru volveu: — "És livre, Alá seja contigo!"

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Coleção Nossos
Clássicos — Gonçalves Crespo, Volume 93, Apresentação de Rolando
Morel Pinto, publicados sob a direção de Alceu Amoroso Lima, Roberto Alvim
Corrêa e Jorge de Sena, 1967, Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro — RJ;
Antônio Cândido Gonçalves Crespo (1846 — 1883), nascido no Rio de
Janeiro, filho de mãe escrava à época de seu nascimento e de pai
negociante português, fez seus estudos em Lisboa e formou-se em Direito na
Universidade de Coimbra; dedicou-se no entanto ao jornalismo e à poesia, colaborando
com os periódicos O Ocidente e a Folha, na qual também publicavam
Guerra Junqueiro e Antero de Quental, entre outros notáveis da época; escreveu
e publicou Miniaturas (primeira edição, 1871), Noturnos (1882).