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[traduzido por Aleksandar Jovanović
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Hoje dormes, densa beldade veranil
maturas em pleno agosto
feito mulher que descobriu que o
amor é
tudo e é cinza e é inesgotável
chama que o primeiro sopro reaviva
e um segundo sopro apaga
e um terceiro sopro novamente
reaviva
e assim por diante
pelas crianças nascidas e pelas não
nascidas
deixa em paz a onda balouçante.
Dormes, densa beldade veranil
Tu, que cegas até o infinito
luz brilhante, brilho no brilho
voragem junto à voragem, voragem na
voragem
Todos os gritos de todos os
naufrágios em ti se igualam
e hoje se aquietam em tua supérflua
harmonia diamantina.
Dorme também tu diante dessa
infinitude
diante desse brilho reluzente que
lucila
dorme sobre o travesseiro inquieto
das lembranças
das lembranças truncadas e dos
instantes desperdiçados
dorme, embriagado no esquecimento
dorme, à beira das visões que fitar
não soubeste
à margem infértil do conhecimento
à margem da cegueira e do paladar
perdido
e no encontro das tempestades
e lá tembém onde a aurora se
reparte
e onde tu não estás
nem com o teu grito nem com a
verdejante
duração.
Dorme
e tudo o que quiseram as curiosas
gaitas dos sentidos
as mãos em trabalho ignotos
e o jejum da eternidade eu não
quero nem pelo preço desses
prematuros
nem tampouco pelo preço da vigília
por crianças futuras de mulheres
desonradas
quando pela terra passarem
desapiedados conquistadores
nos desertos dos devaneios tudo
isso são cumes desnudados
onde se põem as noites e as canções
não terminadas
de egoístas amantes satisfeitos.
No primeiro catre desvendarás o
mapa do mundo
desenharás todas as coordenadas e
abrirás todos os compassos
daqui até a África
as linhas são as mesmas, o silvar
do vento é o mesmo, o chamado do
deserto é o mesmo,
e as escusas mãos no laço de carne
as mesmas como no coração do
primeiro caminhante.
É melhor que durmas
Não sorri quando te agradar algo
que não sabias que iria agradar-te
cobre a tua cabeça com ambas as
mãos
e diz quem poderá romper esse
escudo de granizo.
Inquietações e madições rebentarão
quando com fragor
baixares os teus inaudíveis lábios
sobre amargos lábios
que rasgam o mundo no horror da alagria
e no horror do sofrimento
ó rosa do adocicado horror, ó rosa
da não digesta ausência, ó mesma
rosa do horror
ó rosa selvagem do misto sangue
dia, e não há dia
noite, e não há noite
estrelas ou fluir de sangue
apagados.
É melhor que durmas
o gato se estira sobre a parede
ensombreada
as uvas amadurecem nas parreiras
o reconhecimento estendeu-se sobre
o mundo.
dorme
duas tardias borboletas apressam-se
rumo ao sol traiçoeiro
e com a vinda da noite
desaparecerão
e duas belezas com elas também.
Dorme, e quando nada mais restar tu
dorme, o amor espera pelo amanhã e
por ti e pelas encantadas
asas do espaço onde ardem as cores
da eternidade
mesmo quando há negror nas raízes
do teu olhar e nos teus feridos
seios
e quando te seduz a floresta
perdida de teu sangue
de tua mortal verdade.
Dorme,
a eternidade é aquele fulgor,
aquela infinitude
aquela ensandecida harmonia sobre o
vloco dos naufrágios
e o teu sonho além de todas as
justiças e todas as injustiças
a eternidade é aquela que se
engalfinha inquieta diante de teus
pés mortificados
e obediente tombará diante dos
adormecidos, amados, cruéis
pés teus.
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Spavaš danas, gusta lepoto leta
zriš u srcu avgusta
kao žena koja je poznala da ljubav
je
sve i pepeo i opet neiscrpna
žar što ga prvi dah raspiri
i drugi dah ugasi
i treći dah opet raspiri
i tako redom
za decu rođenu i decu nerođjenu
bujan talas za to ne mari.
Spavaš, gusta lepoto leta
o ti zaslepljujući nedogledu
sjaj do sjaja, sjaj u sjaju
ambis do ambisa, ambis u ambisu
Svi krici svih brodolomnika u tebi
su izjednačeni
i smireni danas u tvom izlišnom
dijamantnom skladu.
Spavaj i ti pred tim nedogledom
pred tim sjajem od sjaja svakog
sjajnijim
spavaj na nemirnom uzglavlju
uspomena
krnjih uspomena i promašenih
trenutaka
spavaj, pijana od zaborava
spavaj na ivici čarolija koje nisi
znala da vidiš
na jalovoj ivici saznanja
na ivici slepila i izgubljenog
ukusa
i na dodiru oluja
i tamo gde se deli zora
i gde te nema
ni krikom ni zimzelenom
trajanja.
Spavaj
šta su htele smešne gajde smisla
šta ruke na nepoznatom poslu
post večnosti ja neću ni po cenu
ove nedonoščadi
ni po cenu svanuća za decu buduću
žena obeščašćenih
kad zemljom prodju bezazleni
osvajači
na puste fatamorgane
to su samo ćelavi vrhunci
gde zalaze večeri i pesme
nedopevane
sitih sebičnih ljubavnika.
Na prvom krevetu rasklopićeš mapu
sveta
ispisaćeš sve koordinate i
raširićeš sve šestare
odavde pa do Afrike
isti je stroj, isti je šum vetra,
isti zov pustare
i iste turobne ruke u zamci mesa
kao u srcu prvog prolaznika.
Bolje spavaj.
Ne smej se kad zavoliš što nisi
znala da ćeš zavoleti
glavu svoju obujmi rukama obema
taj obruč od tuči ko će moći da
slomi.
Prsnuće damari i kletve tek kad
skrušeno
spustiš neuslišene usne na gorke
usne
što cepaju svet na užas radosti i
na užas patnje.
O ružo slatkog užasa, o ružo
nesvarene otsutnosti, o ista ružo užasa
o divlja ružo pomešane krvi
dan, a nema dana
noć, a nema noći
zvezde i krvotok ugašeni.
Bolje spavaj,
mačka se proteže na osenčenom zidu
groždje zri na čokotima
bonača je polegla nad svetom
spavaj
dva pozna leptira žure varljivom
suncu
i dolaskom noći nestaće ih
i dve lepote s njima.
Spavaj, kad ništa drugo ne
preostaje ti
spavaj, ljubav čeka na sutra i na
tebe i na omamljena
krila prostora gde gore boje
večnosti
i kad je tama u korenju tvog vida i
u tvojim ranjavim grudima
i kad te mami izgubljena prašuma
tvoje krvi
tvoje smrtne istine.
Spavaj,
večnost je taj sjaj, taj nedogled
taj uzaludni sklad nad paperjem
brodolomnika
i tvoj san preko svih pravdi svih
nepravdi
večnost je taj talas što nesmiren
vrvi pred tvojim
smrtnim nogama
taj talas silan ciklon što lomi
katarke
i poslušno pašće pred nemilosrdnom,
ljubljenom, zaspalom
nogom tvojom.
* Nota do atrevidíssimo aprendiz
de blogueiro deste Verso e Conversa: O organizador e tradutor Aleksandar Jovanović,
no Prefácio deste Poesia Iugoslava Contemporânea (Sérvia), nos relata o abaixo
transcrito:
“O presente volume apresenta alguns dos poetas mais expressivos da Literatura Iugoslava contemporânea, escrita em servo-croata. Mas, para que a compreensão do leitor seja mais clara, é preciso ressaltar que se trata de poetas da Literatura da Sérvia. Portanto, este livro não é uma visão integral da Modernidade na Literatura Iugoslava. Tampouco é uma visão integral da Modernidade na Literatura Iugoslava escrita em servo-croata. É uma parte dela.Para que uma antologia de Literatura Iugoslava fosse integral, seria preciso nela incluir não somente obras de escritores da Croácia, mas também da Bósnia-Herzegovina e do Montenegro (redigidos todos em servo-croata), e, ainda, obras de escritores da Eslovênia (escritos em esloveno) e da Literatura da Macedônia (escritos em macedônio). Não é, como sublinhamos, uma visão integral, mas é o primeiro esforço para que os leitores da língua portuguesa possam ter acesso a ela.
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Poesia Iugoslava Contemporânea (Sérvia)
— [36 poetas], texto A Poesia Contemporânea da Sérvia — suas raízes e seus significados,
por Jovan Pejčić, edição bilíngue, Prefácio, Tradução e Notas de Aleksandar Jovanović,
1987, Editora Meca São Paulo — SP; Dušan Matić (1898 — 1979[?] [1980]), iugoslavo
nascido em Tchúpria, matriculou-se em Filosofia na Sorbonne — Paris em 1917, motivado
por doença interrompeu o curso e, de volta a Belgrado, completou o curso em
1922, formando-se pela Faculdade de Filosofia da Universidade de Belgrado, foi poeta
do surrealismo, crítico, ensaísta, professor e tradutor; viajou pela França,
Alemanha, Áustria, Bélgica, Holanda e Dinamarca; foi participante do grupo surrealista
de Belgrado e de seu almanaque surrealista Nemoguće (O Impossível); colaborou com os periódicos de vanguarda
modernistas surrealistas e suas dissenções: revistas Zenit [Zenith], Putevi
(Estradas), Svedočanstva (Testemunhos), da qual o poeta foi um iniciador, Naša stvarnost (Nossa Realidade) e
50 u Evropi [50 na Europa], todas de Belgrado, nas quais publicou poemas,
ensaios e outros escritos; ainda em 1922, já em Dresden-Alemanha, estudou filosofia
romântica alemã; antes, aos 16 anos e sob o pseudônimo de Uroš Jovanović, publicara
sua primeira poesia no Radničke novine (Jornal dos Trabalhadores) do Partido Social-Democrata
Sérvio; em duas épocas, foi professor de ensino médio e lecionou línguas sérvia
e francesa; suas obras: Položaj nadrealizma u društvenom procesu (em
colaboração com Oskar
Davičo e Đorđe Kostić, A Posição do Surrealismo
no Processo Social, 1932), Gluho
doba (Os Tempos Surdos, romance, 1940), Bagdala (poemas [cancioneiro emotivo],
1954), Buđenje materije (O Despertar da Matéria, ensaio, 1959), Proplanak
i um (coleção de ensaios, artigos e entrevistas, O Prado e a Mente, 1969), Bitka
oko zida (seleção de ensaios, Uma luta sobre o muro, 1971), André Breton oblique
(1976) Tajni plamen (Chama Secreta, 1976) ...; traduziu Émile Zola (Germinal e Son Excellence Eugène Rougon) e Ivan Pavlov (obra sobre
reflexos condicionados), foi cotradutor de Roger Martin du Gard (do multivolume
Les
Thibault: Le Cahier gris [O Caderno Cinzento]); Dušan Matić, que sofreu
prisões por suas atividades e teve que se aposentar de dar aulas, sem
condenação, foi um dos principais membros da Associação de Cientistas, Escritores e Artistas da
Sérvia.