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És para alguns a fúlgida certeza
de outra vida vivida em perfeição,
uma esperança de compensação
ao velho mal de toda a natureza.
Felicidade, sem a atroz surpresa
do amanhã destruidor, eterna união,
recompensa, esplendor, paz e
perdão,
luz sem ocaso em formosura acesa...
Meu céu, no entanto, a pátria
imorredoura
do sonho de ventura em que me
assombro
e meu quinhão de glórias entesoura,
céu que um reflexo de saudades
doura,
seria se, de novo, no meu ombro,
pousasses, filho, a cabecinha
loura.

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O Mundo Maravilhoso
do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio
de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Maria
Eugênia Celso Carneiro de Mendonça (1886 — 1963), mineira de São João Del Rey, filha
do Conde e Condessa Afonso Celso e neta do Visconde de Ouro Preto — presidente do
Gabinete Imperial por ocasião da deposição do Imperador Dom Pedro II —, foi jornalista,
escritora, poeta, teatróloga e sufragista; ainda criança, com a deposição da Família
Imperial, mudou-se para Petrópolis — RJ, e ali estudou no Colégio Sion, onde aprendeu
o idioma francês, o qual dominava tão bem quanto à nossa língua; colaborou com os
jornais da época, entre os quais o Correio da Manhã, O Jornal, Diário Carioca, Jornal
do Comércio e Jornal do Brasil; participante ativa do Movimento Feminista, em favor
da emancipação política e social da mulher, dedicou-se a trabalhos de assistência
junto às Damas da Cruz Verde, tornou-se uma das lideranças a criarem a maternidade
Pro Mater do Rio de Janeiro e batalhou pelo direito das mulheres ao voto; obras: Em Pleno Sonho (poesia, 1920), Vicentinho (prosa, 1925), Fantasias e Matutadas (poesia,
1925), Desdobramento (contos, 1926), Alma Vária (poesia), Jeunesse (poesia), O Solar
Perdido (poesia, 1945), O Diário de Ana Lúcia, De Relance (crônicas), Ruflo de Asas
(teatro em verso), Síntese Biográfica da Princesa Isabel (biografia); uma de suas
facetas na literatura foi o humorismo matuto; em 1955, teve suas Poesias Completas
(sem conter os versos em francês) editadas por José Olímpio; representou o Brasil
em Conferência da Unesco, em Paris, e em outras missões culturais.





